Alemanha, 1967. Mesmo com tantos problemas, Marie tenta encontrar ajuda para seu filho Felix, um menino com muito talento para matemática, mas com dificuldade para se integrar na sociedade. Mas uma mãe nunca se rende quando se trata de seu filho.
Um dos filmes mais bonitos que já vi na vida!! Muito mais que um filme sobre o autismo.. Mas um filme completo, em suas quase 3h de duração, que expõe o desastre de uma comunidade alemã da década de 60 e de uma escola em lidar com as diferenças. Um pouco parecido com o filme polonês "Quero Viver", do Maciej Pieprzyca, com a diferença que no filme do Pieprzyca não há nenhum apoio e crença da família para com o jovem Mateusz. Neste filme, a mãe de Felix, atemporal e até flauberiana, luta com todas as forças pelo filho e contra uma comunidade interiorana ilhada em preconceito. Sem dúvida, é um dos pontos altos do filme a maestria como ela luta pelo filho, a ponto de sucumbir a todos os “valores” morais que aprendera em sua região,
chegando a trabalhar em um prostíbulo para poder custear o tratamento às cegas do filho; às cegas, sim, mas na esperança.
. Ela faz do filme um hino de amor entre mãe e filho, digno de estar à altura de cineastas como Alexsandr Sokurov e Yasujiro Ozu, que tão bem filmaram hinos de amor assim (cada qual à sua maneira, claro).
Por muito tempo eu senti um asco enorme em como as pessoas da comunidade tratavam as limitações do Felix como “doença” e como um “mal” que precisava ser “curado”; fora um fundamentalismo e machismo horrorosos de um pequeno grupo religioso
até capaz de expulsar uma mulher que veio ocupar um cargo “masculino” dentro da igreja.
. É então que o Johannes Fabrick constrói com maestria o espaço da narrativa (um espaço sufocante para o protagonista, digamos..) e é neste espaço que o protagonista lida com as limitações, pois ele não oferece desafios para o jovem Felix.
Felix, incompreensível. Felix, uma incógnita. Para muitos, um objeto. Mas esse é o desejo de Felix: voar. Ou pôr o objeto para voar, eis a sua luta. Um menino-gênio que deseja voar --- como ele mesmo diz: "um pássaro-número". Essa é uma das falas de Felix: “Sou um pássaro-número. Sei fazer números e voar”. Lindo!! O que digo sobre o filme do polonês Pieprzyca, repito aqui, pois serve perfeitamente para ambos: um filme que nos mostra as coisas mais simples da vida, uma luta com o corpo, com as palavras, com o olhar – sua comunicação. Uma luta pela compreensão, pelo amor, pela vida. Porque de certo modo todos nós temos um pouquinho do Felix em sua luta pela vida, pela afirmação da vida. Este é um filme raro, cheio de poesia e sensibilidade. Seria muito bom se esse filme circulasse mais. Um filme que mostra que viver ainda vale a pena. Que a vida ainda vale a pena.
Um dos filmes mais bonitos que já vi na vida!! Muito mais que um filme sobre o autismo.. Mas um filme completo, em suas quase 3h de duração, que expõe o desastre de uma comunidade alemã da década de 60 e de uma escola em lidar com as diferenças. Um pouco parecido com o filme polonês "Quero Viver", do Maciej Pieprzyca, com a diferença que no filme do Pieprzyca não há nenhum apoio e crença da família para com o jovem Mateusz. Neste filme, a mãe de Felix, atemporal e até flauberiana, luta com todas as forças pelo filho e contra uma comunidade interiorana ilhada em preconceito. Sem dúvida, é um dos pontos altos do filme a maestria como ela luta pelo filho, a ponto de sucumbir a todos os “valores” morais que aprendera em sua região,
chegando a trabalhar em um prostíbulo para poder custear o tratamento às cegas do filho; às cegas, sim, mas na esperança.
Por muito tempo eu senti um asco enorme em como as pessoas da comunidade tratavam as limitações do Felix como “doença” e como um “mal” que precisava ser “curado”; fora um fundamentalismo e machismo horrorosos de um pequeno grupo religioso
até capaz de expulsar uma mulher que veio ocupar um cargo “masculino” dentro da igreja.
Felix, incompreensível. Felix, uma incógnita. Para muitos, um objeto. Mas esse é o desejo de Felix: voar. Ou pôr o objeto para voar, eis a sua luta. Um menino-gênio que deseja voar --- como ele mesmo diz: "um pássaro-número". Essa é uma das falas de Felix: “Sou um pássaro-número. Sei fazer números e voar”. Lindo!! O que digo sobre o filme do polonês Pieprzyca, repito aqui, pois serve perfeitamente para ambos: um filme que nos mostra as coisas mais simples da vida, uma luta com o corpo, com as palavras, com o olhar – sua comunicação. Uma luta pela compreensão, pelo amor, pela vida. Porque de certo modo todos nós temos um pouquinho do Felix em sua luta pela vida, pela afirmação da vida. Este é um filme raro, cheio de poesia e sensibilidade. Seria muito bom se esse filme circulasse mais. Um filme que mostra que viver ainda vale a pena. Que a vida ainda vale a pena.