Dize-me Que Me Ama, Junie Moon

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Dize-me Que Me Ama, Junie Moon (1970)
Tell Me That You Love Me, Junie Moon
Média do filme: 3.4 de 5 — baseado em 12 votos
MÉDIAFILMOW
3.4
12 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Otto Preminger
Data de lançamento 11 Maio 1970 Outras datas
Duração 113 min (1h53)
Classificação indicativa de Dize-me Que Me Ama, Junie Moon: 12 - Não recomendado para menores de 12 anos

Dirigido por

Data de lançamento

11 Maio 1970

Duração

113 minutos Classificação indicativa de Dize-me Que Me Ama, Junie Moon: 12 - Não recomendado para menores de 12 anos
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Sinopse

Três pessoas com problemas, - uma garota desfigurada(Liza Minnelli), um homossexual paralítico(Robert Moore) e um epiléptico(Ken Howard) - vivem juntos e lutam para levar uma vida feliz.

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A Bola Preta

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Drama romântico em Technicolor da Sigma Productions, Otto Preminger Films e Paramount Pictures indicado à Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cinema de Cannes. O filme foi baseado no romance de 1968 de mesmo nome de Marjorie Kellogg (1922-2005). O diretor e produtor Otto Preminger (1905-1986) comprou os direitos de filmagem do romance no qual este filme se baseiou antes de ser publicado em outubro de 1968. O ano correto deste filme é 1969.

Os créditos de abertura e encerramento passam pelo cantor folk Pete Seeger (1919-2014) caminhando pela floresta com seu violão e cantando a música tema do filme, "Old devil time". Charles Schram (1911-2008), que criou a grotesca maquiagem de "mulher com cicatrizes" de Liza Minnelli para o filme, trabalhou na maquiagem de sua mãe, Judy Garland, em O Mágico de Oz (39) e também preparou o rosto de Garland para o funeral. Estréia no cinema de Ken Howard (1944-2016). Estréia cinematográfica de Julie Bovasso (1930-1991). Estréia no cinema como ator do diretor Robert Moore (1927-1984). Último filme do diretor de fotografia polonês Boris Kaufman (1906-1980). Último filme da atriz Kay Thompson (1909-1998).

O sentimentalismo do filme, se é que se quer chamar assim, é tudo menos desleixado; na verdade, muitas vezes é misturado com o tipo singular de perversidade de Preminger, bem como com sua honestidade. Ele consegue, entre outras coisas, transformar uma estória triste e dolorosa bastante improvável em entretenimento humano com alguns momentos cômicos.

bedran
Rafael Bedran
6 anos atrás

Adaptado da obra literária de Marjorie Keller, "Tell Me That You Love Me, Junie Moon" é um dos filmes mais inusitados e fascinantes da década de 70. Desmerecido pelas críticas na época, o longa jamais encontrou seu público, talvez pro contemplar personagens demasiado idiossincráticos (até mesmo para uma época em que a contracultura eclodia impávida) retratados sob uma ótica quase romântica.

O final dos anos 60 foi uma época muito curiosa para a cultura popular americana, pois tratou-se de um período em que os "esquisitos" finalmente ganhavam alguma voz; com o sistema de estúdio em decadência e o glamour clássico ofuscado pelo cinema mais ousado, caótico e desinibido da "nova Hollywood", figuras que outrora seriam vistas como execráveis e indignas de exibição, ganhavam notoriedade e eram alvo de fascínio. Tiny Tim com sua voz hélica afeminada e trejeitos cartunescos virava sensação na TV e filmes como "Midnight Cowboy" (1969) e "Flesh" (1968) - que uma década antes seriam considerados heréticos - eram premiados, discutidos com afinco e traziam ao holofote personagens e mundos ignotos até então ao grande público.

"Tell Me That You Love Me, Junie Moon" parece existir em algum lugar entre a velha e a nova hollywood; apesar de personagens absurdamente inconvencionais, o filme não é politicamente afiado ou mesmo procura sacudir o sistema com suas idiossincrasias, mas propõe contar uma estória diferente sobre amizade entre pessoas peculiares que encontram uma na outras uma espécie de refúgio do mundo insensato e cruel. A estória gira em torno de Junie Moon (uma moça de rosto parcialmente desfigurado e interpretada com simpatia e charme por Liza Minnelli), Warren (um homem gay paraplégico sagaz, sestroso e irônico) e Arthur (um rapaz doce, rígido e instável que sofre de surtos epilépticos). Eles decidem morar juntos após se conhecerem no hospital onde recuperavam de suas mazelas.

O filme é introduzido de maneira excêntrica - seu prólogo consiste no cantor Peter Seeger cantando a música tema "Old Devil Time" enquanto caminha em uma floresta boreal com seu violão. A canção é um ode ao alento da amizade contra os intempéries da vida e introduz o filme de maneira bela e melancólica ainda que um pouco bizarra. Ela é tocada frequentemente durante o longa e vai se tornando uma espécie de hino acalentador dos personagens centrais.

O grande charme de "Junie Moon" talvez esteja justamente em sua natureza simultaneamente encantadora e bizarra, não digo isso apenas pela singularidade de seus personagens, mas porque o própria longa é estruturado de maneira peculiar - não há um arco dramático definido, mas pequenos conflitos que afloram em cenas do cotidiano. Acompanhamos os personagens enfrentar dificuldades financeiras, desentendimentos de convivência e entrar em contato com uma série de personagens coadjuvantes igualmente excêntricos (como o afável peixeiro Mario interpretado por James Coco e a moribunda melodramática Meenie vivida por Clarice Taylor). O destaque, é claro, vai para Lady Gregory (excelente aparição de Key Thompson em uma de suas pouquíssimas atuações no cinema), uma milionária desvairada que convida os protagonistas para uma festa em seu castelo; sua grande cena é tão idiossincrática e maníaca que é difícil crer que existe - culmina na personagem de Thompson dizendo que presenteará uma cruz encrostada de diamantes ao personagem de Warren caso ele seja capaz de andar sem sua cadeira de rodas. "Vamos lá, belezinha, se você conseguir andar viajaremos juntos a Europa!", brada a senhora lunática de túnica roxa.

Liza Minnelli, em um de seus primeiros papéis de protagonista, possui um charme inato na pele de Junie Moon e carrega em seu semblante notável melancolia (algo que talvez vá além da personagem e se relacione à perda de sua mãe, Judy Garland, no mesmo ano em que o filme foi feito). Suas cenas iniciais são de violência surpreendente - acompanhamos, em um flashback, seu fatídico encontro com um psicopata responsável por jogar ácido em seu rosto após se sentir ridicularizado pela jovem. Um aspecto que torna o filme inusitado é a forma como ele alterna cenas pungentes (como esta citada e outras envolvendo um delírio psicótico de Arthur) com outras de leveza vicejante (em determinado momento os personagens fazem uma viagem alegre a praia); nunca sabemos para que destino o filme caminhará, mas somos sempre surpreendidos e acabamos conhecendo mais seus personagens através de suas reações e comentários espirituosos a respeito do que vivem.

Robert Moore é fantástico como Warren, imbuindo o personagem de um charme irônico e matreiro e protagonizando os momentos mais cômicos do filme. Seja alfinetando e desorientando seus amigos com sua conduta caprichosa e sardônica ("pelo menos não sou um virgem ridículo!") ou flertando descaradamente com um praieiro negro viril que o carrega nos ombros para cima e para baixo (- "você me lembra um Deus", - "Que Deus?", - "Adônis, é claro!"), o personagem rouba todas as atenções. Warren também revela facetas mais vulneráveis por trás do verniz de deboche; em determinado momento, por exemplo, ele discorre sobre seu amor pelo falecido pai adotivo (também homossexual) que o mimara e protegera e, no decorrer do longa, vamos percebendo que por trás de todos seus atos cenosos há, junto ao exibicionismo, certa carência e medo de rejeição. Moore, muito conhecido como diretor de peças (dirigiu a fantástica "The Boys in the Band" de 1969), tem apenas a atuação neste filme em seus créditos; é uma pena, pois merecia prêmios pela sua performance como Warren e mais papéis na telona. Ken Howard também brilha como Arthur em seu primeiro papel no cinema e oferece um contraponto ao personagem de Warren, mostrando-se mais recatado, sério e ensimesmado. O romance que desenvolve com Junie Moon é descontraído e convincente e Howard e Minnelli logram de boa química.

"Tell Me That You Love Me, Junie Moon" é uma pérola esquecida que merece ser redescoberta e que ainda é atual em seu retrato charmoso e autêntico da vida de três pessoas à margem da sociedade em busca de amor e aceitação. Rever o filme é como visitar velhos amigos e serve de lembrete melancólico de que o que nos salva na vida são de fato as amizades. É como diz a música tema: "[...] E você que teme, ó amores se reúnam e poderemos levantar e cantar mais uma vez".

dougtrash
DougTrash
½
6 anos atrás

Uma pena que este filme seja tão preto-no-branco. Eu queria mesmo ter gostado mais dele. Discordo do amigo aí abaixo, até Amigo é Pra Essas Coisas é um filme melhor do Preminger do que este.

vitordb
Vitor
½
7 anos atrás

Um dos filmes mais lindos de Preminger. Injustamente esquecido.

editado
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½
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5

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Elenco de Dize-me Que Me Ama, Junie Moon

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Liza Minnelli 14 279

Liza Minnelli

(Junie Moon)
James Coco 0 3

James Coco

(Mario)
Kay Thompson (I) 3 8

Kay Thompson (I)

(Miss Gregory)
Ken Howard (I) 1 3

Ken Howard (I)

(Arthur)
Robert Moore 0 0

Robert Moore

(Warren)
Wayne Tippit 0 0

Wayne Tippit

(Dr. Miller)

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