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Duração
"Minha própria versão de "Repulsion", de Roman Polanski, mas com um homem no lugar da mulher e a paranóia da classe média brasileira no lugar do sexo... Meu primeiro curta de "ficção", feito em Betacam, alguns anos antes do digital chegar. Influências de Argento e Carpenter são quase um abuso. Charles (Hodges) é o 'one man show'."
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- acredito ser o primeiro filme do kleber e ele já começou mostrando a que veio
- bate uma nostalgia boa ver que é todo filmado em super 8, dá um charme único
- ele próprio assume que é sua versão de repulsa e trabalha muito bem os traumas do cara
- já fiquei em um apartamento mas antigo em olinda e é tal qual esse de recife, grades nas portas e janelas, tu se sentia literalmente enjaulado
C#ralho, eu pensei em muitas coisas pra escrever aqui, mas o impacto desse curta em mim foi tanto que até me desconcertou. O clima é extremamente TENSO, o nome não brinca ao dizer que o personagem está literalmente ENJAULADO, dentro de casa e principalmente dentro da própria mente. A obra vai e volta, brinca com a linha do tempo, brinca com uma trilha sonora absurda de arrepiante e um cenário comum: a violência urbana no Brasil e o consequente medo da classe média brasileira que se enjaula dentro das suas casas. As grades do filme parecem que prendem é você, o espectador.
Dando uma passada pela filmografia do Kleber Mendonça Filho, esse com certeza entra na lista dos ''altamente recomendados como exemplo de cinema de horror nacional''.
Kleber Mendonça Filho trabalha com maestria nesse curta, impactante por mostrar a realidade ficcional que muita gente vive criada pelos excessos da mídia. O medo não gera só paranoia mas gera toda uma indústria, como as barras de ferro, como seguranças, câmeras de vigilância, venda de armas para civis, alarmes de carros, etc. A paranoia se cria não tanto por causa da pessoa, mas pela sociedade no qual vive, onde até mesmo (como acontece com o protagonista) os vizinhos são suspeitos.
O cidadão de classe média está tão alienado na realidade a ele vendida que sequer consegue racionalizar sobre o mundo a sua volta e poder compreender os porquês, daí cria-se toda essa série de teorias da conspiração (e aqui o diretor trouxe uma sacada legal ao colocar o protagonista usando uma camiseta do seriado Arquivo X ), manias de perseguição, de insegurança.
Sem contar que o Kleber trabalha muito a questão da urbanização, no trabalho mais famoso dele - Aquarios - também há o diálogo contra essa urbanização que tudo consome em busca do lucro, assim como fez magistralmente em - Recife Frio -.
Em tempos que vivemos onde a venda de armas é vista como a solução para a violência e a auto-defesa
fica a dica que o representante da classe média bitolada se mata trancafiado com a arma que pensara ser sua defesa.
Antecipa muito do que senti em MÃE!, filme incompreendido do pérfido Darren Aronofsky, que encontra aqui um preâmbulo brasileiro extremamente politizado e denuncista, extravasando um tema recorrente na excelente filmografia do diretor pernambucano: o medo induzido pelas ferramentas midiáticas. A montagem é eficiente e o protagonista é carismático, mas talvez o filme fosse mais efetivo se tivesse dez minutos a menos e se dispensasse a narração 'post-mortem' (apesar de o "tenha medo, claro!" ser genial!). O uso do rap do Faces do Subúrbio no desfecho é magistral. Kleber já sabia o que estava fazendo: talento de diagnosticador urbano nato, pois não rejeita os seus pavores e benefícios de classe! (WPC>)
Do caralho, todo o medo de O Som ao Redor já presente aqui.