Dirigido por
Duração
Subtitulado “A tradução de O DEMÔNIO DA ANALOGIA de Stéphane Mallarmé”, este curta-metragem inclui o texto de Mallarmé, falado por vários intérpretes em sua versão original em francês, e também em inglês e alemão.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Assisti a alguns curtas-metragens primevos deste diretor e fiquei fascinado com o seu estilo absolutamente vanguardista, na obsessão pelas imagens que piscam freneticamente e que são contrapostas aos seus enquadramentos invertidos. Mas a ausência de som dificultava a minha adesão total. Neste filme, entreguei-me por completo, fui fisgado, apaixonado: amei a sintonia entre os procedimentos de montagem 'underground' e os diálogos trilíngues, sem que uma ordem específica fosse estabelecida para a assimilação do poema - que, a despeito do modo linear como é recitado e da verve analógica que tem tudo a ver com a proposta do diretor, é completamente recriado pela equipe, em múltiplos posicionamentos actanciais e imagens complementares tão hipnóticas quanto eventualmente perturbadoras. Além das vozes das atrizes que recitam a poesia mallameniana, vemos as margens de um rio, um fundo negro, um fundo branco, objetos abandonados numa oficina e o que parece ser um final de festa, tudo (des)organizado sob a mais intensa pulsão 'underground'. Aqui, o diretor vai além das convenções do cinema estrutural: mistura tudo o que é possível, em matéria de edição cinematográfica, e provoca-nos um gozo nervoso, a supremacia do embate entre obra de arte e espectador, numa perspectiva que é tanto estética quanto política. Obra-prima de puro enfrentamento e contestação: pós-cinema reconstitutivo, ainda no auge da Sétima Arte. Amei tanto que nem sei direito o que estou escrevendo: sinto-me fortemente embriagado! (risos) Não sei se ainda estou pronto para mergulhar nos longas-metragens arquitetônicos mais recentes do diretor, mas adorei o que vi, ouvi e senti neste recital polifônico... Complexamente genial: à frente de qualquer tempo! <3 (WPC>)