Matsumoto continua sua análise da percepção sensorial, voltando-se desta vez para a nossa capacidade de abstração e construção de símbolos. O nome do objeto representa a essência do objeto? Está lá o objeto, ou é consequência da percepção ou de um conceito a priori?
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A cidade de Hong Kong é uma confusão departamentalizada. A pura agressividade, as pessoas se acotovelando por trens ou gritando de longe, de alguma forma parece mais íntima do que inquietante. O que é mais confuso é a cidade aceitar tal agressão com naturalidade, mesmo diante de protestos espontâneos. Enquanto a tensão em Tóquio, no Japão, parece mais racional, em Hong Kong a tensão parece física, como se uma conexão estivesse sendo feita – mais importante do que a palavra falada, mais urgente, mais vital e mais humana. No mundo do cineasta japonês Toshio Matsumoto (1932–2017), “conexões” são tudo. Toshio Matsumoto: Tudo visível é vazioat Hong Kong's Empty Gallery contém uma seleção de curtas-metragens experimentais, documentários e peças sonoras de dois períodos decisivos da história cultural do Japão e os enquadra como fundamentais na prática cinematográfica de vanguarda de Matsumoto. Mostrados em quase escuridão, eles enfatizam a urgência de seu “espetáculo visual” como uma experiência física enervante e enfatizando a importância do Happening como uma forma radical de prática artística.
Suponho que a experiência deve ser bem melhor pra quem entende o idioma utilizado. Contuuuudo, ainda é uma ótima experiência visual
https://www.youtube.com/watch?v=gq9fGwJ_HQE
Everything Visible Is Empty. Título interessante pra uma obra cinematográfica, que tem como vetor principal de informação a visão (mas, claro, não o único).
A linguagem nominal, ou seja, aquilo que se dá um nome para o que quer que seja, é um dos meios de nós darmos sentido às coisas. E a minha barreira linguística que me impossibilita de ler os ideogramas contribui para o esvaziamento da obra. E aqui, há uma variação de ideogramas e imagens, geralmente de formas humanas, que são repetidas no acompanhamento de uma música com uma percussão de forte presença e de cores que cintilam e tingem a tela.
Se, essa repetição de imagens cujo título é de "tudo que é visível é vazio", então o que resta aqui? Muita coisa.
Se tudo aqui é vazio, nos resta o preencher. É a nossa percepção, o nosso intelecto que dá sentido aqui, e à tudo na nossa vida. Não é porque algo seja vazio, que nós não possamos alterar essa condição.
Para mim só ler o título do filme já proporcionou a reflexão proposta. Bem interessante.