O documentário Liebte der Osten Anders? (“Comunistas transam melhor?”, na tradução do título em inglês), dirigido em 2006 por Andre Meier, parte da premissa, comprovada estatisticamente, de que no lado comunista do muro de Berlim as pessoas faziam mais e melhor sexo que do lado capitalista, e tenta explicar por quê. É surpreendente descobrir que, apesar da censura e da proibição da pornografia, os alemães orientais (e sobretudo as alemãs) tinham mais liberdade sexual do que os ocidentais.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
O documentário, enquanto informar o tema proposto, é muito bom: traz com detalhes as informações sobre o sexo, nudez e afins nas duas alemanhas e, com isso, fica clara a diferença do lado oriental socialista, onde o fato de que "as pessoas faziam mais e melhor sexo que do lado capitalista" se dá por conta de um projeto político de sociedade emancipador e humano (ainda que muita coisa nesse processo tem de ser problematizada [sempre evitando os anacronismos], como a homossexualidade que não era bem vista como mostra o documentário e provavelmente tratada como uma doença mental, como era caracterizada pela OMS na época), enquanto o lado ocidental capitalista, por conta de um projeto político onde a reprodução da vida se dá através da mercantilização, promovia suas melhoras em resposta ao outro lado e nada melhor melhor do que um trecho do próprio filme (que já foi citado no comentário abaixo inclusive) pra evidenciar como atuou em relação a esse tema no período: "[...] no Ocidente a revolução sexual foi rapidamente incorporada pela música, moda e a indústria da publicidade. Centímetro por centímetro as imagens publicitárias começaram a se aproximar das zonas erógenas. A liberdade sexual oferecida pela pílula foi rapidamente absorvida pelo marketing e revistas pornográficas. Numa sociedade competitiva como a capitalista, a sexualidade passou a
ser encarada por critérios de rentabilidade e performance: para ser sexy você
tem que estar em forma, ser atraente, ter orgasmos mais rapidamente e em maior
número. Cada vez mais uma ansiedade começa a dominar a todos – de que alguém
poderia ter uma vida sexual melhor do que a sua."
Porém,o filme perde muito enquanto narrativa, pois opta pelo discurso neoliberal de totalitarismo do Estado e reproduz críticas vazias ou utiliza alguns termos pejorativos propositalmente para se referir a algumas medidas do governo, o que acaba ficando até contraditório, passando uma mensagem como "o sexo e a sexualidade em geral se encontra muito melhor no lado oriental por conta das ótimas medidas do terrível Estado socialista". É o ponto negativo do filme
Mas no geral o resultado, por mais que tenha uma narrativa um tanto tendenciosa, é muito bom, principalmente por cumprir muito bem sua principal finalidade como documentário. Vale muito a pena!
Do blog Cinegnose:
"O documentário toca em um ponto nevrálgico da discussão: se a pílula foi
uma revelação para as mulheres ocidentais, não foi uma mudança tão radical como
a que já existia do outro lado do muro. Principalmente porque no Ocidente a
revolução sexual foi rapidamente incorporada pela música, moda e a indústria da
Publicidade. Centímetro por centímetro as imagens publicitárias começaram a se
aproximar das zonas erógenas. A liberdade sexual oferecida pela pílula foi
rapidamente absorvida pelo marketing e revistas pornográficas.
Numa sociedade competitiva como a capitalista, a sexualidade passou a
ser encarada por critérios de rentabilidade e performance: para ser sexy você
tem que estar em forma, ser atraente, ter orgasmos mais rapidamente e em maior
número. Cada vez mais uma ansiedade começa a dominar a todos – de que alguém
poderia ter uma vida sexual melhor do que a sua."
Só agora fui ver esse documentário da TV alemã sobre a sexualidade nos tempos da cortina de ferro.
A sexualidade era desfrutada de modo muito mais pleno na Alemanha Oriental, em comparação com os alemães capitalistas, com direito a legalização do aborto e educação sexual nas escolas adiantadas. O nudismo era comum, porque o corpo não era visto como mercadoria.
Apesar de tudo isso, ainda guardo uma crítica aos então socialistas alinhados com a URSS: perderam a chance de abraçar não apenas a revolução sexual - o que, como se vê no documentário, eles até fizeram - mas sobretudo a revolução CULTURAL que vinha junto com ela, incluindo aí uma alternativa socialista dentro da pornografia, por exemplo, mas também uma política mais aberta e vasta sobre sexualidade na cultura de massa. A obra do teórico psicanalista/marxista Wilhelm Reich tinha tudo pra ser a pedra-de-toque nesse sentido.
Se tivessem feito uma jogada estratégica avançando nesse sentido ainda nos anos sessenta, teriam chegado aos anos oitenta mais preparados para enfrentar os capitalistas no embate cultura+sexualidade.
socialistamorena.com.br/comunistas-transam-melhor/