Na Hungria, a diretora de uma casa de férias presta atenção nas dificuldades de um jovem casal. Através de seus problemas, ela descobre carências no seu próprio casamento e o egoísmo do marido.
Mais um filme sutil e inteligente desta ótima cineasta húngara, a quem estou maratonando por convite de um cineclube: se, em sentido imediato, este filme não pareceu-me tão fascinante quanto outros da realizadora, nas entrelinhas, há tanto a ser averiguado, sentido, vivido, debatido... A partir da avaliação de um encontro entre mulheres de gerações distintas, uma averiguação potente sobre os males da burocratização da vida cotidiana, por derivação institucional, nas trajetórias daquelas pessoas. Surpreendeu-me que, a despeito da conformação inegavelmente feminista do roteiro, trata-se da produção quiçá mais "masculina" da Márta, no sentido de que, mesmo sendo um alcóolatra violento, o marido de uma das personagens revela-se extremamente sensato e impulsiona outra personagem a descobrir o próprio tesão. A seqüência que mostra o tratamento clínico ao qual este homem se submete é pesadíssima, algo entre o que acontece em LARANJA MECÂNICA e nos palcos da Igreja Universal. O desfecho em aberto, com aquele grito infantil, é sobremaneira pungente. Quanto mais eu penso no filme, mais percebo o quão relevante ele é. Mais que autoral, temos uma diretora política, orgânica, humanista. Na revisão, este filme tende a crescer, certeza! (WPC>)
Mais um filme sutil e inteligente desta ótima cineasta húngara, a quem estou maratonando por convite de um cineclube: se, em sentido imediato, este filme não pareceu-me tão fascinante quanto outros da realizadora, nas entrelinhas, há tanto a ser averiguado, sentido, vivido, debatido... A partir da avaliação de um encontro entre mulheres de gerações distintas, uma averiguação potente sobre os males da burocratização da vida cotidiana, por derivação institucional, nas trajetórias daquelas pessoas. Surpreendeu-me que, a despeito da conformação inegavelmente feminista do roteiro, trata-se da produção quiçá mais "masculina" da Márta, no sentido de que, mesmo sendo um alcóolatra violento, o marido de uma das personagens revela-se extremamente sensato e impulsiona outra personagem a descobrir o próprio tesão. A seqüência que mostra o tratamento clínico ao qual este homem se submete é pesadíssima, algo entre o que acontece em LARANJA MECÂNICA e nos palcos da Igreja Universal. O desfecho em aberto, com aquele grito infantil, é sobremaneira pungente. Quanto mais eu penso no filme, mais percebo o quão relevante ele é. Mais que autoral, temos uma diretora política, orgânica, humanista. Na revisão, este filme tende a crescer, certeza! (WPC>)