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Data de lançamento
8 Março 2021Tina, Ruana, Carol, Cristiane e Sebastiana. Cinco mulheres, cinco histórias de vida para inspirar milhões de nós. Durante um mês, a equipe do documentário ‘Falas Femininas’ acompanhou o dia a dia e ouviu as histórias dessas cinco brasileiras de realidades diferentes, mas que tanto têm em comum.
A segunda etapa foi gravada nos Estúdios Globo, em São Paulo. Lá, elas se conheceram e se encontraram para uma roda de conversa mediada pela atriz Fabiana Karla. ‘Falas Femininas’ foi feito por mulheres e vai ao ar na segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher.
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Mega produção, muito bonita muito bem montada. Ótimo roteiro.
Potência, beleza e reconhecimento.
Dia a dia de mulheres trabalhadoras reais. Das quatro histórias, todas belíssimas, me chamou a atenção a da Dona Sebastiana (lá de São Raimundo Nonato, no PI) com 9 filhos e 14 netos. Uma das tantas mulheres sofridas, Dona Sebastiana tem um sorriso de poucas e uma alegria profunda.
A TV do Brasil homenageia as mulheres com uma fantástica história de horror!
Estreia do projeto provoca o espectador a pensar sobre a realidade das mulheres negras no Brasil.
As celebrações do dia das mulheres costumam quase sempre vir embaladas de um tom doce e florido que, supostamente, prestariam uma homenagem a uma classe minoritária de poder. Por isso, é no mínimo corajoso que a Globo tenha estreado a minissérie Falas Femininas – Histórias Impossíveis nesta segunda-feira com um episódio de horror.
Com cinco capítulos, o projeto Falas Femininas é uma obra audiovisual de autoria de três mulheres negras: Grace Passô, Renata Martins e Jaqueline Souza. A estreia, com o episódio “Mancha”, abordou como tema de fundo o dia internacional da mulher, e os próximos tratarão de eventos específicos: Dia dos Povos Indígenas, Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, Dia Nacional das Pessoas Idosas e Dia da Consciência Negra.
A chegada do novo projeto é muito bem-vinda e sinaliza uma intenção da Globo de retomar uma produção audiovisual inovadora para os parâmetros televisivos. A julgar pelo episódio de estreia, com direção de Everlane Moraes, a ideia é oferecer uma experiência que provoque o espectador a navegar por ambientes em que talvez não esteja acostumado.
“Mancha”
A primeira referência trazida pelo episódio “Mancha” é cinematográfica. Estamos no terreno do horror social, no qual o diretor Jordan Peele é o maior nome contemporâneo. Em vários momentos, as cenas – em especial, as que envolvem a atriz Luellem de Castro – fazem lembrar de Nós, sucesso de Peele.
A memória também se dá pelo enredo que fala de problemas sociais intrínsecos ao Brasil. Se, em Nós, Jordan Peele discute desigualdade racial e xenofobia no contexto americano, “Mancha” cria uma história que flerta com o horror e o fantástico para falar de uma falsa ideia de respeito entre mulheres – a patroa, branca, e a empregada, negra.
Na história, conhecemos Laura (interpretada de forma estupenda por Isabel Teixeira). Ela é uma mulher na casa dos quarenta anos que cria sua filha recém nascida – concebida “nos quarenta e cinco do segundo tempo”, conforme nos revela o roteiro. Sabemos também que ela está separada do marido (Ângelo Antônio), e mais adiante entendemos que ele abandonou a mulher e o bebê. Aparentemente, não nutre culpa, pois, segundo o personagem, foi ela quem quis a gravidez.
Laura tem uma empregada, Mayara (Luellem de Castro). Filha e neta de domésticas, ela cresceu na casa da patroa e, por isso, está envolta com o discurso sobre “ser da família”. Mas ocorre que Mayara acabou de passar no vestibular e irá começar a faculdade em turno integral. Por isso, irá parar de trabalhar.
A patroa/ amiga, claro, está feliz com a sua evolução. Ao menos no plano do consciente. Em alguns momentos, deixa escapar à empregada o seu desejo de que ela fique. Mayara, de modo profético, solta a frase: “eu vou ficar até o fim do expediente”.
Mas o inconsciente move o mundo de maneira que não pode ser controlada. E, nesta história de duas mulheres, ele se manifesta na imagem de uma mancha. Laura encasqueta com uma tal manchinha no vidro da sala, em uma grande janela de frente para a rua. Ela então força de todo jeito que Mayara – tal como tantas outras empregadas espalhadas pelo país, que trabalham diariamente sem segurança – se pendure na janela para alcançar a mancha. Até que o pior acontece.
Texto rico e simbólico
“Mancha” brilha em vários aspectos: tanto na qualidade da dramaturgia, que dialoga com outros clássicos do cinema (há intertextualidade com o suspense de Alfred Hitchcock), quanto no roteiro extremamente inteligente e provocador, repleto de símbolos (como o lustre que Laura mantém como seu objeto preferido da casa) e de frases marcantes.
O texto de Grace Passô, Renata Martins e Jaqueline Souza não menospreza o espectador. Na verdade, faz o contrário: provoca-o a completar aquilo que viu, sem que haja uma resposta definitiva. A pergunta sobre o que aconteceu com Mayara se tornou um termo de busca popular nas redes, mostrando que houve engajamento do público.
Do mesmo modo, a constituição da personagem protagonista, Laura, é tridimensional e vai além da redução da “mulher branca má”. Ela mesma é uma minoria que sofre – cria a filha sozinha, já que o pai lavou as mãos – e seu desespero tenso (em um show de interpretação de Isabel Teixeira) nos deixa claro que não temos aqui uma vilã.
Luellem de Castro, da mesma forma, atua lindamente como o contraponto dessa mulher. Sua performance traz a emoção necessária para carregar a mensagem dessa personagem, que representa tantas outras mulheres que, mesmo sob uma égide de valorização e pertencimento, têm suas vidas diariamente postas numa corda bamba, como se valessem menos que as outras. “Eu não sou uma mulher”?, pergunta Mayara, em cena muito sintomática do episódio.
Ao jogar uma história de horror na grade para celebrar o dia da mulher, Falas Femininas mostra a que veio. Que venham os próximos episódios.
"Falas Femininas - Histórias Impossíveis" impacta e gera necessário desconforto!
A trama narra a história da empregada doméstica Mayara (Luellem de Castro), que está em seu último dia de trabalho. Ela, que passou no vestibular e decidiu investir em seu estudo, acredita que Laura (Isabel Teixeira), mãe solo de uma bebê, é uma patroa 'diferente'. Até que Laura pede que ela desista dos seus estudos. Sem sucesso, pede um último favor: a limpeza de uma mancha na janela de vidro da sala, que muda o curso da história de ambas. O epísódio faz parte da antologia "História Impossíveis", apresentada nos especiais "Falas" deste ano, com enredos de suspense criados a partir de medos femininos.
Impressiona a qualidade da produção. Não só do texto, como das interpretações viscerais das protagonistas e do jogo de câmeras que dão um clima de suspense ao longo da narrativa. Ainda há uma intencional mistura com um thriller psicológico.
A história inicia aparentemente melancólica e até poética, quando gradativamente vai mudando o tom através do desdobramento em cima da realidade da situação envolvendo patroa e empregada. Embora a clássica frase 'Ela é praticamente da família' nunca seja dita, está sempre presente diante da hipocrisia que envolve aquela relação, onde a patroa finge ser uma amiga compreensiva, mas faz questão de lembrar quem é que manda com rápidos cortes durante um bate-papo.
A sutileza de várias situações que estão presentes na vida de inúmeras pessoas é uma constante. Laura mora em um apartamento de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, onde a sua vista é linda, enquanto a janela do quarto da empregada (resquício da engenharia que domina quase todos os imóveis das cidades) fica de frente para as outras janelas dos demais quartos de empregada do condomínio. As trocas de olhares entre as personagens é outro ponto que merece menção porque vai mudando ao longo do episódio. Inicialmente, o olhar de Laura reflete um medo disfarçado de acolhimento, enquanto o de Mayara expõe um genuíno carinho que sente pela patroa. Mas a proximidade do fim do expediente, 18 horas, que marca a despedida da empregada, vai tirando a máscara daquele relacionamento. Laura vai ficando com um olhar ligeiramente raivoso e Mayara com uma mistura de ranço e decepção.
A queda de Mayara, após um natural desequilíbrio enquanto tenta limpar a janela pelo lado de fora, sem nenhum equipamento de proteção e tendo apenas o apoio de Laura segurando a escada, transforma a trama em um suspense de tirar o fôlego. Laura fica sem saber como agir, tenta limpar as provas da tragédia e até liga para a emergência, mas sem terminar a ligação porque sua maior preocupação é dizer que não teve culpa ao invés de falar o nome da vítima. O plot twist da volta de Mayara deixa a história para a imaginação do telespectador. O retorno tira a máscara de Laura, que finalmente se dá conta que não foi uma mulher diferente de sua mãe e avó, mas, em compensação, percebe que sua filha pode ser no futuro. Até porque a personagem não é uma vilã. É fruto da descendência de uma elite brasileira escravocrata. E a própria mulher tem suas questões, pois é mãe solteira com mais de 40 anos. É tudo muito bem estruturado do início ao fim. Aliás, o que realmente aconteceu? Mayara morreu de forma trágica como tantas mulheres negras morrem diariamente no Brasil? Ou conseguiu sobreviver por algum tipo de amortecimento da queda e realmente retornou para aterrorizar sua patroa? A dúvida é fundamental para a trama.
Isabel Teixeira, após o imenso sucesso como Maria Bruaca no remake de "Pantanal", está irretocável. Sua soberba atuação promove cenas de encher os olhos, onde muitas vezes o texto não é necessário. Laura é uma personagem que exige entrega. Já Luellem de Castro, que brilha no humor na série "Encantado`s", do streaming, emociona na pele de uma mulher que representa milhares de Mayaras.
Ao longo do ano, novos episódios vão ao ar em datas que celebram causas e lutas sociais: Dia dos Povos Indígenas ("Falas da Terra"), Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ ("Falas de Orgulho"), Dia Nacional das Pessoas Idosas ("Falas da Vida") e Dia da Consciência Negra ("Falas Negras").
A antologia "História Impossíveis" foi criada e escrita por Renata Martins, Grace Passô e Jaqueline Souza, escrita por Thais Fujinaga, Hela Santana, Graciela Guarani e Renata Tupinambá, com direção artística de Luísa Lima, direção de Thereza Médicis, Everlane Moraes, Graciela Guarani e Fábio Rodrigo e produção de Leilanie Silva. Alinhado à jornada ESG* do Brasil, o projeto tem direção executiva de produção de Simone Lamosa, e direção de gênero, de José Luiz Villamarim.
Responsabilidade ambiental, social e de governança são temas que individualmente já eram discutidos antes da materialização dos princípios ESG. A sigla, no entanto, uniu os três conjuntos de práticas e se tornou um playbook para empresas que desejam continuar em um caminho de crescimento responsável.
Sebastiana. É ela ❤️
nosso lugar de faaaaaaaaaalãaaãaannnnn