Interessante pelo lado do estudo social em várias camadas. Há o lado do hedonismo, do ego, e há também o fetiche que permeia todos nós. Não exatamente algo sexual, mas aquele interesse no outro que faz com que adoremos redes sociais, por exemplo, para ver a vida alheia. E aqui isso é exacerbado.
Lembrei muito da artista performática Marina Abramovich. As performances dela envolvem exatamente essa provocação de "doar" o próprio corpo para o escrutínio público. E ver como a pessoa, tendo esse poder, lida com isso. Tanto que em uma das mais famosas performances de Marina, um cara chegou a apontar uma arma carregada para ela, jogaram lixo, machucaram-na. É nesse sentido de entrega, de exposição, de provocação real, que o filme peca. Faltou sim mais coragem de mostrar o que de fato aconteceria numa situação dessas.
As pessoas têm o que a Psicologia chama de animalidade, algo animalesco que vive em todos nós, mas que o contrato social, as leis, o pudor, a religião, nos obriga a manter sob controle. Mas e se, durante 40 minutos, você pudesse fazer o que quisesse com o corpo daquele cara, daquela artista, que você acha lindo/linda? Entende o ponto? Por que você acha que a pornografia é uma das maiores indústrias do mundo? Porque ela alimenta o fetiche de ter aquele corpo. Sites como esses de câmeras ao vivo e o famoso OnlyF... são uma representação disso: durante aquele tempo, naquele espaço controlado, você está livre do contrato social e tem aquele corpo só para ti - mesmo que seja apenas através de uma tela
Agora, imagine o corpo durante 40 minutos aí, na tua cama, nesse estado, com a garantia de que tudo é possível e não haveria consequências? Quanto de animalidade escorreria de ti?
Percebe como o filme deixou passar uma grande oportunidade de fazer uma crítica social; de explorar a mente humana em sua animalidade? Sem contar a questão do rosto. Para mim, esse foi o maior pecado.
Sem mostrar o ator, ficamos no imaginário, com aquele personagem podendo ser a representação de nossos próprios fetiches. Sem o rosto, nós, público, estamos inseridos naquele contexto. Quando mostram o Stephen Huszar... Acaba tudo, empobrece o filme, torna questionável. Eu, particularmente, não o acho bonito. Sexy, sim. Bonito não. E isso destruiu minha relação com o filme, pois, no momento em que a premissa é "o homem MAIS BONITO do mundo ', eu imagino pessoas que na minha concepção são bonitas - e não o Stephen Huszar.
Esqueceram que a beleza é uma das coisas mais relativas do mundo, apesar do Instagram dizer o contrário.
"Entropic" não é um filme ruim. Pelo contrário, ele faz refletir, intriga, deixa uma mensagem. Contudo, a covardia de não deixar essa animalidade fluir como seria na vida real (taí Marina Abramovich para provar há décadas) destruiu parte do meu processo de imersão.
Se no final, num rompante de fúria, tesão, animalidade, as pessoas voltassem, invadissem o galpão, e usassem esse corpo, quase que brutalmente, sem regras, a polícia chegando, caos, horror, o amigo também entregue à irracionalidade que supera o amor, seria épico à lá a cena final de "Perfume - A história de um assassino". Do jeito que fizeram, foi poético, mas sem intensidade, sem o tapa na cara
Às vezes, a poesia precisa machucar, tirar pedaço, ferir, canibalizar. Isso é ser humano.
dispensável, poderia ter arrumando um ator bonito de verdade e com um corpo bem esculpido , já que se trata de mostrar uma pessoa que é desejável para muitos que cruzaram o caminho dele , e essas pessoas terão a oportunidade de usar ele por alguns minutos.
24/8/25
me segurou ate o fim, mas é bem louco e egocentrico. Me fez refletir um bastante
Tem algo interessante e intrigante ali, mas não foi por um caminho , que o tornaria um desses filme estranhamente f@daa, mas gostei...
Interessante pelo lado do estudo social em várias camadas. Há o lado do hedonismo, do ego, e há também o fetiche que permeia todos nós. Não exatamente algo sexual, mas aquele interesse no outro que faz com que adoremos redes sociais, por exemplo, para ver a vida alheia. E aqui isso é exacerbado.
Lembrei muito da artista performática Marina Abramovich. As performances dela envolvem exatamente essa provocação de "doar" o próprio corpo para o escrutínio público. E ver como a pessoa, tendo esse poder, lida com isso. Tanto que em uma das mais famosas performances de Marina, um cara chegou a apontar uma arma carregada para ela, jogaram lixo, machucaram-na. É nesse sentido de entrega, de exposição, de provocação real, que o filme peca. Faltou sim mais coragem de mostrar o que de fato aconteceria numa situação dessas.
As pessoas têm o que a Psicologia chama de animalidade, algo animalesco que vive em todos nós, mas que o contrato social, as leis, o pudor, a religião, nos obriga a manter sob controle. Mas e se, durante 40 minutos, você pudesse fazer o que quisesse com o corpo daquele cara, daquela artista, que você acha lindo/linda? Entende o ponto? Por que você acha que a pornografia é uma das maiores indústrias do mundo? Porque ela alimenta o fetiche de ter aquele corpo. Sites como esses de câmeras ao vivo e o famoso OnlyF... são uma representação disso: durante aquele tempo, naquele espaço controlado, você está livre do contrato social e tem aquele corpo só para ti - mesmo que seja apenas através de uma tela
Agora, imagine o corpo durante 40 minutos aí, na tua cama, nesse estado, com a garantia de que tudo é possível e não haveria consequências? Quanto de animalidade escorreria de ti?
Percebe como o filme deixou passar uma grande oportunidade de fazer uma crítica social; de explorar a mente humana em sua animalidade? Sem contar a questão do rosto. Para mim, esse foi o maior pecado.
Sem mostrar o ator, ficamos no imaginário, com aquele personagem podendo ser a representação de nossos próprios fetiches. Sem o rosto, nós, público, estamos inseridos naquele contexto. Quando mostram o Stephen Huszar... Acaba tudo, empobrece o filme, torna questionável. Eu, particularmente, não o acho bonito. Sexy, sim. Bonito não. E isso destruiu minha relação com o filme, pois, no momento em que a premissa é "o homem MAIS BONITO do mundo ', eu imagino pessoas que na minha concepção são bonitas - e não o Stephen Huszar.
Esqueceram que a beleza é uma das coisas mais relativas do mundo, apesar do Instagram dizer o contrário.
"Entropic" não é um filme ruim. Pelo contrário, ele faz refletir, intriga, deixa uma mensagem. Contudo, a covardia de não deixar essa animalidade fluir como seria na vida real (taí Marina Abramovich para provar há décadas) destruiu parte do meu processo de imersão.
Se no final, num rompante de fúria, tesão, animalidade, as pessoas voltassem, invadissem o galpão, e usassem esse corpo, quase que brutalmente, sem regras, a polícia chegando, caos, horror, o amigo também entregue à irracionalidade que supera o amor, seria épico à lá a cena final de "Perfume - A história de um assassino". Do jeito que fizeram, foi poético, mas sem intensidade, sem o tapa na cara
Às vezes, a poesia precisa machucar, tirar pedaço, ferir, canibalizar. Isso é ser humano.
dispensável, poderia ter arrumando um ator bonito de verdade e com um corpo bem esculpido , já que se trata de mostrar uma pessoa que é desejável para muitos que cruzaram o caminho dele , e essas pessoas terão a oportunidade de usar ele por alguns minutos.
mas e chato essa filme