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Data de lançamento
3 Ago. 1979Duração
Numa noite de Réveillon, diferentes jovens estão num lugar diferente. Milneré um corredor, Toad luta no Vietnã, Debbie é uma hippie em San Francisco, e o casamento de Steve e Laurie está em crise. O sonho dourado dos anos 60 estaria se acabando?
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não gostei tanto desse!
Sim eu chorei com o final
Continuação de “Loucuras de Verão” de 1973, de George Lucas, “E a Festa Acabou” é uma sequência que ganha um pouco de fôlego ao conter uma leve camada política em seu discurso. Retomando a história daquele grupo de amigos que, no filme original, encontravam-se recém-formados e com o futuro repleto de possibilidades diante deles, “E a Festa Acabou” serve quase como uma puxada de tapete ao retratar a guerra do Vietnã, o surgimento da filosofia hippie e a total derrocada do ‘american dream’. E se não é tão interessante quanto o primeiro filme, isto se deve a algumas irregularidades apresentadas no decorrer da projeção que a tornam um pouquinho inconstante.
Adotando uma estrutura narrativa diferente da do anterior ao alternar entre quatro linhas de tempo distintas, o filme nos retorna ao personagem John (Paul Le Mat), que, enfim, alcançou o seu sonho de ser um piloto de corrida e que, agora, se vê às voltas para tentar se relacionar com uma aluna de intercâmbio que não sabe patavinas de inglês. Por sua vez, Teddy (Charles Martin Smith), se alistou na Guerra do Vietnã motivado por inspirações patrióticas, mas lá percebe o quão estúpido é morrer por uma bandeira que não dá a mínima para seus cidadãos. A jovem Debbie (Candy Clark) se tornou uma hippie e tenta ajudar o namorado a entrar para uma banda de rock, enquanto que Steve (Ron Howard) e Laurie (Cindy Williams) estão com seu casamento em crise, e acabam se envolvendo sem querer em um confronto com a polícia por causa de um protesto contra a guerra.
“E a Festa Acabou” é um filme que se sai muito feliz na forma como pega aquele otimismo repleto de promessas não ditas do primeiro filme, e o transforma em um amargo tom de deboche e frustração pela forma com que a política norte-americana acabou esmagando as esperanças daquela geração, principalmente no que cabe ao personagem Teddy. Protagonista da trama mais trágica do filme, é triste ver a animação sincera e ingênua – e, de certa forma, até mesmo infantil – do jovem, no início da projeção, e perceber logo depois que ela cedeu lugar a um cinismo frio e sarcástico que beira o desespero suicida. O filme sempre ganha pontos quando se concentra nele, e a opção do diretor Bill Norton de registrar suas cenas em uma razão de aspecto quase documental se mostra bastante acertada.
Aliás, utilizar uma razão de aspecto diferente para cada trama é um recurso que, em termos de direção, funciona muito bem para o filme, ainda que em um ou outro caso soe um pouco gratuito. Sim, as decisões para os personagens Teddy e Debbie funcionam (no caso desta última, o quadro sempre acaba dividido em várias perspectivas distintas, que revela levemente uma intenção psicodélica por parte de Norton), mas as escolhas de telas para John e o casal Steve e Laurie nunca ficam perfeitamente claras. Ademais, se a trama de Teddy é a mais recheada de subtexto e se a crise conjugal de Steve e Laurie nada mais é do que um eco da situação dos Estados Unidos à época, a história envolvendo John é a que soa mais deslocada da proposta do filme – sobrevivendo somente por conta do carisma de seu intérprete – enquanto que o desenvolvimento da história de Debbie decepciona por ser extremamente fraco e tolo, sendo apenas um mero exercício estético.
Sangrando ainda pela grave ausência do personagem vivido por Richard Dreyfuss no original – que, de toda forma, era o centro da projeção – “E a Festa Acabou” resulta na sensação de ser uma continuação incompleta, um mero satélite que orbita o filme anterior, sem jamais conseguir se desvencilhar dele e ganhar sua merecida autonomia. Uma pena, pois, afinal de contas, o filme está longe de ser um fiasco, e merece a conferida, nem que seja pela curiosidade.
O primeiro é muito melhor, mas mesmo assim, essa sequência vale ser conhecida.
Na linha das sequências desnecessárias. Cabe ressaltar que pelo menos é "descolado": usa split screen em algumas cenas (nos momentos de Debbie), janela fechada e fotografia semi documental nas sequências no Vietnã, e uma narrativa fragmentada e não linear (ainda que seja incoerente em relação ao primeiro filme, conforme apontam nos comentários abaixo), além de repetir uma trilha sonora bacana, um verdadeiro passeio musical nas canções que efervesceram nos anos 60 e 70. No entanto, peca por retomar os personagens e repetir um percurso narrativo de uma história que por si só se bastou.