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Duração
Hervé Chenais tem predileção pelos rapazes de 20 anos. Ele busca amor e companhia. Mas nem sempre é fácil conseguir o que se deseja se você é bem diferente do padrão de modelos que estampa as revistas. Em especial se você é mais velho (43 anos) e inválido (Hervé nasceu sem braços e pernas). Será que a situação mudará quando ele conhece on-line um belo jovem de 21 anos que é um “devotee”? “Devotee” é o praticante de acrotomofilia, que é a atração sexual por pessoas com amputações. O encontro dos dois revela a dificuldade que Hervé tem de conhecer pessoas que o tratem como um ser humano, e não um fetiche.
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Acho engraçado (preocupante?) comentários dizendo que "é um filme difícil", "imagens perturbadoras", "lokão"... Sério? ISSO, a sexualidade de PCDs é perturbador? Sério mesmo? E outra: se fosse um PCD com aparência à lá Instagram, sem os membros e "bonito conforme a ditadura de beleza", será que estariam falando em "perturbação"? Ou seria só maís um fetiche?
"Devotee" levanta reflexões que hoje, quase 20 anos após o lançamento, ainda bem, estão ganhando luz. Pena que o média-metratem é ruim. Não pelo conteúdo, mas pela filmagem amadora, atuações terríveis. Eu pensei que seria um mini documentário, fui enganado.
Mesmo assim, serve como ponto de discussão e contém diálogos que me fizeram pensar. Longe de ser "perturbador", este é um filme ousado ao dar visibilidade a um assunto invisível, ignorado, esquecido.
Vivendo no Brasil, cheio de desigualdades, onde mulheres são mortas feito pernilongos, a população LGBTQIA+ idem, a pessoa achar "perturbador" ver o sexo de um PCD é o ápice da hipocrisia.
Saia da bolha. Há muitos assuntos que de fato merecem muito mais a tua indignação.
Definitivamente, não é um filme pra todos os públicos, muito menos pra toda a família (risos nervosos). Senti desconforto misturado com uma pesada pitada de fascínio. Algumas imagens nunca mais saíram da minha cabeça. Cinema extremo.
Acho MT escroto!!
Ter tesão na tragédia dos outros.
O fato dos poucos comentários feitos sobre o filme por aqui usarem expressões como "lokão", "pensei que ia vomitar" e "meio perturbador", só comprovam que a sua existência é extremamente necessária.
O filme é bem fraco, e até mesmo um pouco amador e mal executado em alguns planos, mas é um filme delicado e trata com respeito o seu tema. O registro das cenas com o Hervé Chenais são quase documentais e ele é o grande trunfo do filme, talvez porque muito do que vemos ali não é atuação: ele experiencia na pele o que é ser um corpo abjeto, paradoxalmente indesejado e sexualizado pela mesma sociedade.
Fico triste em ver que o sexo consensual entre adultos possa ser encarado como "perturbador", ou ainda que precise de uma legitimação médico-psicológica só porque um destes indivíduos adultos é portador de deficiência física. Pelo visto não entenderam o que o próprio filme tentou problematizar. Um filme que poderia ter sido muito melhor, mas ainda bem que ele foi feito.
Filme difícil de ser visto, afinal trata-se de um "tabu" social (Devotee: Atração por Pessoas com Deficiência). O filme começa do nada e acaba no nada, mas o importante que levanta conversas e comentários no pós filme. O que é normal e o que é tabu em se tratando de sexualidade humana?