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No baixo mundo da Boca do Lixo, em São Paulo, um grupo heterogêneo de prostitutas faz de um beco o ponto de encontro e aliciamento de fregueses. São mulheres que se vendem a homens de todas as classes, cercadas de bêbados, viciados, bandidos, traficantes e proxenetas. Juntas formam uma galeria de personagens unidas pela aflição e o desengano, em que se destacam: Cora, mulher idosa que trabalha para sustentar um filho paralítico; Beth, espécie de líder, que se prostituiu ainda cedo, após fugir de sua pequena cidade no interior; Sônia, a mais inteligente do grupo, que se deixa explorar por um rufião; Brigite, filha de operários; e Vera, uma novata que se inicia na profissão. Ao drama dessas mulheres, junta-se o de muitas outras, que se entregam diariamente a fregueses alheios a sua sorte.
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Durante muito tempo no Brasil,essas profissionais eram chamadas de "Damas do Prazer",algo para não deixar muito escancarado ao ser dito e até hoje em alguns lugares ainda são chamadas dessa forma.
Apesar do título tentar oferecer algo extremamente erótico,temos um filme que fala somente sobre a vida e os direitos dessas mulheres.
A trama mostra muitos encontros e noitadas,algumas sequências filmadas no meio da rua algo para demonstrar a realidade e os tais perigos noturnos.
Aqui temos um desfile de musas do cinema nacional. Irene Stefênia encabeça o elenco,mas não consegue ser a principal. Divide bem o protagonismo com a bela Barbara Fazio e Sueli Aoki. Nicole Puzzi rouba a cena em vários momentos e ainda sobra um espaço para Nadia Destro brilhar.
Temos um filme poderoso no lado feminino e serviu para detalhar bem tudo sobre as "operárias do sexo".
>Maratona Irene Stefânia - Assistido em 06 de Setembro de 2026
- diferente do que vende no título e poster o conteúdo do filme não é nada erótico, mas era o que muitos tinham que fazer na época para conseguir bilheteria e para facilitar passar pela censura
- é um filme que mostra magistralmente grande parte das mazelas que as garotas de programa passam durante a vida por causa do trabalho em que estão
- um filme sério, bastante melancólico, com um ótimo roteiro, personagens bem escritos e cenas que vão te impactar
Agradável surpresa.
Alguém pélamordedéls sabe o nome da musica que toca no filme ? ... a tal que fala sobre "mulher da vida"?
Inspirado em "Nana", de Émile Zola, este é o segundo filme dirigido pelo fotógrafo Antônio Meliande. O argumento e roteiro é de Ody Fraga e Carlos Reichenbach.
A prostituição foi apropriada pelo capitalismo e se mantem na estrutura social de hoje, mostrando a decadência do patriarcado. No cinema, o tema é debatido de forma crítica, exemplificando o cotidiano da prostituição, como no caso dos filmes “Damas do Prazer” (1978), do brasileiro Antônio Meliande, e “Rua da Vergonha” (1956), do japonês Kenji Mizoguchi. Apesar de gravados em épocas distintas, mostram realidades paralelas em que a prostituição segue como uma prova da decadência do mundo moderno.
Damas do Prazer (1978), dirigido pelo cineasta Antônio Meliande, mostra o conflito das mulheres que se prostituem nas ruas, abordando suas vidas particulares, como fizeram ou por quê estão na prostituição. Abordando a perspectiva da proletarização da profissão, a obra aponta as suas problemáticas, que envolvem o abandono, o preconceito e a marginalização. O filme se passa na localidade do Boca do Lixo, região do centro paulistano, que virou referência para o cinema independente da época. Bêbados, malandros e prostitutas, personagens do cotidiano decadente daquele local são retratados na tela.
Entre as personagens, temos Vera, a novata, que nos apresenta uma narrativa peculiar, retrata o mundo hipócrita das famílias tradicionais ao se deparar com um cliente que exige que a prostituta atue no papel da sua mulher, confessando que a mesma lhe trai com seu chefe para garantir a estabilidade econômica do casal.
Sônia, conhecida por Notícias Populares (referência ao jornal da época), não desgruda do radinho ou está sempre com um jornal em punho. Informada, começa a demonstrar certa consciência de classe ao questionar o regime de prostituição balizado pela presença do cafetão, pagando caro pelas consequências do seu questionamento durante o filme.
Corsário (interpretado brilhantemente pelo ator Paulo Hesse), cujo nome verdadeiro é Ricardo, nome de quem vive muito pouco e de quem morre violentamente, é um jornalista desempregado, alcoólatra e filósofo do boteco que as prostitutas frequentam. Um arquétipo comum da boemia decadente urbana. Tendo consciência da realidade em que vive, declara seu amor às putas que lhe acompanham ao jantar no boteco miserável, até que sua sina se efetive no desenrolar da trama.
O ambiente em Damas do Prazer mistura realidade e ficção por entre as ruas da Boca do Lixo, aliado com a qualidade técnica de Meliande, um profissional da fotografia no cinema brasileiro. Com roteiro de Ody Fraga e Carlos Reichenbach, o filme associa-se ao aclamado Rua da Vergonha (1958), última obra de Kenji Mizoguchi, não só por uma cena em ambiente japonês, e sim pela temática acerca da prostituição.