Adaptado do romance de Youssef Idriss, o filme lida com o sofrimento dos trabalhadores agrícolas migrantes, cujas vidas são precárias, uma vez que eles são apenas contratados em certas épocas do ano.
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. É o terceiro filme que assisto do diretor e confesso que foi o que menos gostei, acho que há uns problemas narrativos que permeiam toda a película, mas isso não tira o mérito e a força que o filme carrega. Um filme falando dos assuntos que se propõe a falar em meados da década de 60 em um país como o Egito, é para aplaudir de pé. Faten Hamamah está muito bem no papel principal, convence completamente o espectador. De tudo, o que mais gostei, foi a discussão sobre a figura do "imigrante", mostrando que o filme infelizmente ainda é muito atual (e não só nesse aspecto). É interessante a construção de alguns personagens coadjuvantes importantes que vão dando mais força ao filme fazendo nos conectar a eles, no entanto há personagens que aparecem para não agregar em nada.
A cada filme de Barakat, percebo o porquê de o cinema egípcio ser tão aclamado há tempos. Henry Barakat era um diretor a frente do seu tempo. Sempre expunha temas polêmicos que até hoje são tabus, quase sempre mostrando a força feminina. Em El haram (O pecado), não foi diferente, aliás, o filme mais corajoso dele de todos que vi por enquanto.
Aziza, camponesa, esposa e mãe de família dedicada, que ao ver o marido doente e debilitado, passa a sustentar a casa. Ao realizar o desejo do marido de comer uma simples batata, ela é humilhada e estuprada pelo filho do dono das terras. Não basta o trauma, "culpa" e vergonha por tudo o que passou, ela engravida do estuprador. Após tentar abortar e fazer o possível e impossível pra interromper a gravidez, mesmo com o sentimento de estar cometendo um pecado, o destino faz com que Aziza siga adiante, escondendo a gravidez de todos. Então surge a oportunidade de trabalhar numa terra distante como "imigrante", como são chamados os camponeses no local. Lá no campo de trabalho, Aziza continua escondendo a gravidez, mesmo com os sintomas de mal-estar e contrações vindo à tona. Numa noite ela dá à luz sozinha a uma criança, e ao tentar calar os choros do bebê, ela mata-o sem querer sufocado. Após isso, todo o vilarejo busca encontrar a mãe "assassina". "El haram", lembra o que vemos muito em jornais, TV e por aí. Mães desesperadas que levam adiante uma gravidez indesejada. O título é totalmente sugestivo ao pré-julgamento da sociedade que prefere acusar, sem reconhecer a real história, seja em casos de abandono, ou mesmo de aborto. Porém, o filme retrata perfeitamente tal desespero, seguido de uma depressão pós-parto fatal.
Recomendo demais este clássico egípcio, bem difícil de achar por sinal. Não é um filme que mostra apenas a força feminina, mas os nossos erros e julgamentos. Faten Hamama mais uma vez me encanta com sua beleza, doçura e talento.
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. É o terceiro filme que assisto do diretor e confesso que foi o que menos gostei, acho que há uns problemas narrativos que permeiam toda a película, mas isso não tira o mérito e a força que o filme carrega. Um filme falando dos assuntos que se propõe a falar em meados da década de 60 em um país como o Egito, é para aplaudir de pé. Faten Hamamah está muito bem no papel principal, convence completamente o espectador. De tudo, o que mais gostei, foi a discussão sobre a figura do "imigrante", mostrando que o filme infelizmente ainda é muito atual (e não só nesse aspecto). É interessante a construção de alguns personagens coadjuvantes importantes que vão dando mais força ao filme fazendo nos conectar a eles, no entanto há personagens que aparecem para não agregar em nada.
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A cada filme de Barakat, percebo o porquê de o cinema egípcio ser tão aclamado há tempos. Henry Barakat era um diretor a frente do seu tempo. Sempre expunha temas polêmicos que até hoje são tabus, quase sempre mostrando a força feminina. Em El haram (O pecado), não foi diferente, aliás, o filme mais corajoso dele de todos que vi por enquanto.
Aziza, camponesa, esposa e mãe de família dedicada, que ao ver o marido doente e debilitado, passa a sustentar a casa. Ao realizar o desejo do marido de comer uma simples batata, ela é humilhada e estuprada pelo filho do dono das terras. Não basta o trauma, "culpa" e vergonha por tudo o que passou, ela engravida do estuprador. Após tentar abortar e fazer o possível e impossível pra interromper a gravidez, mesmo com o sentimento de estar cometendo um pecado, o destino faz com que Aziza siga adiante, escondendo a gravidez de todos. Então surge a oportunidade de trabalhar numa terra distante como "imigrante", como são chamados os camponeses no local. Lá no campo de trabalho, Aziza continua escondendo a gravidez, mesmo com os sintomas de mal-estar e contrações vindo à tona. Numa noite ela dá à luz sozinha a uma criança, e ao tentar calar os choros do bebê, ela mata-o sem querer sufocado. Após isso, todo o vilarejo busca encontrar a mãe "assassina". "El haram", lembra o que vemos muito em jornais, TV e por aí. Mães desesperadas que levam adiante uma gravidez indesejada. O título é totalmente sugestivo ao pré-julgamento da sociedade que prefere acusar, sem reconhecer a real história, seja em casos de abandono, ou mesmo de aborto. Porém, o filme retrata perfeitamente tal desespero, seguido de uma depressão pós-parto fatal.
Recomendo demais este clássico egípcio, bem difícil de achar por sinal. Não é um filme que mostra apenas a força feminina, mas os nossos erros e julgamentos. Faten Hamama mais uma vez me encanta com sua beleza, doçura e talento.