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Data de lançamento
12 Ago. 2010Duração
A noiva de um agente secreto é morta por um serial killer. Cego pela fúria, ele começa a investigar os possíveis suspeitos do crime, até finalmente identificar o culpado. Mas, ao invés de matá-lo, resolve pôr em prática uma terrível e lenta vingança.
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Quem é capaz de utilizar a vingança como prato principal melhor do que o cinema coreano? Indo muito além de um filme vigilante qualquer, “Eu Vi o Diabo” (2010) até bebe da fonte do (controverso) estilo “rape and revenge”, mas sai da superfície ao contaminar todo mundo com esse organismo capaz de distorcer a ideia de justiça das vítimas, dos algozes e até a minha.
Se em outros clássicos a tal vingança assume uma forma mais labiríntica, servindo apenas como resolução da desgraça, em “I Saw the Devil” tudo é muito mais perverso e dilacerante, tanto no contexto físico quanto no psicológico. Vale uma menção honrosa à trilha sonora excelente que ajusta a atmosfera em tela aos nossos batimentos cardíacos, do primeiro ao último minuto.
O filme parece querer nos convencer gradualmente de que nem tudo acontece por uma razão, ainda que alguns envolvidos relutem contra essa ideia pessimista. Às vezes, os mais execráveis atos de violência são apenas atos banais de violência. Isso e nada mais. Mesmo revestidos de uma crueldade com cara e chifre de diabo, eles não têm rima, nem razão. Não dizem nem que sim, nem que não.
A morte para aqueles que cruzam o caminho do serial killer Kyung-Chul parece refletir a promessa precipitada do agente Soo-hyun, que acaba por vender a sua alma ao diabo ao prometer vingança pela esposa brutalmente assassinada, assumindo inúmeras das características que jurou combater e desprezar. É aquela velha história de que “o maior mal do mundo é se tornar aquilo que se odeia”.
E se antes de embarcar em uma vingança é preciso cavar duas covas, foi graças ao trabalho espetacular do ator Min-sik Choi, eternizado em “Oldboy” (2003) e, talvez, ainda mais espetacular por aqui, que a sucessão de tragédias se tornou uma certeza constante. Sua interpretação de um assassino estuprador e psicótico é abominavelmente impecável. Suas expressões faciais comunicam perfeitamente a ideia de que a morte é a única razão para a vida de seu personagem.
Ainda que eu tenha ficado revoltado com a inércia do agente justiceiro mais lerdo e inconsequente da história, a atmosfera de jogo de xadrez com o inimigo bateu muito bem com o meu gosto. Afinal, quando se olha muito tempo para dentro do abismo, o abismo vai acabar olhando para dentro de você,
ainda que os esquisitões do táxi, a enfermeira, o farmacêutico e a família do psicopata, que nada tinham a ver com a história, tenham precisado pagar o preço do Tom & Jerry.
Sem entidades sobrenaturais, vilões mascarados, monstros ou aberrações da natureza, o diretor Kim Jee-woon sequer precisou se utilizar de imagens com chifres, cascos fendidos e carneiros obscuros para representar perfeitamente a ideia do pior mal que possa nos habitar.
Não existe diabo que bata de frente com o homem.
Via @caioeshenriques on #Letterboxd
https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/i-saw-the-devil/
Um filme poderoso, que analisa friamente os prós e contras da vingança. Os protagonistas são parecidos mesmo em suas diferenças, e carregam o fardo da vingança às últimas consequências.
Filmes em que os conflitos são causados por um personagem estúpido insistindo num mesmo erro estúpido me irritam profundamente
É um filmaço no quesito "vingança", sendo abordada de um jeito totalmente inédito, mas peca em detalhes que poderia ter concenso, ex.: na cena que
o agente bate tanto na coluna do assassino que nunca na vida ele voltaria a andar.
Triste… é apenas triste. Um objetivo inalcaçável. Um rastro de sofrimento. Uma transformação degradante. Uma falta de consideração com as vítimas das consequências dos próprios atos. Uma dor em busca de uma resolução egoísta que nunca se concretizará. Tão triste.