Dirigido por
Duração
Dirigido por Miguel Antunes Ramos, Dragões é um documentário que conta a história da relação entre a imagem e o poder dentro de uma comunidade, nesse caso, a brasileira. Atravessando um momento de terremoto político, o filme resolve utilizar de uma análise do quadro Independência ou Morte!, de Pedro Américo, para entender como é feita a criação de uma imagética de Estado que perdura até os dias atuais, principalmente com a campanha de Bolsonaro. Buscando entender como ele é capaz de recriar, negar e até mesmo tensionar essa imagética oficial, o longa examina com cuidado detalhes dessas situações.
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Tão logo este filme estréie comercialmente, eu estarei nas trincheiras, defendendo-o, promovendo-o, estimulando-o... Nem sempre eu concordo com a conformação das situações à tese titular - o que aprisiona um pouco as interpretações espectatoriais -, mas por se tratar de uma percepção mui pessoal (à la Petra Costa, às vezes), retroalimentada obsessivamente ao longo de anos, não tem como não aplaudir o excelente trabalho de pesquisa, de montagem e de estímulo à conscientização política. Ótimo que este filme surja no mesmo ano em que a extrema-direita tenta mais um golpe eleitoral, servindo-se de estratégias semelhantes às descritas na obra. Mui oportuno, também, que o janonismo seja a versão especular do modo como o bolsonarismo utiliza as redes sociais, o que precisamos nos atentar, em termos de necessidade procedimental, para além de sua efetividade. E se o problema maior estiver no palco em que jogamos/atuamos, em vez das armas que utilizamos? Tudo isso surge como proposta interrogativa, num filme assaz tergiversador, inteligente, corajoso e necessário. O grande terror nacional do ano, como alguém comentou por aí: sufoquei diversas vezes enquanto o via. Chega a doer. Mas é algo intencional, convertido em proposta de reflexão. Aplausos para o Miguel, que ele merece, de verdade! (WPC>)