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Outros títulos
Ein Platz an der Sonne - Alemanha
A Place In The Sun - Estados Unidos da América
Sinopse
Um jovem etnólogo alemão numa colônia no sudoeste da África deveria estar coletando artefatos para trazer de volta a Berlim, mas está preocupado com o tratamento cruel e racista a que testemunha os povos Herero e Nama serem submetidos.
Confesso que me incomoda de sobremaneira a narrativa da história ser a partir da perspectiva dos perpetradores da violência e não das vítimas, os povos Herero e os Nama. Infelizmente, acredito que essa escolha de perspectiva faz o filme perder uma grande oportunidade de tocar num assunto que raramente é discutido no cinema, além de pecar na profundidade do que realmente foi esse genocídio.
Apesar do filme ter tido uma preocupação e o didatismo de demonstrar todas as práticas utilizadas pela pseudociência da época que embarcava num darwinismo social, que servirá mais tarde de base ideológica para o holocausto, ele falha em conseguir transmitir dramaticidade em diversos momentos do filme (muito por essa escolha de perspectiva).
Acho a solução final para o giro de 360° do protagonista pesquisador um tanto quanto forçada e abrupta também, apesar de ter como ponto positivo não romantizar como se ele fosse "o alemão humanista salvador".
Enfim, de positivo, é bom de ver a Alemanha assumindo finalmente de peito aberto a participação nesse genocídio, além de promover o olhar para esse período nefasto da neocolonização da África durante o séc. XIX e XX. É uma pena que no final fique um gostinho de "poderia ter sido muito melhor explorado esse filme". Mas, de qualquer forma, é um filme que eu recomendo pela temática tão pouco abordada e tão necessária.
Uma obra consistente a respeito do imperialismo oitocentista europeu e as pseudoteorias do racismo científico, aplicados no continente africano. O filme alerta para a permanência desse acervo de crânios profanados de túmulos nos museus alemãos e, longe de acenar para um ''politicamente correto'' ou ''wokismo para não ferir as sensibilidades empoderadas na atualidade'', retrata situações que aconteceram ou poderiam ter acontecido de fato, como um príncipe da etnia Herero querer se relacionar de igual para igual com o imperador Guilherme, o incômodo com as medições de crânio ou de ser cobaia, a coexistência da crença espiritual cristã ao culto dos ancestrais, pois não é possível pressupor que etnias que resistiram ao jugo colonial, seriam uma espécie de tábula rasa e absorveriam a ideia de superioridade ou as hierarquias sociais dos europeus como algo dado e natural (e pressupor isso, significa ter a mentalidade racista da época, pressupor que outras culturas não tenham dignidade e agência). Destaco também uma sequência do filme, na qual há um embate entre personagens, respectivamente, da missão católica e do evolucionismo na ciência antropológica da época, e o fato de ambos aproveitarem-se do empreendimento colonial para realizar suas ''boas intenções''.
Confesso que me incomoda de sobremaneira a narrativa da história ser a partir da perspectiva dos perpetradores da violência e não das vítimas, os povos Herero e os Nama. Infelizmente, acredito que essa escolha de perspectiva faz o filme perder uma grande oportunidade de tocar num assunto que raramente é discutido no cinema, além de pecar na profundidade do que realmente foi esse genocídio.
Apesar do filme ter tido uma preocupação e o didatismo de demonstrar todas as práticas utilizadas pela pseudociência da época que embarcava num darwinismo social, que servirá mais tarde de base ideológica para o holocausto, ele falha em conseguir transmitir dramaticidade em diversos momentos do filme (muito por essa escolha de perspectiva).
Acho a solução final para o giro de 360° do protagonista pesquisador um tanto quanto forçada e abrupta também, apesar de ter como ponto positivo não romantizar como se ele fosse "o alemão humanista salvador".
Enfim, de positivo, é bom de ver a Alemanha assumindo finalmente de peito aberto a participação nesse genocídio, além de promover o olhar para esse período nefasto da neocolonização da África durante o séc. XIX e XX. É uma pena que no final fique um gostinho de "poderia ter sido muito melhor explorado esse filme". Mas, de qualquer forma, é um filme que eu recomendo pela temática tão pouco abordada e tão necessária.
Uma obra consistente a respeito do imperialismo oitocentista europeu e as pseudoteorias do racismo científico, aplicados no continente africano. O filme alerta para a permanência desse acervo de crânios profanados de túmulos nos museus alemãos e, longe de acenar para um ''politicamente correto'' ou ''wokismo para não ferir as sensibilidades empoderadas na atualidade'', retrata situações que aconteceram ou poderiam ter acontecido de fato, como um príncipe da etnia Herero querer se relacionar de igual para igual com o imperador Guilherme, o incômodo com as medições de crânio ou de ser cobaia, a coexistência da crença espiritual cristã ao culto dos ancestrais, pois não é possível pressupor que etnias que resistiram ao jugo colonial, seriam uma espécie de tábula rasa e absorveriam a ideia de superioridade ou as hierarquias sociais dos europeus como algo dado e natural (e pressupor isso, significa ter a mentalidade racista da época, pressupor que outras culturas não tenham dignidade e agência). Destaco também uma sequência do filme, na qual há um embate entre personagens, respectivamente, da missão católica e do evolucionismo na ciência antropológica da época, e o fato de ambos aproveitarem-se do empreendimento colonial para realizar suas ''boas intenções''.