Documentário sobre o líder russo Mikhail Gorbachev.
As sinceras conversas do prolífico diretor Werner Herzog com o ex-chefe de Estado soviético formam a espinha dorsal deste documentário esclarecedor, co-dirigido por André Singer, sobre um dos políticos mais definidores do século XX.
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Herzog consegue trazer tudo o que há de mais humano em tudo o que se propõe.
"Quem chegar tarde à política será punido pela vida".
Mikhail nasceu no vilarejo de Privolnoe, norte do Cáucaso, em 02 de Março de 1931. Seus pais eram camponeses.
Seu pai, Sergei Andreyevich, era um veterano de guerra altamente condecorado. Sua mãe, Maria Panteevna, era severa e determinada. Foi analfabeta durante a vida toda. Durante a infância de Mikhail, até ir para a escola, ele passou a maior parte do tempo com os avós maternos, que o tratavam com carinho. É difícil imaginar que, de um lugar tão abandonado no meio do nada, tenha nascido um dos maiores estadistas do século XX. Dois tios e uma tia morreram de fome no vilarejo, em 1930. Durante o último ano na escola, ele filiou-se ao Partido Comunista. Seu avô, era um veterano Comunista, seu pai entrou para o Partido durante a guerra. Rapidamente subiu na hierarquia da Jovem Liga Comunista, o Komsomol.Gorbachev, o mais jovem líder eleito da história da União Soviética, recebeu chefes de Estado do mundo todo. Entre eles, George HW Bush, que viraria um dos protagonistas de sua futura vida política. E Margareth Thatcher, que tinha reconhecido muitos anos antes o incrível talento político de Mikhail Gorbachev. Gorbachev queria reformular o Comunismo. Ele propôs, como sabemos, a Perestroika e a Glasnost. Ele realmente acreditava que podia reformar o Comunismo. Sobre a dissolução da URSS: Em vez de dissolver a URSS, nos deveríamos ter dado mais direitos às repúblicas. Eu lamento por isso até hoje. Gorbachev: a Guerra Fria não teria acabado se os dois lados não quisessem. Nós e os Americanos sabíamos, melhor do que ninguém, o que a guerra nuclear significava. A morte da Civilização. Gorbachev: A Guerra Fria não pode ser uma forma de relação internacional.
Quando eu era criança, lembro de um livro chamado "Perestroika" na prateleira de casa. Era bonito, capa estilizada, curiosa. Na adolescência acabei folheando, já ciente do que significava. Lia o livro, que trazia o plano de Gorbachev para "salvar" a União Soviética. Era interessante ler um projeto de algo vencido pelo tempo - ler, no futuro, algo do passado que prometia um outro futuro.
O documentário também traz um sentimento interessante ao trazer uma história contada por quem viveu a História! Gorbachev é um personagem importante do século XX, que terá seu nome referenciado pelos livros. Por isso, é curioso ver personagens vivos falando de um tempo morto, mas que impactou diversas gerações.
Herzog é um gênio. Esse cara consegue extrair qualquer coisa de qualquer pessoa da maneira mais incrível possível.
Eu não curto muito a história da URSS, mas Gorbachev era diferente, fora da curva, tão fora da curva que era social democrata no meio de tanto maluco nacionalista. Sem dúvida alguma foi o pilar principal por influenciar e destruir parte do totalitarismo em várias partes da Europa.