Um trabalho de pesquisa riquíssimo e uma narração prenhe de sensibilidade. Como sergipano, emocionei-me ao entrar e contato com registros de uma época que não vivi, mas cujos acontecimentos conheço através dos relatos apaixonados de amigos. A abertura do filme é muito boa, quando a diretora revela o acaso que lhe permitiu desenterrar um valioso tesouro. Há brincadeiras válidas com a montagem, mas, do meio para o final, algumas imagens são excessivamente reiteradas, tornando-se repetitivas, bem como o tempo excessivo concedido a uma apresentação contemporânea de dança, que, nalguns sentidos, compete com o que é trazido à tona em alguns depoimentos, no que tange ao desleixo hodierno do local representado. Os efeitos de envelhecimento imagético nem sempre funcionam (quando aparece alguém manuseando um telefone celular, por exemplo, soou mais que anacrônico, mas esteticamente problemático, sem propósito) e a trilha cancional está muito calcada em projetos similares do Kléber Mendonça Filho, tal como acontece com a divisão capitular. Afora isso, somente elogios à execução, à escolha dos entrevistados, à captação de "fantasmas" afetivos (num complemento descritivo mui acertado da realizadora) e à relevância do que é mostrado e emulado. Para quem não é do Estado e não conhece o CULTART, fica evidente o interesse do média-metragem, no que tange à rememoração bem-vinda, de algo sobremaneira marcante para a cultura sergipana. Por vezes, o filme assume ares de manifesto (quanto à demonstração do estágio atual de desuso do ambiente) e pode ser aproveitado como extensão reivindicativa, a fim de que apresentações semelhantes àquelas mencionadas voltem a ocorrer no local. De minha parte, estou na torcida. Gostei muito! (WPC>)
Um trabalho de pesquisa riquíssimo e uma narração prenhe de sensibilidade. Como sergipano, emocionei-me ao entrar e contato com registros de uma época que não vivi, mas cujos acontecimentos conheço através dos relatos apaixonados de amigos. A abertura do filme é muito boa, quando a diretora revela o acaso que lhe permitiu desenterrar um valioso tesouro. Há brincadeiras válidas com a montagem, mas, do meio para o final, algumas imagens são excessivamente reiteradas, tornando-se repetitivas, bem como o tempo excessivo concedido a uma apresentação contemporânea de dança, que, nalguns sentidos, compete com o que é trazido à tona em alguns depoimentos, no que tange ao desleixo hodierno do local representado. Os efeitos de envelhecimento imagético nem sempre funcionam (quando aparece alguém manuseando um telefone celular, por exemplo, soou mais que anacrônico, mas esteticamente problemático, sem propósito) e a trilha cancional está muito calcada em projetos similares do Kléber Mendonça Filho, tal como acontece com a divisão capitular. Afora isso, somente elogios à execução, à escolha dos entrevistados, à captação de "fantasmas" afetivos (num complemento descritivo mui acertado da realizadora) e à relevância do que é mostrado e emulado. Para quem não é do Estado e não conhece o CULTART, fica evidente o interesse do média-metragem, no que tange à rememoração bem-vinda, de algo sobremaneira marcante para a cultura sergipana. Por vezes, o filme assume ares de manifesto (quanto à demonstração do estágio atual de desuso do ambiente) e pode ser aproveitado como extensão reivindicativa, a fim de que apresentações semelhantes àquelas mencionadas voltem a ocorrer no local. De minha parte, estou na torcida. Gostei muito! (WPC>)