Caio
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Últimas opiniões enviadas

Caio
1 dia atrás

Quase uma hora e meia de muito mal-estar e estômago revirado.

Ainda que o desprezo economize bastante do nosso tempo perdido com o ódio, não há como se munir de outro sentimento que não esse: ódio. Com doses cavalares de repulsa do início ao fim do documentário.

Mais estarrecedor é realizar que metade do país ainda seja capaz de abonar as alucinações de uma família que literalmente abandonou, ridicularizou, ludibriou e deixou sufocar centenas de milhares de pessoas, no momento em que mais ficaram perdidas.

E subestimando o meu próprio masoquismo, fui checar as estatísticas do primeiro turno dessas eleições 2026 em Manaus, epicentro da dor: Flavio Bolsonaro teve 641.864 votos (54,28%) contra 439.027 votos (37,13%) do Lula. No estado do Amazonas inteiro a diferença foi de pouco mais de setenta mil votos.

Que tipo de lavagem cerebral é capaz de justificar o voto de uma população que perdeu pai, mãe, avô, filho, amigo ou vizinho, no herdeiro do crápula que escondeu a possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, ignorou a demanda diária de insumos e permitiu que centenas de pacientes morressem asfixiados nos leitos por falta de oxigênio?

O pior de tudo é ouvir da representante legal dos profissionais de saúde que uma das coisas que ela mais ouviu dos responsáveis pela prescrição curandeira do “kit-covid” foi que “óbito também é alta” e não ficar nem um pouco surpreso com isso. O Véio da Havan matou a própria mãe, mas não foi capaz de recuar no discurso. Como competir com essa gente?

Desde bem antes da CPI do Covid, já havia ficado muito claro que a imunidade coletiva havia sido instrumentalizada politicamente como uma estratégia de enfrentamento baseada no contágio natural, promovida por um governo negacionista, corrupto e perverso em todas as suas instâncias.

Como o próprio desfecho de Dandara Ferreira ecoa, nenhuma condenação, nenhuma prisão e nenhum pedido de desculpas, já deveria ser suficiente para que jamais esquecêssemos do terror que passamos, mas ainda ganhamos de presente uma tentativa de golpe de estado.

Faltou mais o que?

Via @caioeshenriques on #Letterboxd

https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/anatomy-of-chaos/

Caio
2 semanas atrás

O tesão daquela rapaziada dos anos noventa realmente devia ser muito acima da média.

A cada check nesses trash movies ótimos para distraírem a minha cabeça, parece importar menos o quão creepy o canastrão da vez seja, já que a direção sempre vai dar um jeito de fazer com que a Sharon Stone deixe escapar um sorriso de canto de boca e se encante com alguma bizarrice completa antes de ficar pelada na cena seguinte.

Vale tudo pra encaixar o ~erótico~ no ~thriller~ rs.

“Invasão de Privacidade”, que nasceu quase junto comigo no início de 93, é um desses exemplos de roteiros intancáveis que te obrigam a suspender a própria descrença em troca de um pessoal bonito transando e uma historinha mequetrefe que vai piorando a cada ato.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

O desfecho é tão horrível que eu gargalhei.

E é justamente isso o que me pegou. Ao contrário de muita coisa colocada como suprassumo por aí, “Sliver” é escancaradamente bobo. Ele não se leva a sério. É missão quase impossível não se tornar cúmplice da patacoada toda depois que você percebe que o roteiro finge vender um mistério só pra envernizar o tempo de tela com o softcore dos anos 90.

Tentando fazer o exercício de voltar a mais de trinta e três anos, ainda vale ressaltar que a perspectiva tecnológica adotada pra brincar com a estrutura de tensão no filme, não é ruim. Me peguei fazendo algumas reflexões sobre vigilância constante entre uma bunda e outra.

E nada mais “Supercine” do que ficar 1h45 esperando o amarrar de um suspense banhado em erotismo, voyeurismo e excentrismo, e acabar tomando uma volta da televisão às duas da manhã.

Certeza que o magnata John de Mol amou assistir a essa groselha antes de criar o formato do nosso querido Big Brother.

Via @caioeshenriques on #Letterboxd

https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/sliver/

Caio
½
3 semanas atrás

Quem é capaz de utilizar a vingança como prato principal melhor do que o cinema coreano? Indo muito além de um filme vigilante qualquer, “Eu Vi o Diabo” (2010) até bebe da fonte do (controverso) estilo “rape and revenge”, mas sai da superfície ao contaminar todo mundo com esse organismo capaz de distorcer a ideia de justiça das vítimas, dos algozes e até a minha.

Se em outros clássicos a tal vingança assume uma forma mais labiríntica, servindo apenas como resolução da desgraça, em “I Saw the Devil” tudo é muito mais perverso e dilacerante, tanto no contexto físico quanto no psicológico. Vale uma menção honrosa à trilha sonora excelente que ajusta a atmosfera em tela aos nossos batimentos cardíacos, do primeiro ao último minuto.

O filme parece querer nos convencer gradualmente de que nem tudo acontece por uma razão, ainda que alguns envolvidos relutem contra essa ideia pessimista. Às vezes, os mais execráveis atos de violência são apenas atos banais de violência. Isso e nada mais. Mesmo revestidos de uma crueldade com cara e chifre de diabo, eles não têm rima, nem razão. Não dizem nem que sim, nem que não.

A morte para aqueles que cruzam o caminho do serial killer Kyung-Chul parece refletir a promessa precipitada do agente Soo-hyun, que acaba por vender a sua alma ao diabo ao prometer vingança pela esposa brutalmente assassinada, assumindo inúmeras das características que jurou combater e desprezar. É aquela velha história de que “o maior mal do mundo é se tornar aquilo que se odeia”.

E se antes de embarcar em uma vingança é preciso cavar duas covas, foi graças ao trabalho espetacular do ator Min-sik Choi, eternizado em “Oldboy” (2003) e, talvez, ainda mais espetacular por aqui, que a sucessão de tragédias se tornou uma certeza constante. Sua interpretação de um assassino estuprador e psicótico é abominavelmente impecável. Suas expressões faciais comunicam perfeitamente a ideia de que a morte é a única razão para a vida de seu personagem.

Ainda que eu tenha ficado revoltado com a inércia do agente justiceiro mais lerdo e inconsequente da história, a atmosfera de jogo de xadrez com o inimigo bateu muito bem com o meu gosto. Afinal, quando se olha muito tempo para dentro do abismo, o abismo vai acabar olhando para dentro de você,

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

ainda que os esquisitões do táxi, a enfermeira, o farmacêutico e a família do psicopata, que nada tinham a ver com a história, tenham precisado pagar o preço do Tom & Jerry.

Sem entidades sobrenaturais, vilões mascarados, monstros ou aberrações da natureza, o diretor Kim Jee-woon sequer precisou se utilizar de imagens com chifres, cascos fendidos e carneiros obscuros para representar perfeitamente a ideia do pior mal que possa nos habitar.

Não existe diabo que bata de frente com o homem.

Via @caioeshenriques on #Letterboxd

https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/i-saw-the-devil/

  • Filmow 1 mês atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow