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Falecido há apenas 30 anos, Michel Foucault deixou um obra abundante que inspira muitos pensadores. Professor do College de France, um homem complexo e contraditório, foi um ativista radical.
Em sua vida pessoal assim como em sua obra e atitudes políticas, Michel Foucault geralmente entrava em conflito consigo mesmo, principalmente quando suas ideias expansivas colidiam com as instituições para as quais trabalhava. O documentário é uma provocativa coleção de ensaios e entrevistas, onde críticos e filósofos contemporâneos reclassificam o legado de Foucault num esforço de construir novas maneiras de pensar sobre a sua luta contra os mecanismos de dominação da sociedade, demonstrando como os conflitos interiores residiam no coração das obras e da vida do filósofo.
Michel Foucault é um bom exemplo de um intelectual insatisfeito com as conclusões a que chegou. Sua trajetória do início ao fim foi bem clara, mas foi um caminho que regularmente se dobrava sobre si mesmo, corrigindo rumos e tomando novas direções à medida que a busca por uma contínua transformação o compelia.
Se atentarmos para seu precedente, talvez evitemos cair num abismo cego e oco em que a intelectualidade conformista sempre cai.
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"Quando observamos a trajetória de Foucault, é impressionante notar que ele tem títulos legítimos e que, ao mesmo tempo, tem uma prática inovadora e objetos de pesquisa até então ilegítimos. Por um lado, ele foi da Escola Normal Superior, foi professor de filosofia, fez uma tese Sorbonne. Ele segue uma trajetória que dá a noção de legitimidade e centralidade acadêmicas, mas ao mesmo tempo ele escreve livros de história, o que já é novidade para qualquer filósofo, e não é história comum, é história de loucos, depois a história dos presos, a história da sexualidade. Ou seja, com objetos indignos que ele conduz ao plano da legitimidade. Essa contradição é muito bonita em sua obra e demonstra uma grande capacidade de resistência à domesticação institucional. O que Foucault fez foi utilizar o capital institucional e o capital simbólico para transformar a definição da filosofia e a definição da atividade do pensamento. Ele utilizou as instituições para redefinir o campo do pensável para todos em vez de se deixar domesticar por elas."
https://www.youtube.com/watch?v=FVKw8V-CgXk
Com tão pouco tempo de filme e tantos herdeiros intelectuais que Foucault deixou, pôr o oportunista do Geoffroy de Lagasnerie como um dos interlocutores privilegiados foi a pior escolha possível. Levou não só à superficialidade, já esperada, mas a erros de interpretação sobre a obra foucaultiana. Outro problema grave vem ao trocar a ordem dos fatores entre a polêmica em torno do As Palavras e as Coisas e as eventuais colaborações de militância política com Jean-Paul Sartre; faz parecer (deliberadamente?) que o afastamento entre Foucault e o marxismo - teórico ou militante - foi mais linear e progressivo do que realmente foi. O filme tem sua utilidade relativa pra quem não conhece nada do careca, mas não vai além disso.
Mozão!
povo de movimentos sociais, indispensável