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1995, São Paulo. Logo após a implantação do Plano Real, Liz, 13, é mandada para intercâmbio na Irlanda por seus pais de classe média emergente. A viagem, a seu ver, é um total fracasso. Liz retorna ao Brasil transtornada e obsessiva. Nos anos seguintes desenvolve um transtorno alimentar que limita a sua vida em todos os âmbitos. Como superar essa dura realidade?
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A ideia é boa, mas seu desenvolvimento é super falho…uma abordagem rasa, mal trabalhada , com passagens que funcionam de forma aleatória,
Além dos recortes confusos, sinceramente não curti.
"Diário de Viagem" é bem intencionado, com um enredo que, apesar de à primeira vista possuir ares de "white people problems", dá uma guinada e consegue converter a audiência ao falar de um distúrbio psicológico pouco comentado, a anorexia.
Apesar disso eu tenho que admitir que algumas cenas são um pouco irritantes. Bom, talvez seja essa a proposta, não sei. Também posso dizer que alguns pontos ficaram com a aparência de mal resolvidos, como o relacionamento entre a Liz e o pai dela.
No mais é isso.
Vi em 16/nov/2022.
Quis muito gostar deste filme e declarar minha solidariedade irrestrita à protagonista, mas há contornos classistas difíceis de serem tolerados neste filme. Por que essa insistência na contextualização do Plano Real, por exemplo? Isso faz com que desconfiemos sobremaneira das intenções da realizadora, ainda que o modo como ela apresenta os dramas mereça aplausos pela acessibilidade comunicativa: com certeza, há de atingir várias garotas que identificam-se com a protagonista. E, neste sentido, é muito bacana que o filme exista, é válido que ele seja aproveitado terapeuticamente. Por mais que, sabemos, boas intenções nem sempre redimem os filmes. Gosto da entrega de Manoela Aliperti à sua personagem, mas é exagerado imaginá-la com 13 anos. O modo como a empregada doméstica da família é retratado incomodou-me bastante, bem como a inconstância com que Liz interage com seus colegas de classe. Daniel Botelho tem seus dons aproveitados enquanto chamariz 'pop', mas, mesmo gostando muitíssimo de Virgínia Cavendish, senti-me envergonhado com a composição caricata de sua personagem materna. Eucir de Souza, por sua vez, parece dotar de muita violência o pai de Liz (não entendi diversas situações relacionadas a ele, por exemplo), mas também merece alguns elogios pelo zelo actancial. Quando aborda os transtornos, o que deveria ser o foco do roteiro, o filme é moderadamente assertivo, mas a sua linguagem é muito assemelhada às tramas seriadas das novas gerações. Noutro meio audiovisual, funcionaria muito melhor. Que alcance o seu público-alvo, ao menos! (WPC>)