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Data de lançamento
26 Fev. 1993Duração
Prendergast (Robert Duvall), um policial em seu último dia de trabalho pois vai se aposentar, arrisca sua vida para tentar deter William Foster (Michael Douglas), um homem emocionalmente perturbado que perdeu seu emprego e vai ao encontro de Beth (Barbara Hershey), sua ex-mulher, e da filha, sem requer reconhecer que o seu casamento já acabou há muito tempo. Em seu caminho, William vai eliminando quem cruza seu destino.
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demorei para assistir .... parece os tempos atuais
Eu quando o pano sai do rodo.
Todo mundo tem um dia de fúria? Isso é uma leitura bastante rasa do filme.
Se você é alguém que ameaça a ex-mulher constantemente a ponto dela ter medo e fugir de você, se a sua própria mãe tem medo de você e acha que você poderia matá-la, se a única pessoa que consegue se ver em você e em suas atitudes, como iguais, é um literal n@z!st@: então talvez você não seja um cara legal, não seja um injustiçado inocente, não seja a vítima que acha que é.
Ao mesmo tempo em que vemos diversas revoltas legítimas que nos fazem simpatizar com o personagem especialmente no início do filme, como a inflação, criminalidade, propaganda enganosa, burocracia sem sentido, política, injustiça social, classes mais altas fazendo o que quiserem, sermos descartados por nossa "viabilidade econômica", revoltas que nós mesmos podemos ter, Bill apenas desconta sua frustração contra qualquer um que apareça.
O gerente e a atendente não têm culpa das regras da lanchonete e não são eles quem fazem as fotos mentirosas da comida, o trabalhador não foi quem decidiu fechar a rua para gastar o orçamento, o dono do mercadinho não aumenta simplesmente os preços porque quer, mas são eles os alvos da revolta.
Acima de tudo, Bill é um fracassado incapaz de aceitar que fracassou. Alguém que acha que fez tudo certo, tudo como deveria e por isso o mundo deveria recompensá-lo, o sonho americano. Acontece que o mundo não deve nada a ele, ninguém deve nada a ele.
Nesse vitimismo, bastante comum hoje em dia, aliás, nada é culpa dele, foram "eles" que o separaram de sua família, sempre há um culpado externo, não foi ele quem destruiu todas as suas relações com o seu comportamento.
Curioso que Bill não é uma vítima, mas Prendergast sim é uma vítima. Enquanto Bill foi afastado da família devido ao comportamento que ele mesmo demonstrava, Prendergast perdeu a filha por uma crueldade do destino, mas conseguiu seguir vivendo.
Não sabemos o motivo de Bill ter perdido o emprego, mas ele possivelmente trabalhava com armas para proteger o país de comunistas imaginários e foi considerado "obsoleto" depois do fim da Guerra Fria. Já Prendergast está se aposentando depois de uma carreira na polícia, sequer receberia sua pensão inteira por não ter trabalhado anos suficientes, mas está tranquilo quanto a isso.
Mesmo sendo um bom policial, ele não tem o respeito do capitão e de outros policiais, que fazem pouco dele, o menosprezam e ele não tem culpa nenhuma disso. Ele sim merecia muito mais, alguém que encara tudo de frente e segue sem perder a leveza, não o floquinho de neve irritado.
No final do filme Bill parece perceber que talvez ele seja o cara mau, me lembra até a esquete "Are we the baddies?", só faltou ele vestir um quepe com uma caveira.
vc não é a vítima, cidadão de bem. o mundo não te deve nada.
Revendo agora em 2026.
Pena que não fazem mais filmes assim