Na periferia de São Paulo, Anderson, de 17 anos, furta uma moto. Ele quer se tornar um homem dando um basta em anos de exclusão e rejeição, mas baterá de frente com o que nunca foi ensinado a lidar: seus sentimentos.
Tal qual um Balzac negro e paulistano, o diretor Fábio Rodrigo costura estórias dramáticas e fortes sobre abandono parental e as tentativas eventuais de repará-lo: em cada um de seus curtas-metragens, conhecemos um filho carente de afeto, mas disposto a doar para quem estar ao redor aquilo que não recebeu (ou que obteve através de outros componentes familiares ou vicinais). Aqui, lidamos com um rapaz enrijecido pelos (des)encontros do cotidiano, que receberá a oportunidade de reconciliar-se (ou não) com o seu passado. E, por conta disso, identifiquei-me plenamente, no sentido de que, por não saber sequer o nome de meu progenitor, imaginei se, caso eu o encontre/conheça algum dia, reagiria da mesma forma: o trabalho cênico é impressionante, os atores são conduzidos de maneira inteligente e a cena final é belíssima. A curta duração, paradoxalmente, impediu uma maior entrega espectatorial, no sentido de que desejamos saber mais sobre aqueles personagens ou, quem sabe, encontrar outros protagonistas de filmes anteriores na redondeza, visto que, conforme dito, anteriormente, o cineasta tece uma cadeia peculiar de relações entre os habitantes periféricos. Senti-me bastante amparado pelo filme: o elenco está ótimo e aquilo que não é dito ou pronunciado permanece gritando em nossas mentes e corações após a sessão. Faço questão de acompanhar de perto a carreira e as obras vindouras deste realizador tão apaixonado pelo que narra: o título assertivo e emocionante desta obra é um primor à parte! (WPC>)
até fazendo alguém bravo o mineiro consegue ser fofo
Tal qual um Balzac negro e paulistano, o diretor Fábio Rodrigo costura estórias dramáticas e fortes sobre abandono parental e as tentativas eventuais de repará-lo: em cada um de seus curtas-metragens, conhecemos um filho carente de afeto, mas disposto a doar para quem estar ao redor aquilo que não recebeu (ou que obteve através de outros componentes familiares ou vicinais). Aqui, lidamos com um rapaz enrijecido pelos (des)encontros do cotidiano, que receberá a oportunidade de reconciliar-se (ou não) com o seu passado. E, por conta disso, identifiquei-me plenamente, no sentido de que, por não saber sequer o nome de meu progenitor, imaginei se, caso eu o encontre/conheça algum dia, reagiria da mesma forma: o trabalho cênico é impressionante, os atores são conduzidos de maneira inteligente e a cena final é belíssima. A curta duração, paradoxalmente, impediu uma maior entrega espectatorial, no sentido de que desejamos saber mais sobre aqueles personagens ou, quem sabe, encontrar outros protagonistas de filmes anteriores na redondeza, visto que, conforme dito, anteriormente, o cineasta tece uma cadeia peculiar de relações entre os habitantes periféricos. Senti-me bastante amparado pelo filme: o elenco está ótimo e aquilo que não é dito ou pronunciado permanece gritando em nossas mentes e corações após a sessão. Faço questão de acompanhar de perto a carreira e as obras vindouras deste realizador tão apaixonado pelo que narra: o título assertivo e emocionante desta obra é um primor à parte! (WPC>)