Dirigido por
Duração
Um cineasta vai à Espanha para exibir seu novo curta-metragem. Sem nenhum dinheiro para desfrutar dos luxos da cidade, ele vagueia pelas ruas e reflete sobre a sua condição de artista independente, em que tenta sobreviver sem ilusões de um falso glamour.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Assisti ao copião deste curta-metragem várias vezes, antes que me fosse realizado o convite de poder contribuir como "intérprete" da voz do diretor. Como tal, é muito estranha a experiência de imersão, já que reconheço a minha voz, mas tenho ciência de que falo por outro, cujas reflexões e inquietações eu conheço de perto. E acho que este filme, concluído agora, tem tudo a ver com o desamparo institucional que instalou-se de vez sobre o cinema brasileiro. Mas não apenas com isso: é uma metonímia da angústia típica de vários realizadores independentes, no cotejo com as suas necessidades mais elementares. Como ser expressivo quando, às vezes, teme-se até ficar sem comer? Acho a montagem do filme muito bonita, amo como Fábio Rogério costura imagens e sons sem que os mesmos obedeçam às soluções fáceis da invisibilidade justaposta: o diretor quer que pensemos, que completemos as lacunas, que atrevamo-nos a dançar, como ele faz ao final, de maneira audaciosa e até mesmo sensual. Gosto muito do que sinto (re)vendo este filme, definitivamente vivo, finalmente lançado. O cinema brasileiro de bordas resiste! (WPC>)