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Os “love motels” no Brasil são um refúgio onde a fantasia se torna realidade. Quando o acompanhante da cineasta falhou em aparecer, ela teve uma nova ideia para um filme. Filmado em colaboração com es própries participantes, o resultado é uma visão caleidoscópica de um mundo paralelo de desejos humanos.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
jamais poderia imaginar que cenas de refeição pós foda me dariam mais fome que qualquer episódio de Masterchef
"Enquanto a gente tá vivo a gente sente desejos. E tem que sentir prazer. "
Eros (Brasil, 2024)
Direção:Rachel Daisy Ellis.
Esse peculiar documentário que acaba de estrear nas telonas vai te levar pra dentro dos motéis brasileiros.
Na verdade vai fazer você olhar pelo buraco da fechadura dos quartos de motéis. Mas você vai olhar com o consentimento das pessoas que estão do lado de dentro.
A diretora Rachel Daisy Ellis um dia marcou um encontro num desses motéis, mas seu acompanhante deu um bolo na cineasta.
Nesse dia ela teve uma nova ideia para um filme.
Filmado em colaboração com os próprios participantes, o resultado é uma visão caleidoscópica de um mundo paralelo de desejos humanos.
Casais, trisais e até mesmo pessoas sozinhas vão revelar o que acontece nesses inúmeros quartos.
Filme genuíno, curioso e muito revelador.
Nos cinemas!!!
O motel como espaço catalisador não só do sexo, mas também de uma intimidade romântica e da solidão. A exploração curiosa desse amor que se apresenta nessa estrutura criada para o sexo é o que sustenta esse documentário de tão diversos personagens (uns bem mais intrigantes do que outros, é verdade).
Crítica completa no canal.
Muito interessante que o filme comece e termine com registros de solidão: no início, a própria diretora, seminua, querendo saber quem geme e conversa nos demais quartos; no desfecho, um artista triste por estar "condenado à masturbação", demarcado por uma incômoda verborragia (com a qual temo ter me identificado). Nunca fui a um motel e, pessoalmente, não tenho lá muita vontade, mas gostei dos argumentos defensivos de alguns dos entrevistados/exibidos, em relação à opção por estes quartos. Não obstante ser um documentário, não fica disfarçado que estamos diante de um esquema artificioso, em que, por saberem que estão sendo filmados (ou melhor, eles próprios se filmam), de modo que alguns depoimentos diretos para a câmera soam excessivamente elaborados (vide o relato militante da travesti enfermeira). Achei o segmento "terapêutico" com a garota de programa um tanto forçado (mas não desinteressante), tanto quanto a opção da montagem por tornar contíguos uma conversa sobre religião no quarto, a aparição de um casal evangélico e um fetiche católico. Gosto da sutileza na abordagem do sexo explícito - ao passo, claro, que amo quando a nudez dos personagens reais é exibida, mediante consentimento - e fiquei apaixonado pelo casal sadomasoquista, sumamente cúmplices, além de ambos muito bonitos. Fantasiei um pouco em meio aos depoimentos (vide a ótima conversa do casal de meia-idade) e temi desembocar na solidão irrevogável do desfecho, confirmada na ótima escolha da canção de Marília Mendonça para os créditos finais. Decepcionou-me um pouco por ser bem menos "espontâneo" do que eu imaginava, mas fascina, chama a atenção, nos seduz... É algo! (WPC>)