Compreendo a necessidade de falar de mães solos, ainda mais sendo preta. Compreendo também o tom intimista e naturalista do longa, que dá certa veracidade ao que é posto em tela, com um ar frio mas ao mesmo tempo muito real, a sensação de abandono da jovem, a desesperança, tudo está bem colocado. Mas sinceramente, faltou gás, faltou consistência. Um material que é recheado de cenas letárgicas, e algumas até meio oníricas na tentativa de representar o psicológico daquela mãe, mas acaba sendo enfadonho.
"Earth mama" vai seguindo a protagonista grávida, e ela já tem mais dois filhos, uma mãe solo que divide a casa com umas amigas numa espécie de cortiço (aqui a vizinhança foi pessimamente representada com homens negros estereotipados, na pegada "marginal", que costumam assediar as moradoras).
A relação da moça é totalmente inconsistente, o roteiro também não faz questão de amenizar suas relações. ela também participa de um grupo de apoio, uma espécie de AA para mães, que também se mostra completamente frágil na narrativa. A base de apoio do serviço social, idem.
Assim, a trama vai se aprofundando quando se abre a possibilidade dela fazer uma "adoção aberta", o que pelo menos salva o filme da mediocridade, pois era algo do qual nunca tinha ouvido falar. A adoção aberta é um conceito que se refere a um tipo de adoção em que há algum nível de comunicação e contato entre os pais biológicos, adotivos e, em alguns casos, a criança adotada. Este modelo contrasta com a adoção tradicional, na qual os pais biológicos e adotivos mantêm pouco ou nenhum contato após a finalização do processo de adoção.
As características específicas da adoção aberta podem variar amplamente e são determinadas através de acordos feitos entre os pais biológicos e adotivos, muitas vezes mediados por profissionais de adoção ou agências de adoção. E aí que a trama vai ganhando em densidade, pois de fato deve ser terrível para uma mãe se desprender dos filhos, especialmente quando ela quer tê-los, mas as condições não são favoráveis.
Acontece que ela claramente precisa de ajuda, tem um ar depressivo, tem um subemprego, enfim, às vezes me cansa essa pegada "vitimista", e ainda querendo cuidar de um terceiro filho! Ok, entendo aqui também a questão do abandono parental, a falta de perspectiva que se agrava pelo racismo estrutural, etc. No entanto, o filme foca no sofrimento da menina mesmo, não aprofundando as questões sociais importantes (por exemplo, ela comparecendo numa audiência, como se fosse fruto de uma edição mal desenvolvida, com sua fala sofrida sobre ainda ser mãe dos filhos, e depois corta para suas inúmeras cenas de um close fechado). Esta foi a opção do roteiro: exacerbar o sofrimento daquela jovem, de forma mais masoquista possível.
Um filme que poderia ser muito mais, com um tema relevante, mas que se deixou conduzir pelo caminho mais sensacionalista. Uma pena.
Achei mediano por ser cansativo em alguns aspectos.
Compreendo a necessidade de falar de mães solos, ainda mais sendo preta. Compreendo também o tom intimista e naturalista do longa, que dá certa veracidade ao que é posto em tela, com um ar frio mas ao mesmo tempo muito real, a sensação de abandono da jovem, a desesperança, tudo está bem colocado. Mas sinceramente, faltou gás, faltou consistência. Um material que é recheado de cenas letárgicas, e algumas até meio oníricas na tentativa de representar o psicológico daquela mãe, mas acaba sendo enfadonho.
"Earth mama" vai seguindo a protagonista grávida, e ela já tem mais dois filhos, uma mãe solo que divide a casa com umas amigas numa espécie de cortiço (aqui a vizinhança foi pessimamente representada com homens negros estereotipados, na pegada "marginal", que costumam assediar as moradoras).
A relação da moça é totalmente inconsistente, o roteiro também não faz questão de amenizar suas relações. ela também participa de um grupo de apoio, uma espécie de AA para mães, que também se mostra completamente frágil na narrativa. A base de apoio do serviço social, idem.
Assim, a trama vai se aprofundando quando se abre a possibilidade dela fazer uma "adoção aberta", o que pelo menos salva o filme da mediocridade, pois era algo do qual nunca tinha ouvido falar.
A adoção aberta é um conceito que se refere a um tipo de adoção em que há algum nível de comunicação e contato entre os pais biológicos, adotivos e, em alguns casos, a criança adotada. Este modelo contrasta com a adoção tradicional, na qual os pais biológicos e adotivos mantêm pouco ou nenhum contato após a finalização do processo de adoção.
As características específicas da adoção aberta podem variar amplamente e são determinadas através de acordos feitos entre os pais biológicos e adotivos, muitas vezes mediados por profissionais de adoção ou agências de adoção. E aí que a trama vai ganhando em densidade, pois de fato deve ser terrível para uma mãe se desprender dos filhos, especialmente quando ela quer tê-los, mas as condições não são favoráveis.
Acontece que ela claramente precisa de ajuda, tem um ar depressivo, tem um subemprego, enfim, às vezes me cansa essa pegada "vitimista", e ainda querendo cuidar de um terceiro filho! Ok, entendo aqui também a questão do abandono parental, a falta de perspectiva que se agrava pelo racismo estrutural, etc. No entanto, o filme foca no sofrimento da menina mesmo, não aprofundando as questões sociais importantes (por exemplo, ela comparecendo numa audiência, como se fosse fruto de uma edição mal desenvolvida, com sua fala sofrida sobre ainda ser mãe dos filhos, e depois corta para suas inúmeras cenas de um close fechado). Esta foi a opção do roteiro: exacerbar o sofrimento daquela jovem, de forma mais masoquista possível.
Um filme que poderia ser muito mais, com um tema relevante, mas que se deixou conduzir pelo caminho mais sensacionalista. Uma pena.