Em 1958, ano de morte do Papa Pio XII, conhecido como o "Papa do Holocausto" por sua indulgência com o nazismo no massacre contra os judeus, jovens estudantes de um colégio interno católico são humilhados e reprimidos diariamente pelos padres e instrutores do local. Por questionarem-se sobre o verdadeiro papel da religião na sociedade e as atitudes dos padres na instituição, decidem causar uma revolta.
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19.08.2005
Se em I Pugni in Tasca Bellochio destruiu os valores familiares tradicionais, dessa vez o alvo é a religião - ou melhor, os males causados pela mesma. A instituição católica de Nel Nome del Padre parece um manicômio, onde os alunos claramente não estão em suas melhores condições mentais, e os padres, que supostamente deveriam lecionar e guiá-los ao caminho "correto", apenas reforçam e incentivam a loucura, tanto direta quanto indiretamente.
Uma sátira inteligente e transgressora, que retrata os problemas de forma bem clara, da mesma forma que também não se importa em procurar uma solução que não há.
"Toda forma de poder se baseia no medo". Assim como no primeiro longa do diretor (De Punhos Cerrados), temos aqui mais uma crítica inteligente e corrosiva dirigida aos pilares da sociedade burguesa: família e religião. O que mais me chamou a atenção em "Em Nome do Pai", foi a genial constatação feita por Bellocchio, expressa por meio do diálogo final entre o "anárquico" protagonista e seu amigo louco, onde subentende-se que, no mundo contemporâneo, o discurso religioso tenderia a ser substituído pelo discurso científico que, assim como seu antecessor, também se propunha a ser a "verdade absoluta". Triste constatação feita pelo nosso genial diretor...