Henggo
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Últimas opiniões enviadas

Henggo
½
1 semana atrás

Eu creio que o que assisti foi uma metáfora certeira sobre as pressões que nós colocamos nas mulheres quando elas se tornam mães. A condução da trama é genial — não consigo encontrar outra palavra —, ao provocar o público a encarar a filha apenas depois de quase duas horas de filme, lembrando que o nascimento não pressupõe a invisibilidade dos problemas dessa mulher. O estigma da mãe forte, "que aguenta tudo" e "carrega o mundo nas costas" ganha aqui um tom quase surrealista, mas muito palpável. Algumas pessoas chegaram a dizer que tem um "humor mórbido ". Pois bem: onde? Não há nada engraçado aqui. Pelo contrário, temos neste filme uma narrativa potetente, provocadora e dilacerante que exige silêncio, empatia e autoconsciência. Eu estou impactado.

Henggo
½
2 semanas atrás

Na escrita criativa, nós temos o chamado "este de Bechdel", uma forma de avaliar se aquela obra tem representatividade feminina de fato. O teste tem três regras básicas:

1) Ter duas ou mais mulheres — no mínimo duas personagens femininas que tenham nomes e relevância dentro da obra.

2) Conversar entre si — essas personagens precisam dialogar uma com a outra em algum momento da trama.

3) Não falar sobre homens — o assunto da conversa entre elas não pode ser sobre um homem (ou relacionamentos com homens).

E "Red" passa de forma linda! Que filmaço! Sério: acho que poucas vezes me diverti tanto com uma animação. Sabe quando você vai assistindo e de repente se flagra sorrindo? Não por algo engraçado, mas um riso bobo, sutil, instintivo; um riso de "Cara, estou feliz vendo isso". Uau!

Mei é cativante demais. Domee Shi é uma diretora que sabe traduzir emoções sem soar melodramática (vide o filme "Elio" e o encantador curta-metragem "Bao") e aqui em "Red" ela conseguiu falar sobre adolescência, menstruação, sororidade, vontade de ser quem se é, tudo de modo que nos abraça, conforta, afaga, silencia.

Como muitos abaixo perceberam, este filme deveria ter mais reconhecimento. Em meio a tantas obras bobas e rasas, em meio à um mundo tão violento e com seus homens brutalizados em performances de masculinidade, "Red" é uma ode à empatia. Maravilhoso filme!

Henggo
½
1 mês atrás

Amei a metáfora sobre o modo como o capitalismo nos consome, seduz, mas, no fundo, só quer nos f*der. Narrativamente, isso chamou muito a minha atenção. Algo que sempre insisto nas aulas de escrita é que as pessoas precisam dar camadas, entrelinhas, subtextos para o que escrevem. Portanto, foi o que encontrei aqui. Agora, pensando pelo lado da dinâmica do filme, confesso que eu fiquei com eles até por uns 2/3 do longa. Depois, eu comecei a pensar:

"Hum, isso tá indo para um lado óbvio..."

Ouso dizer (querendo dar uma de editor de filme, veja só! KKKKKKKK) que parte disso foi por causa do final.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Eu preferia que tivesse acabado quando ela dá uma tacada de golfe na cabeça do Bradley. Seria massa! Aí, subiriam os créditos e, só depois, quase no final de tudo, antes de aparecer os nomes dos dubladores, aí sim entraria a cena dela recuperada.

Simbolicamente, creio que isso também seria uma mensagem de "essas corporações querem que você consuma tudo rápido, mas, para quem espera e silencia, há um bônus para a vida" — que seria, aí sim, aquela mensagem final.

Apesar desse detalhe, eu me diverti muito. Linda é uma personagem dúbia, cheia de mistérios, que vai se revelando a cada cena. Esquisita? Sim. Mas essa característica a torna, para mim, ainda mais incrível. Bradley me irritou como deveria e achei a atução do Dylan O'Brien encaixada. Eu olhava para os olhos dele e percebia o grande FDP que estava ali. A dinâmica entre eles funcionou. Os efeitos visuais foram outra grata surpresa. Somado a esse ponto, o gênero do filme foi mantido até o final, com todo aquele tempero bizarro do Sam Raimi.

Mas vou te dizer uma coisa: fiquei curioso para ver esse filme, essa mesma premissa, sob a ótica polêmica do Lars Von Trier.

Consegue imaginar? Espero que não. :-P

  • 斎藤健介・ 3 anos atrás

    Acabei de assistir A Baleia e li sua resenha. Já estava emocionado, fiquei ainda mais. Achei fantástica a honestidade da sua visão.

  • magali 5 anos atrás

    Caramba, nunca tinha pensado por esse lado. Se por um acaso vc ler as obras do Nietzsche, aposto que odiaria o conceito dele de super-homem tbm.

    Depois vou assistir ambos shuauauahauq

    E CARAMBA jdhsiahaiaya
    Eu sou colunista e pretendo cursar jornalismo, é uma honra conhecer jornalistas sz

    Desejo sucesso a você em todos esses âmbitos e se quiser divulgar seu trabalho, fique à vontade

  • magali 5 anos atrás

    Eu nunca assisti muito filmes de super-herói (não tenho nada contra, mas nada a favor, até o momento), às vezes gosto de alguns, mas nunca realmente peguei pra assistir

    Pq vc não gosta?

    Eu também adoro curtas, tenho duas listas com alguns e pretendo ter mais, gosto de procurar coisa nesse estilo (quais são os seus favoritos?)

    E você escreve livros?