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Duração
Eram os anos 1990 em Río Tercero, pequena cidade localizada na província argentina de Córdoba. Na casa da família Garayalde, a 900 metros do rio e a 300 de uma fábrica militar, as crianças se divertem com um brinquedo novo: uma câmera de vídeo comprada para guardar los recuerdos. O que não se pode saber, ainda, é que essas memórias familiares acabarão entrelaçadas a um dos episódios mais escabrosos da história recente do país e serão o coração de um filme realizado com a delicada consciência de que as imagens sobrevivem aos corpos.
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A desenvoltura e criatividade da diretora ainda criança com a câmera é fascinante.
De como o Destino dota uma pessoa com talento e percepção dramática, em iguais medidas: a Natalia-personagem é muito simpática e o modo como a sua voz conduz-nos até os acontecimentos trágicos que afetaram a sua vida é mui cativante. Como é freqüente nos filmes argentinos, a vida cotidiana é fortemente atravessada por elementos nacionalmente políticos - e eles reagem: não sabia dessa tragédia ocorrida tão recentemente na Argentina e fiquei impressionado com as nuanças hipócritas da situação envolvendo a Croácia. Carlos Menem era um sacana mesmo, aff! Montagem maravilhosa: desde a infância, Natalia Garayalde realizou uma quase obra-prima. Genial e mui contundente, só não leva a cotação máxima porque as reflexões sobre as doenças que acometem a família modificaram um pouco do ótimo tom da narração (contemporaneamente, a diretora não conseguiu segurar tão bem a barra). Mas é soberbo: propicia-nos socos e carícias em iguais medidas, com predomínio das segundas. Os primeiros não foram culpa da cineasta, mas da negligência governamental, das corrupções militares. Maravilhoso! (WPC>)