Por recomendação de um grande amigo (Marcelo Ikeda, para os íntimos), resolvi presentear a mim mesmo com esta exibição, como sendo o último filme visto em 2020. E serviu como uma luva: é um filme sobre o desamparo que sentimos nesses tempos hodiernos de extrema gentrificação e desumanização, no qual os borrões nos rostos das pessoas fotografadas pelos satélites do Google Maps servem muito bem enquanto complemento lingüístico. Durante a sessão, inclusive, pensei nos recentes VICTORIA e DOMICÍLIO INCERTO, que também adotam esses estratagema cinematográfico e refletem bastante a partir dele. Quando ouvimos a lista dos filmes exibidos no cinema que funcionou onde agora é um estacionamento, dói. Idem quando ouvimos o depoimento de alguém que morou numa casa antiga, igualmente descaracterizada pelo "progresso" associado ao sobejo de automóveis. Ao término da sessão, quedo paralisado, impressionado, sentido. É um filme que dói. Mas que propõe muito também: enfrenta com galhardia aquilo que em UM LUGAR AO SOL, do Gabriel Mascaro, é desperdiçado na tentativa. Um testamento de uma época, em que meros cinco anos correspondem à superação de uma geração. Desestacionemo-nos: movamo-nos. Eis a proposição política deste curta-metragem intenso. Ótimo, muito obrigado pela recomendação! (WPC>)
Excelente! Com pouco tempo e muitos carros, a mensagem é clara o bastante para nos deixar desesperados (sem nos distanciarmos de nossos deveres): estamos sendo colonizados pelos carros!
Talvez os grandes vilões do século sejam smartphones e carros, nas relações coletivas em todos os níveis.
Por recomendação de um grande amigo (Marcelo Ikeda, para os íntimos), resolvi presentear a mim mesmo com esta exibição, como sendo o último filme visto em 2020. E serviu como uma luva: é um filme sobre o desamparo que sentimos nesses tempos hodiernos de extrema gentrificação e desumanização, no qual os borrões nos rostos das pessoas fotografadas pelos satélites do Google Maps servem muito bem enquanto complemento lingüístico. Durante a sessão, inclusive, pensei nos recentes VICTORIA e DOMICÍLIO INCERTO, que também adotam esses estratagema cinematográfico e refletem bastante a partir dele. Quando ouvimos a lista dos filmes exibidos no cinema que funcionou onde agora é um estacionamento, dói. Idem quando ouvimos o depoimento de alguém que morou numa casa antiga, igualmente descaracterizada pelo "progresso" associado ao sobejo de automóveis. Ao término da sessão, quedo paralisado, impressionado, sentido. É um filme que dói. Mas que propõe muito também: enfrenta com galhardia aquilo que em UM LUGAR AO SOL, do Gabriel Mascaro, é desperdiçado na tentativa. Um testamento de uma época, em que meros cinco anos correspondem à superação de uma geração. Desestacionemo-nos: movamo-nos. Eis a proposição política deste curta-metragem intenso. Ótimo, muito obrigado pela recomendação! (WPC>)
Excelente! Com pouco tempo e muitos carros, a mensagem é clara o bastante para nos deixar desesperados (sem nos distanciarmos de nossos deveres): estamos sendo colonizados pelos carros!
Talvez os grandes vilões do século sejam smartphones e carros, nas relações coletivas em todos os níveis.
Gente alguém sabe onde eu consigo esse curta pra baixar ou assistir on-line? Já pesquisei mas não achei nada :/
diretores: Helena Ungaretti
alexandre wahrhaftig
miguel antunes ramos
Achei genial. Uma baita crítica. E angustiante... É uma realidade triste! E patética.