O filme quis fazer o retrato de Eldridge Cleaver, o “Ministro da Informação“ do “Panteras Negras”, o movimento negro ultra-violento. No momento Cleaver, procurado pela polícia americana, está exilado em Argel. É de lá que ele responde as perguntas do entrevistador do filme. Ele faz questão de esclarecer duas coisas; primeiro o “Panteras Negras” é um movimento social e revolucionário e não um movimento racial. A prova é que os adeptos do “Panteras Negras” muitas vezes fizeram aliança com os brancos, que também desejam derrubar o governo capitalista dos Estados Unidos. O segundo ponto, sobre o qual Cleaver insiste, é que a violência atribuída ao Partido Black Panther (que tem obras de beneficentes) é destinada, entre outras coisas a impedir que o movimento não seja “recuperado” pelo adversário. Este documentário mostra Cleaver participando, na África do Norte, de diversas “cúpulas” negras. Ele declara que a luta contra o capitalismo americano não é limitativa pois, tentando destruir o capitalismo americano, os “Panteras Negras” lutam contra o imperialismo mundial, espinha dorsal dos Estados Unidos.
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É o tipo de filme que funciona até mesmo quando não dá certo... A sisudez militante do entrevistado - que é um personagem real em que antipatia e simpatia discursiva se mesclam de forma muito complicada - que se dispõe a questionar os intentos do diretor William Klein durante quase toda a realização do filme (e vice-versa) é um chamariz reflexivo à parte, sendo o filme interessantíssimo não somente pelo que ele conseguiu ou quis fazer, mas também - e principalmente - por aquilo que ele declara sem o perceber... Aula de (contra-)ideologia! (WPC>)