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Documentário conceitual sobre o trivial encontro de um pensador católico e monge trapista com o pai do zen budismo. Propõe uma viagem ao imaginário das sensações. Oriente e Ocidente revelam identidades filosóficas no culto revolucionário do silêncio. A harmonia como paradoxo da utopia; música da luz.
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A montagem é bem ousada, principalmente porque mostra duas figuras misticas religiosas, e ao passo que em certo momento há uma dançarina dançando ao som de cordas, e ela está nua, é sensual, e aí quebra toda aquela sacralidade pressuposta. O feminino entra como um contraponto, e nos faz lembrar que o pecado original segundo as religiões monoteístas proveio da mulher, então, fala-se de fanatismo, mas a própria religião é o cerne dele em certo sentido.
Assim como essa ideia do ecumenismo entre ocidente e oriente é imprudente de se pensar que um dia exista, até porque não faz sentido se apegar com coisas velhas e trazê-las à tona usando uma outra roupagem. Pareceu um tom meio conciliador do diretor querer apontar que no fundo tudo que buscamos é transcendental...e o que ficou fora isso. Não é uma das melhores experiências com um filme dele, ao contrário do que tive com Sangue Corsário.
Na revisão, fiquei ainda mais encantado: um dos melhores filmes do diretor, tamanha a sua relevância não apenas auto-consolativa (uma aula de enfrentamento diuturno do mal-estar capitalista) mas estruturalmente estética, filosófica, admiravelmente sintética em relação ao universo e às obsessões afetivas do diretor - que são místicas, e não fanáticas. Genial em sua leveza, singular em seu caráter confessional (a voz do diretor nuca esteve tão embargada numa leitura), sublime em sua emulação pascaliana. Soberbo! (WPC>)
Tudo que se refere à graça e equilíbrio da vida mundana.
Refinamento não precisa vir embalado em afetação.
Talvez essa seja a lição que Reichenbach nos passou em praticamente todos os seus filmes.
A despeito da eventual precariedade de recursos, ele buscou, ao máximo possível, imprimir suas obsessões particulares e preferências éticas e estéticas em seus filmes.
E em "Equilíbrio e Graça", tudo conspirou para que as melhores características do seu estilo aflorassem ao máximo.
Unir zen-budismo, música erudita e o apreço pela beleza do antílope e do corpo feminino (representado de forma elegantemente voluptuosa pela atriz e bailarina Luciana Brites) não é para qualquer criatura.
OBS: Este curta encontra-se dentre os extras do DVD do longa "Garotas do ABC". Mais um motivo para ir atrás.
O ritmo do filme é tão poliinformativo e perturbador quanto as obras ficcionais do genial diretor, recém-falecido e, desde já, bastante saudoso no panorama audiovisual brasileiro. Vi este curta-metragem faz tempo, num festival, mas lembro que fiquei positivamente impressionado com as inusitadas opções estéticas, reflexivas e informativas do cineasta. Recomendo deveras! (WPC>)