Em Londres, na virada do século XIX para XX, Mackie, um cafetão e cafajeste conhecido como “A Navalha”, se casa com Polly, a filha de um empresário de mendigos.
Na revisão, gostei ainda mais: a despeito de um aparente hermetismo - intencional, conforme se percebe nos cenários ostensivamente artificiais -, o que se destaca é a atualidade na narrativa, que tem tudo a ver com a contemporaneidade. Vide o que ocorre no Congresso brasileiro, por exemplo: está tudo no filme, em sua conjunção de forças entre uma polícia corrupta, os financiamentos criminosos e o carisma de bandidos opulentos e mulherengos. A direção do Pabst é suprema, sendo audacioso em realizar um musical quando o cinema sonoro ainda titubeava na Europa. O elenco está primoroso em sua adesão às tipificações, e a direção de arte é esplêndida, sobretudo quando aparecem superfícies vítreas (espelhos, vitrines, etc.). Minha mãe ficou impressionada com a limpeza e higienização da cadeia (alguém pensou na prisão domiciliar de Fernando Collor de Mello e afins?), luxuosa por razões diegéticas óbvias. As canções são maravilhosas (Kurt Weill, te amamos!) e o desfecho é extraordinário no que denuncia - e permanece atual. Num debate do qual participei sobre o filme, ficou destacado o quão "feminista" é o diretor, ao sempre empoderar as suas personagens femininas. Filmaço! (WPC>)
Um conto extremamente necessário e que envelheceu mais atual que nunca.O formato meio que teatral valoriza demais os diálogos e seus personagens.No mais,traz alguns números musicais invejáveis.
Uma verdadeira Obra-Prima! Baseado na peça de teatro homônima. O filme utiliza quase de maneira alegórica os personagens como o "Rei dos Mendingos" e todo o seu exército como aparato profissional para pedir esmola como uma relação de poder entre os trabalhadores miseráveis e quem os explora. A polícia como braço do estado mais corrupto e por fim os detentores reais do poder que são tão questionáveis moralmente como qualquer ladrão comum.
As atuações lembram atuações de teatro e são de impressionar, depois de quase um século a qualidade das cenas músicais adiconadas na montagem do filme geram aquela gostinho de quero mais e visualmente bonito, com um preto e branco bastante constratado. Assisti a versão restaurada de 2006 que está magnífica. O triste é só saber que as relações de poder descritas ainda são tão atuais e ainda mais peversas atualmente...
Possivelmente assisti com bastante preguiça e acabei me desligando por completo, ainda que a fotografia soturna e o andar da câmera de Pabst me agradassem muito na primeira metade do filme mas depois de um certo tempo nem ao mesmo a bela cinematografia conseguiu elevar meu interesse. A rever.
Na revisão, gostei ainda mais: a despeito de um aparente hermetismo - intencional, conforme se percebe nos cenários ostensivamente artificiais -, o que se destaca é a atualidade na narrativa, que tem tudo a ver com a contemporaneidade. Vide o que ocorre no Congresso brasileiro, por exemplo: está tudo no filme, em sua conjunção de forças entre uma polícia corrupta, os financiamentos criminosos e o carisma de bandidos opulentos e mulherengos. A direção do Pabst é suprema, sendo audacioso em realizar um musical quando o cinema sonoro ainda titubeava na Europa. O elenco está primoroso em sua adesão às tipificações, e a direção de arte é esplêndida, sobretudo quando aparecem superfícies vítreas (espelhos, vitrines, etc.). Minha mãe ficou impressionada com a limpeza e higienização da cadeia (alguém pensou na prisão domiciliar de Fernando Collor de Mello e afins?), luxuosa por razões diegéticas óbvias. As canções são maravilhosas (Kurt Weill, te amamos!) e o desfecho é extraordinário no que denuncia - e permanece atual. Num debate do qual participei sobre o filme, ficou destacado o quão "feminista" é o diretor, ao sempre empoderar as suas personagens femininas. Filmaço! (WPC>)
Um conto extremamente necessário e que envelheceu mais atual que nunca.O formato meio que teatral valoriza demais os diálogos e seus personagens.No mais,traz alguns números musicais invejáveis.
>Assistido em 11 de Junho de 2023
Uma verdadeira Obra-Prima! Baseado na peça de teatro homônima. O filme utiliza quase de maneira alegórica os personagens como o "Rei dos Mendingos" e todo o seu exército como aparato profissional para pedir esmola como uma relação de poder entre os trabalhadores miseráveis e quem os explora. A polícia como braço do estado mais corrupto e por fim os detentores reais do poder que são tão questionáveis moralmente como qualquer ladrão comum.
As atuações lembram atuações de teatro e são de impressionar, depois de quase um século a qualidade das cenas músicais adiconadas na montagem do filme geram aquela gostinho de quero mais e visualmente bonito, com um preto e branco bastante constratado. Assisti a versão restaurada de 2006 que está magnífica. O triste é só saber que as relações de poder descritas ainda são tão atuais e ainda mais peversas atualmente...
Nossa, que filme maravilhoso! Nunca me perdoarei por ter demorado tanto pra assistir!!
Possivelmente assisti com bastante preguiça e acabei me desligando por completo, ainda que a fotografia soturna e o andar da câmera de Pabst me agradassem muito na primeira metade do filme mas depois de um certo tempo nem ao mesmo a bela cinematografia conseguiu elevar meu interesse. A rever.