O mundo de Marcela torna-se estranho e frágil depois da morte de sua irmã Rina. Ela sente-se perdida em sua própria casa e as conexões com os seus familiares estão deslocadas. Em sua casa, chega Nacho, um jovem amigo da filha, que cancelou uma viagem de negócios, e, juntos, eles compartilham conversas e caminhadas. Marcela recebe o telefonema de um parente distante para uma reunião, enquanto em casa mantém diálogos com outros parentes.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Filmicca.
Liguei a Tv casualmente, o filme estava iniciando. Já ouvira falar razoavelmente dele, e, pelo tema, sabia que funcionaria bastante comigo. Amo o cinema argentino e aprecio a vivacidade com que ele aborda temas cotidianos de maneira solene, aborda a solidão como reflexo do desamparo capitalista. Neste filme, há similaridades contextuais em relação ao genial O PÂNTANO, da Lucrecia Martel, mas a perspectiva é distinta: a análise de personagem conta mais, a angústia da protagonista toma-nos de assalto, somos envolvidos por seu desamparo emocional e pela quantidade de situações familiares que dispersam ainda mais a sua atenção, já permeada de angústia e confusão mnemônica. O ritmo do filme, infelizmente, não é tão regular, e algo enfada, a despeito da entrega eficiente de todo o elenco. Numa revisão com menos expectativas, talvez o filme arrebate-nos mais, visto que ele expõe feridas, ele leva-nos a pensar nos problemas que enfrentamos em nossa própria família. Bonito e dolorido, como o melhor do cinema argentino (a dançante sequência final é absolutamente primorosa!) – WPC>
"Conto com você nessa vida?"
FAMÍLIA SUBMERSA #FamiliaSumergida de #MaríaAlché Argentina/Brasil/Alemanha,2018.
As ambiguidades do ser humano. Como traduzir isso em imagens? María Alché, que foi "A menina santa" de Lucrecia Martel o faz com esse delicado e belíssimo longa que chega tímido nas salas de cinema e tem tudo para sair despercebido. Uma pena. Não fosse por um amigo me chamar a atenção pra correr e ver o filme na telona, talvez eu o perdesse nesse mar de obras um tanto insignificantes mas com maior poder de mídia. A fita é essencial pra quem admira o cinema sensorial, não que o filme seja abstrato, mas porquê ele te faz sentir, vai além dos enquadramentos, o filme é maior do que a tela. O luto de uma mulher pela irmã que morreu é o fio condutor desse lindíssima história das nossas vidas. E Mercedes Morán num momento único na sua filmografia.
#MercedesMorán #EstebanBigliardi #LailaMaltz #LuizCarlosVasconcelos #CinemaArgentino
Após a morte de sua irmã, Marcela perde também toda a noção de realidade e coerência. Em sua vidinha cotidiana, ignorada pelo marido e filhos, entre muitas plantas, ela passa a alucinar com a falecida e outros parentes que não temos certeza se ainda estão por aqui. O luto se transforma em transe e desordem que apenas nós percebemos e angustiantemente vivenciamos com Marcela em FAMÍLIA SUBMERSA (Familia Sumergida, 2018). Culpa de Mercedes Morán: meio a tantas nuances criadas com facilidade por ela, consegue - com o olhar - transmitir o vazio e a melancolia que ocupa a maior parte do personagem, bem como do filme de Maria Alché, e isso, por vezes, é tanto que cansa. O up em sua vida só vem quando Nacho aparece, mas não a tempo de recuperar o interesse perdido depois de tanta monotonia.
IG @omelhordocinema
Família Submersa da diretora María Alché é um filme difícil. É o estilo argentino de Lucrécia Martel (Zama) fazendo escola, o qual confesso não ser meu tipo de cinema favorito, pra piorar, não me agrada a mistura fantasia/realidade quase que lynchiana que Alché faz aqui.
Uma família como outra qualquer, mãe, pai e filhos dividindo o mesmo pequeno apartamento, com o enterro da irmã da protagonista sendo o ponto de partida do luto que aflige a mãe, vivida por Mercedes Morán, que passa a ter que se dividir entre encarar os fantasmas do passado e seguir com sua vida.
É difícil acompanhar o dia-a-dia desta família porque a história parece não sair do lugar, ficamos presos no apartamento cercados daquelas pessoas, objetos e plantas a todo instante, vemos a mãe sempre chorando pelos cantos, tendo visões de pessoas de outra época e acabamos sentindo toda aquela angústia e mal-estar.
Isso dá a Família Submersa a sensação de que estar ali naquele apartamento é estar submerso e parado no tempo. Uma sensação provavelmente causada de forma proposital por Alché, mas que deixa a história sem uma grande mensagem a ser passada, contentando-se em ser um filme sensorial e introspectivo, sem redenções ou maiores propósitos para seus personagens.