Durante a pandemia de Covid-19, um coletivo de cinema da favela de São Paulo recebe uma proposta tentadora. Surge a dúvida: vender sua imagem ou subverter a encomenda?
Por questões conjunturais, projeto-me afirmativamente no que o LK faz, gosto de como ele é efetivo na defesa de uma lógica que "quebrada", em termos de valorização dos apanágios que sem se descobre e reconstitui a partir da rejeição alheia, sobretudo do poder púbico. Porém, às vezes, sinto que os discursos ficam circunloquiais, repetitivos, excessivamente autocentrados (em termos de orgulho vingativo) e direcionados para aquilo que falta, concedendo uma atenção oblíqua ao dinheiro, enquanto necessidade a ser suprida. É o que me incomoda aqui, nas falas dos personagens reais, quando vislumbram melhorias merecidas para as suas famílias, a partir da descoberta das técnicas audiovisuais de redefinição expositiva. A montagem e a fotografia são muito boas (amo em particular o demorado plano do pôr-do-sol) e adorei o ciclo de subidas e descidas ao "altar do cinema", musicado respectivamente por Brisa Flow e Mateus Fazeno Rock. O diretor é muito sagaz naquilo que escolhe, no que mostra, no que direciona enquanto projeto... Pessoalmente, não sinto que este é um de seus trabalhos mais elaborados, mas ele entrega aquilo que esperamos dele, em termos de crença na coletividade que se reestrutura. Não é tão elaborado em seu "molho" cinematográfico (talvez pelo "sem querer" do título), mas traz consigo a força da guerrilha, não sendo um "trampo" que possamos ignorar. O Lincoln permanece como um realizador interessantíssimo da contemporaneidade, a ser observado e compreendido com muita atenção. É dali que vem, não duvidemos! (WPC>)
fechado com a defesa de Dragon Ball Z
Por questões conjunturais, projeto-me afirmativamente no que o LK faz, gosto de como ele é efetivo na defesa de uma lógica que "quebrada", em termos de valorização dos apanágios que sem se descobre e reconstitui a partir da rejeição alheia, sobretudo do poder púbico. Porém, às vezes, sinto que os discursos ficam circunloquiais, repetitivos, excessivamente autocentrados (em termos de orgulho vingativo) e direcionados para aquilo que falta, concedendo uma atenção oblíqua ao dinheiro, enquanto necessidade a ser suprida. É o que me incomoda aqui, nas falas dos personagens reais, quando vislumbram melhorias merecidas para as suas famílias, a partir da descoberta das técnicas audiovisuais de redefinição expositiva. A montagem e a fotografia são muito boas (amo em particular o demorado plano do pôr-do-sol) e adorei o ciclo de subidas e descidas ao "altar do cinema", musicado respectivamente por Brisa Flow e Mateus Fazeno Rock. O diretor é muito sagaz naquilo que escolhe, no que mostra, no que direciona enquanto projeto... Pessoalmente, não sinto que este é um de seus trabalhos mais elaborados, mas ele entrega aquilo que esperamos dele, em termos de crença na coletividade que se reestrutura. Não é tão elaborado em seu "molho" cinematográfico (talvez pelo "sem querer" do título), mas traz consigo a força da guerrilha, não sendo um "trampo" que possamos ignorar. O Lincoln permanece como um realizador interessantíssimo da contemporaneidade, a ser observado e compreendido com muita atenção. É dali que vem, não duvidemos! (WPC>)