Assim como O Julgamento de Deus, sobre o qual já escrevi, Diplomatie também se passa em 1944. Ambos retratam momentos pessoais excruciantes, o dia mais decisivo na vida dos seus personagens, de modo que o básico do básico é que os atores consigam refletir em seus gestos e falas a gravidade da ocasião e que toda a carga dramática seja transmitida sem faltas e sem excessos; sem isso é impossível realizar a contundente proposta de imersão sugerida pelos enredos. Em ambos os filmes essa execução é exímia.
No caso de Diplomatie, a história conta o encontro ocorrido no Hotel Maurice, em 25/08/1944, hotel que está a poucos metros de onde sucumbiu o Palácio das Tulherias (1564-1871), última residência oficial de Luís XVI, e próximo de onde o rei e a rainha, como também Robespierre e Danton - e outro milhar de franceses - foram guilhotinados. Na suíte que já foi residência de uma amante de Napoleão III, estão um diplomata sueco e um general alemão, governador da Paris sob ocupação nazista. O diplomata assume para si uma missão muito difícil, convencer o general a abandonar o plano de Hitler para a capital francesa, que é o de destruição total da cidade, deixando-a debaixo de água com explosões táticas em vários lugares de Paris.
O diplomata, para alcançar esse objetivo, vai recorrer a um verdadeiro arsenal de argumentos, apelando para a emoção e para a razão do general. Como o filme se passa todo em apenas uma locação, o desafio para o diretor é manter o ritmo de tensão durante pouco mais de uma hora de idas e vindas e instrumentalizando diferentes técnicas e argumentos para convencer um general aparentemente irredutível. As duas coisas funcionam bem, somos carregados para a atmosfera densa que envolve um momento chave da II Guerra Mundial e sentimos como a fluidez das argumentações vão desarmando paulatinamente a couraça emocional do general, permitindo uma abertura mais pessoal para as tratativas.
Mudanças bruscas no mundo moderno foram decididas não só no campo de batalha, mas em reuniões em salas fechadas. Diplomatie consegue replicar com excelência os desafios para a formação de acordos quando um dos lados parece irredutível.
O destino de uma cidade e de milhões de pessoas decidido em uma conversa! Se a gente parar pra pensar, isso acontece aos montes ainda hoje, mas isso ganha uma dimensão ainda maior quando se trata de uma guerra, que causa perdas humanas e materiais de forma mais latente e brutal.
História e diplomacia são dois assuntos que me fascinam, então esse filme é um prato cheio pra quem gosta desses temas. Já saber o final, até porque Paris tá firme e forte até hoje, não tira em nada a beleza do filme, que se passa quase que inteiramente num quarto de hotel. Os diálogos são envolventes, as atuações são boas e os personagens são carismáticos (tarefa difícil e bem realizada por Niels Arestrup, já que interpretou um oficial nazista). Aliás, é impressionante como o filme consegue transmitir certa sensação de suspense quanto à destruição de Paris, mesmo já sabendo o destino da cidade.
Adaptação cinematográfica de peça teatral homônima escrita pelo francês Cyril Gely que vai muito além de simples teatro filmado. Os diálogos entre o diplomata sueco (André Dussollier) e o coronel nazista (Niels Arestrup) são brilhantes e mesmo que saibamos o final da história (Paris não foi destruída) é sempre interessante acompanhar o desenrolar dos fatos que salvaram das chamas uma das mais belas cidades do mundo, sua população, seu patrimônio artístico etc. .
Bom filme e grande atuação de Niels Arestrup.
Assim como O Julgamento de Deus, sobre o qual já escrevi, Diplomatie também se passa em 1944. Ambos retratam momentos pessoais excruciantes, o dia mais decisivo na vida dos seus personagens, de modo que o básico do básico é que os atores consigam refletir em seus gestos e falas a gravidade da ocasião e que toda a carga dramática seja transmitida sem faltas e sem excessos; sem isso é impossível realizar a contundente proposta de imersão sugerida pelos enredos. Em ambos os filmes essa execução é exímia.
No caso de Diplomatie, a história conta o encontro ocorrido no Hotel Maurice, em 25/08/1944, hotel que está a poucos metros de onde sucumbiu o Palácio das Tulherias (1564-1871), última residência oficial de Luís XVI, e próximo de onde o rei e a rainha, como também Robespierre e Danton - e outro milhar de franceses - foram guilhotinados. Na suíte que já foi residência de uma amante de Napoleão III, estão um diplomata sueco e um general alemão, governador da Paris sob ocupação nazista. O diplomata assume para si uma missão muito difícil, convencer o general a abandonar o plano de Hitler para a capital francesa, que é o de destruição total da cidade, deixando-a debaixo de água com explosões táticas em vários lugares de Paris.
O diplomata, para alcançar esse objetivo, vai recorrer a um verdadeiro arsenal de argumentos, apelando para a emoção e para a razão do general. Como o filme se passa todo em apenas uma locação, o desafio para o diretor é manter o ritmo de tensão durante pouco mais de uma hora de idas e vindas e instrumentalizando diferentes técnicas e argumentos para convencer um general aparentemente irredutível. As duas coisas funcionam bem, somos carregados para a atmosfera densa que envolve um momento chave da II Guerra Mundial e sentimos como a fluidez das argumentações vão desarmando paulatinamente a couraça emocional do general, permitindo uma abertura mais pessoal para as tratativas.
Mudanças bruscas no mundo moderno foram decididas não só no campo de batalha, mas em reuniões em salas fechadas. Diplomatie consegue replicar com excelência os desafios para a formação de acordos quando um dos lados parece irredutível.
O destino de uma cidade e de milhões de pessoas decidido em uma conversa! Se a gente parar pra pensar, isso acontece aos montes ainda hoje, mas isso ganha uma dimensão ainda maior quando se trata de uma guerra, que causa perdas humanas e materiais de forma mais latente e brutal.
História e diplomacia são dois assuntos que me fascinam, então esse filme é um prato cheio pra quem gosta desses temas. Já saber o final, até porque Paris tá firme e forte até hoje, não tira em nada a beleza do filme, que se passa quase que inteiramente num quarto de hotel. Os diálogos são envolventes, as atuações são boas e os personagens são carismáticos (tarefa difícil e bem realizada por Niels Arestrup, já que interpretou um oficial nazista). Aliás, é impressionante como o filme consegue transmitir certa sensação de suspense quanto à destruição de Paris, mesmo já sabendo o destino da cidade.
Gostei bastante e até me emocionei no final.
Gosto muito desse tipo de filme onde os diálogos são centrais. O roteiro é sensacional e a atuação dos dois na sala é muito boa.
Adaptação cinematográfica de peça teatral homônima escrita pelo francês Cyril Gely que vai muito além de simples teatro filmado. Os diálogos entre o diplomata sueco (André Dussollier) e o coronel nazista (Niels Arestrup) são brilhantes e mesmo que saibamos o final da história (Paris não foi destruída) é sempre interessante acompanhar o desenrolar dos fatos que salvaram das chamas uma das mais belas cidades do mundo, sua população, seu patrimônio artístico etc. .