Desaparecimento

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Desaparecimento (2024)
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Média do filme: 3.2 de 5 — baseado em 13 votos
MÉDIAFILMOW
3.2
13 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Keisuke Yoshida (I)
Data de lançamento 17 Maio 2024 Outras datas
País de origem Japão 🇯🇵
Duração 119 min (1h59)
Classificação indicativa de Desaparecimento: 12 - Não recomendado para menores de 12 anos
Status Em Breve

Dirigido por

Data de lançamento

17 Maio 2024

Duração

119 minutos Classificação indicativa de Desaparecimento: 12 - Não recomendado para menores de 12 anos
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Sinopse

Uma menina desaparece enquanto caminhava por uma rua. 3 meses se passam e não há pistas sobre seu paradeiro. Quando a menina desapareceu, sua mãe, Saori, foi assistir a uma apresentação ao vivo de seu ídolo favorito. Esse fato e rumores sobre Saori começam a se espalhar pela internet. Os rumores sobre ela pioram provocativamente a cada dia que passa. Além disso, Saori sente que seu marido está ficando frio com ela. Isso os leva a lutar incessantemente. Com o passar do tempo, a atenção da grande mídia começa a diminuir sobre o caso da menina desaparecida, e apenas uma emissora local continua a cobrir o caso. Mas ....

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Comentários 1
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A Netflix tem um catálogo interessante de filmes japoneses, como as animações do estudio Ghibli e alguns romances juvenis que, apesar dos clichês, tentam de alguma forma algum respiro mais criativo. No caso de "Desaparecimento", Keisuke Yoshida vai dar um ar cru e muito intimista de um caso de desaparecimento de uma criança de seis anos, e assim como a família, sentimo-nos perdidos, com poucas informações a respeito.

Essa pouca informação tem um porquê: o roteiro quer que a gente assista a um filme sobre a espetacularização de casos traumáticos e como o caso é explorado pela mídia e, principalmente, nas redes sociais, além dos efeitos que tudo isso causa nos pais, em especial na mãe lindamente interpretada por Satomi Ishihara.

Ao mesmo tempo em que plataformas como Facebook, Twitter e Instagram têm o potencial de mobilizar pessoas e compartilhar informações importantes de maneira rápida, também se transformam em arenas de julgamentos públicos e comentários muitas vezes cruéis, sem a devida empatia pelas vítimas ou seus familiares. A internet permitiu que qualquer um com uma conexão se tornasse um comentarista, e o anonimato ou a sensação de distância emocional faz com que muitos usuários esqueçam a humanidade envolvida nos casos que acompanham. Quando uma tragédia familiar como o desaparecimento de uma criança se torna assunto viral, muitos indivíduos passam a "investigar" e opinar, frequentemente culpabilizando os pais ou responsáveis, sem conhecimento profundo da situação. Esse comportamento evidencia a busca por espetáculos, transformando o sofrimento alheio em um tipo de entretenimento mórbido. Comentários como “Onde estavam os pais?” ou “Isso é culpa deles” não só desviam o foco da solução do problema (encontrar a criança), mas também traumatizam ainda mais os envolvidos.

E ficamos nesse limbo também, pois o roteiro não faz questão de esclarecer. Com poucos elementos em cena, ficamos tão perdidos quanto alguém que acompanha os tabloides. Não à toa, pouca atenção se dá à polícias ou autoridades investigativas. Não é um filme policial, e sim de trato psicológico com o fato.

O sociólogo francês Guy Debord, em sua obra A Sociedade do Espetáculo (1967), já antecipava parte dessa lógica da espetacularização, embora em outro contexto. Debord argumenta que, na sociedade contemporânea, tudo se transforma em espetáculo, onde o importante não é a experiência em si, mas sua representação midiática. Nas redes sociais, essa lógica se intensifica: tragédias reais são consumidas de forma superficial e transformadas em conteúdos que podem ser compartilhados, curtidos e comentados sem a devida reflexão sobre o impacto emocional ou as consequências das palavras. Cabe à câmera flagrar, na privacidade do casal, as dore dos pais, e faz isso com extrema sensibilidade, com momentos muito reais mas também com choros convulsivos em certos momentos. Muito caprichado, embora esquemático.

Outro cientista social que explora a relação entre redes sociais e a espetacularização é o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que em "Vida Líquida" e "Modernidade Líquida" discute como a comunicação digital favorece interações voláteis e a superficialidade nas relações humanas. Bauman destaca que, na era digital, as relações se tornaram mais frágeis e transitórias, e as interações online podem facilmente perder a profundidade empática que seria esperada em um contato humano direto. Assim, casos traumáticos podem ser transformados em conteúdo descartável para o consumo de massas, sem a atenção necessária às pessoas reais por trás dos eventos.

Esse cenário aponta para a necessidade de uma reflexão sobre o papel da ética nas redes sociais. A facilidade de compartilhar e opinar deveria vir acompanhada de uma responsabilidade social e de empatia para com o sofrimento alheio. Infelizmente, as redes tendem a reforçar o que Bauman chama de “modernidade líquida”, na qual tudo – incluindo as emoções e tragédias – se torna efêmero e rapidamente consumido.

Interessante como o roteiro tratou a sensação dos pais em um caso de desaparecimento semelhante, mostrando que o compartilhamento das dores tem efeitos diversos, as vezes até mais acentuado do que normalmente teria. O caso do tio também merecia um trato mais apurado, uma vez que instiga o espetador, mas entendo aqui o critério mais econômico do enfoque da narração.

Ainda assim, o filme reflete uma dinâmica de dessensibilização, onde o impacto emocional do sofrimento alheio é frequentemente substituído por julgamentos morais e comentários maldosos, exacerbando o trauma das vítimas. Reconhecer essa problemática e fomentar uma cultura de maior empatia e responsabilidade nas interações digitais é um desafio fundamental para o futuro das redes sociais.

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