Caio
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Estes são os meus filmes e séries favoritos

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Dogville

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Dogville (Dogville) 2,0K

Dogville

  • Caio
    6 meses atrás

    É possível que o maior charme do “Cinema do Desconforto” resida no grau de inesquecibilidade de algumas obras, muitas vezes capazes de alcançar a tal “experiência visceral” por meio da suspensão de convenções morais e da exploração das crueldades mais intrínsecas ao ser humano.

    Lars von Trier, Gaspar Noé, Cronenberg e Haneke, por exemplo, costumam provocar essas reações ao se utilizarem de diferentes técnicas e narrativas que desafiam o espectador a lidar com as piores perturbações propostas em tela, prendendo-nos a uma teia de náuseas e incredulidade.

    O que, para uns, soa como mau gosto ou sadismo recreativo descartável, para outros alimenta justamente aquele sentimento de “eu nunca mais vou esquecer essa porra desse filme”, o que me leva a crer que a proposta da direção foi mais do que acertada.

    Em Dogville (2003), por exemplo, um filme que está longe de ser dos mais pesados dentro desse estilo inquietante, a maneira com que o dinamarquês problemático consegue transformar aquela vila muito engraçada, que não tinha teto nem nada, em um instrumento poderoso para escancarar nossas hipocrisias, imoralidades e desprezibilidades, é, de fato, inesquecível.

    Não me lembro de ter visto nada capaz de dosar tanto desconforto e fascínio, por quase três horas, de maneira tão sublime, ainda mais ao se utilizar de um negacionismo cenográfico que desmonta o nosso ideal de comunidade e obriga o espectador a aguçar a própria criatividade na busca por empatia e reflexões éticas.

    Se, por alguns minutos, aquele contexto capenga pode soar esquisito e até certo ponto insuficiente, conforme a progressão dos nove capítulos vai nos revestindo com a podridão abissal do ser humano, só nos resta imergir na proposta e lidar com os diferentes ecos que o filme deixa reverberando (por dias) dentro da nossa cabeça.

    Não haveria maneira melhor de alcançar esse objetivo que não fosse lambuzando o texto em alegorias óbvias (mas nem um pouco gratuitas) sobre redenção e castigo, escancarando a hipocrisia de uma moral cristã que parece montada para justificar as piores violências ao invés de contê-las.

    Se a protagonista Grace (Nicole Kidman) emerge na trama munida de uma graça divina, quase como uma Jesus Cristo pós-moderna, capaz de perdoar e se manter em esperança indiscriminada, a vida em comunidade só revela o quanto essa compaixão pode ser corrompida.

    Se Lars von Trier buscou colocar uma lente de aumento sobre a sociedade americana por meio do véu da parábola religiosa, o revestimento político da sua crítica acabou por ecoar de maneira ainda mais latente ao escancarar um contraponto no personagem sereno de Tom (Paul Bettany), que se enxerga justo enquanto explora, subjuga e se compadece apenas quando já não há nada a perder.

    É como se o filme questionasse, do início ao fim, se você é capaz de manter a empatia mesmo que ela deixe de ser confortável. Você é?

    Um dos filmes mais fodas que eu vi na minha vida.

    Via @caioeshenriques on #Letterboxd

    https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/dogville/

  • A Hora do Mal (Weapons) 1,0K

    A Hora do Mal

  • Caio
    6 meses atrás

    Já não me recordo de qual foi a última vez em que parei para assistir a um trailer de maneira não forçada e esse exercício de abandono é fundamental para que a essência narrativa de algumas obras não seja transviada antes mesmo de sentar para assistir ao filme, afinal, as dezenas e mais dezenas de páginas e perfis de cinema que eu acompanho, já fazem o papel de vender lançamentos com o slogan apelativo que mais convier no momento.

    No gênero do terror, por exemplo, de três em três meses somos contaminados com o vírus do “filme mais assustador do ano” e o que deveria alimentar o interesse em assistir a uma nova obra que seja capaz de despertar diferentes sensações de desconforto, explorando variadas reações emocionais através de seus elementos característicos, acaba por plantar a sementinha da decepção iminente.

    Com Weapons (2025), para mim, não foi muito diferente...

    Se, por um lado, as inúmeras alegorias sobre bullying, ciclo do abuso, massacre escolar, estigmatização dos professores e normalização da violência servem como importantes combustíveis para a inflamação do mistério, eu entendo que o roteiro não se preocupou em conectar a maioria dos pontos, nos fazendo racionalizar demais em momentos inoportunos, o que é péssimo dentro de uma experiência que deveria estar envolta de medo, angústia e curiosidade.

    Vejam só, eu não estou dizendo que filme de terror precisa mastigar tudo pro espectador (muito pelo contrário) e detesto aquela receitinha de sempre que coloca tudo na conta de uma seita oculta/vilão macabro no final e acaba com a nossa sensação de "medo do medo".

    Acontece que o novo longa do diretor Zach Cregger, cuja premissa parece bastante interessante e é bem estruturada dentro da estilística narrativa dividida em capítulos guiados pelos principais personagens (todos muito bem interpretados, diga-se de passagem), a todo momento fez com que eu me pegasse pensando:

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    - É sério que nenhuma câmera de segurança flagrou as DEZESSETE crianças entrando numa casa central do bairro?

    - Não tem um filho da puta pra achar esquisito o sumiço dos pais responsáveis pela única criança até então sobrevivente naquela sala de aula?

    - Por que diabos a polícia não revistou casa por casa procurando por algum indício nos famosos porões americanos?

    - Com quase duas dezenas de crianças desaparecidas e uma vivendo a sua rotina normal, não houve o interesse de um veículo de mídia para angariar maiores informações sobre aquela família?

    - Uma casa toda envelopada de jornal não chamou a atenção de ninguém da vizinhança?

    - É normal que a única criança sobrevivente passe a ir e voltar caminhando sozinha da escola, depois de sumiços chocantes e inexplicáveis, sem causar estranhamento ao moradores do bairro?

    Enfim, né...

    Foi por essas e outras que a atmosfera de tensão acabou indo pro beleléu na minha experiência, de modo que já me parecia claro um desfecho clássico depois de tantas pontas soltas em meio as tais alegorias que pareciam um prato cheio para o uso do sobrenatural e da exploração do medo psicológico. Só pareciam.

    Acabou que eu, um mero inocente aguardando por uma grande reviravolta que justificasse a transformação daquelas crianças num protótipo de Naruto (a corridinha é igual, rs) no início daquela fatídica madrugada, fui agraciado com a prima do Longlegs fazendo mandinga e controlando a saciação do capeta sem maiores aprofundamentos, tal como em tantos e tantos outros filminhos do gênero.

    No mais, achei as cenas de gore bem feitinhas, não caí em quase nenhum sustinho, fiquei mais brochado com as pontas soltas do que angustiado com os mistérios, ri horrores com a vingança dos amigos do Dennis o Pimentinha e não assisti a absolutamente nada de inovador em mais um medianíssimo “filme de terror mais assustador do ano”.

    A bruxonilda Gladys tinha muito mais potencial.

    Via @caioeshenriques on #Letterboxd

    https://letterboxd.com/caioeshenriques/film/weapons-2025/

  • Adolescência (Adolescence) 611

    Adolescência

  • Caio
    1 ano atrás

    Se uma vez Renato Russo afirmou ter feito questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira, “Adolescence” (2025) não precisou fazer esforço algum para inclinar o espectador a um processo muito perspicaz de negação da realidade, como se, por algum motivo implícito, nossos olhos estivessem trapaceando, afinal, tem muita coisa nessa vida que a gente simplesmente não quer acreditar.

    A maneira com que a minissérie tinge esse pressuposto, instaurando um nó na nossa garganta e imprimindo a atmosfera de tensão sem que uma mísera pista falsa ou reviravolta trapaceira seja colocada em tela, é imprescindível ao resultado excelente ao término dos 230 minutos.

    Somado a isso, o bom e velho “plano sequência”, tantas vezes utilizado como firula ou mero apego a estética, tem papel fundamental na narrativa, nos obrigando a encarrar diferentes tipo de clausura, seja na delegacia, na escola, no reformatório ou mesmo no cotidiano devastado de uma família destroçada por uma tragédia, sem que possamos nos dar ao luxo de nos distrair. É como se a câmera urgisse num apelo a claustrofobia causada pela dor de cada consequência.

    Se desde a primeira cena o garoto “Jamie Miller” é apresentado como principal suspeito e nos recusamos a aceitar esta premissa, muito disso se deve ao trabalho espetacular de Owen Cooper que, de acordo com o que encontrei, fez a sua estreia como ator dando vida a esse personagem. Em cada um dos quatro episódios, o prodígio entrega, através de Miller, diferentes nuances de uma personalidade complexa, exercendo múltiplas ferramentas de manipulação, sem que caiamos no caricato ou desistamos de tentar destrinchar aquele psicopatinha. Muito pelo contrário... Kevin (Precisamos Falar Sobre Kevin – 2011) bateria palmas de pé.

    Ao invés de entregar um “true-crime” enlatado convencional, “Adolescence” (2025) se mostra totalmente desinteressada em transmitir saciedade com relação aos desfechos processuais do caso. Em mais um tremendo acerto, a câmera se concentra em passear pelos meandros reais de um crime bárbaro, aproveitando os contextos de escola, família e psicologia para pincelar questões ainda mais relevantes dentro do nosso contexto atual de overdose de dopamina.

    Também me chamou a atenção a maneira sutil com que cada personagem exercita os seus defeitos, quase sempre influenciados por uma referência masculina “pior”. É o pai que apanhava, mas não espanca (e também não se expressa). É o filho que assassina, mas não estupra (como se fosse uma nobre qualidade). É o sujeito que se compadece com o assassino e oferece ajuda (como se tudo não passasse de um reality show). É a criançada que ri da colega esfaqueada e se usa disso para fazer bullying (como se a crueldade do ato já não pudesse chocar).

    Enfim, os olhares tortos, o carro pichado, a histeria coletiva, as tentativas empacadas de “seguir adiante”, os olhos quase sempre afogados em lágrimas presas, a busca por motivos, a busca por respostas, a culpa, a mentira, a negação, tudo é passado sem nenhum tipo de conveniência. Somos arremessados em um buraco desde a primeira cena e é assim que teremos que lidar até o final, reféns do impacto emocional de cada escolha podre. E o buraco parece ser mais do que profundo: geracional.

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