Acompanho os múltiplos trabalhos como produtora e curadora dessa realizadora aguerrida faz algum tempo. E, por mais que eu aplauda os seus variegados méritos, algo geralmente interditava, no que tange às minhas expectativas espectatoriais, a imersão cinematográfica de suas obras, com acentuado compartilhamento de vivências íntimas, femininas, maternais... Faltava-me arcabouço, talvez? Senti que precisava revisitar as suas obras, cotejando-as às dificuldades locais de produção. Tive a boa ventura de assistir a este filme numa sessão com debate e, aqui, verifico que ela demonstra uma habilidade singular ao mesclar os seus anseios com os de outras mulheres (abundantes na ficha técnica do filme), oferecendo-nos uma experiência estética e mística de intenso valor - terapêutico, inclusive. Além de ficar fascinando perante a beleza da fotografia, a direção de arte repleta de signos e a expressividade das atrizes, impressionei-me com a extrema competência do desenho de som, que revela-se magistral tanto nos gritos quanto no abafamento subaquático ou nas evocações das ondas do mar que ouvimos dentro de uma concha. O visual do filme é lindo e o seu discurso, em tom de manifesto acolhedor, é magistral: somos convidados a perfazer a jornada de cura e reencontro da protagonista. Infelizmente, sou leigo em relação ao cabedal de referências religiosas que o roteiro traz à tona, o que obriga-me a pesquisar mais, buscar mais e, principalmente, sentir mais. "Sankofa", repetiam e aconselhavam várias depoentes, emocionadas, na platéia. Eis a proposta: aceitemos o convite! (WPC>)
Acompanho os múltiplos trabalhos como produtora e curadora dessa realizadora aguerrida faz algum tempo. E, por mais que eu aplauda os seus variegados méritos, algo geralmente interditava, no que tange às minhas expectativas espectatoriais, a imersão cinematográfica de suas obras, com acentuado compartilhamento de vivências íntimas, femininas, maternais... Faltava-me arcabouço, talvez? Senti que precisava revisitar as suas obras, cotejando-as às dificuldades locais de produção. Tive a boa ventura de assistir a este filme numa sessão com debate e, aqui, verifico que ela demonstra uma habilidade singular ao mesclar os seus anseios com os de outras mulheres (abundantes na ficha técnica do filme), oferecendo-nos uma experiência estética e mística de intenso valor - terapêutico, inclusive. Além de ficar fascinando perante a beleza da fotografia, a direção de arte repleta de signos e a expressividade das atrizes, impressionei-me com a extrema competência do desenho de som, que revela-se magistral tanto nos gritos quanto no abafamento subaquático ou nas evocações das ondas do mar que ouvimos dentro de uma concha. O visual do filme é lindo e o seu discurso, em tom de manifesto acolhedor, é magistral: somos convidados a perfazer a jornada de cura e reencontro da protagonista. Infelizmente, sou leigo em relação ao cabedal de referências religiosas que o roteiro traz à tona, o que obriga-me a pesquisar mais, buscar mais e, principalmente, sentir mais. "Sankofa", repetiam e aconselhavam várias depoentes, emocionadas, na platéia. Eis a proposta: aceitemos o convite! (WPC>)