Últimas opiniões enviadas
"Eu estou tão cansada/
Comigo mesma/
Eu estou tão cansada/
Sempre esperando/
Me tornar outra pessoa.
Quem é essa pessoa/
Dentro de mim/
Que me deixa tão cansada?"
Que maravilha assistir a esse filme! Em alguns momentos me lembrava de cenas do filme Poesia, do Lee Chang Dong. Em outros momentos me pegava devaneando, porque, para além de a poesia ser um elemento muito presente neste filme, a personagem Iris me fazia evocar uma definição do que vem a ser "poesia" que eu particularmente gosto muito: estranhamento. Embora seja um conceito muito ligado a um contexto russo e formalista, ele diz muito da Iris, no sentido mais geral de tirar as coisas do lugar, de retirar as coisas do lugar-comum, de deformar, de causar o espanto nessa deformação, veja que a Iris costuma, na sua falta de método, perguntar às alunas: o que você tá sentindo por dentro, lá no fundo? mas o que te toca no íntimo? Ela tira as alunas do lugar comum e joga pra um outro lugar. Um lugar mais poético, mais revelador do íntimo. Isso pra mim é falar de poesia, do que é poesia. De qual a finalidade, se é que ela tem, da poesia. Desculpa, me alonguei. Filmão.
Depois dos trinta minutos iniciais, após o raio x, o filme pega gosto. Gostei especialmente da fragilidade das relações, exposta pela doença e evocada como elemento desestabilizador, no centro da trama Yakuza. Deu um sabor existencial muito proveitoso.
"Seus pulmões estão como aquele esgoto ali. Não adianta cuidar somente dos pulmões se estiver cercado por toda a sujeira infestada das bactérias. Até se livrar de tudo isso, não há esperanças para você". Phoda.
Últimos recados
Olá, rodrigo, obrigado pela curtida da minha lista de filmes sobre História Geral e espero que tenha gostado dela, mas tem também as minhas outras duas listas complementares de História do Brasil e do Oriente Médio, espero que você goste também. Abraços.
Rodrigo, você ainda tem o arquivo com o filme Manual de Barros? Se puder me enviar por e-mail thaisrv22 @ gmail . com
obrigado!! tem que maratonar sim ahhahhaha nossa, foi bom avisar, pq só tem bot aqui no filmow ultimamente né, tá um horror haha
Eu acho que resumir o filme à perspectiva do disfarce e do engano da morte (ainda que esteja na sinopse, ainda que constitua a "base" do conto) é deslizar demais na superfície do pires, é se contentar com a superfície da narrativa. Não enche muito a barriga. Os momentos (1) em que o Egor
dança como se não houvesse mais nada em seu redor
da não reação ao estupro
E quantos e quantos e quantos Egor não estão por aí, silenciosamente a espera desse sair do lugar. E os tantos e tantos Egor que viveram, séculos atrás, e que não puderam vir a tona? Eu aprendi muito com Egor nesse filme. Sério, aprendi muito. Porque somos nós seres humanos que fazemos isso contra nós mesmos, o ódio só por causa de um vestido, a violência e a eliminação bruta do outro só porque sim. E não entendo. Acho que era isso que Clarice quis dizer na primeira linha do romance A paixão segundo G.H. "estou tentando entender" e deixou guardado por detrás das palavras: o horror do humano. Egor me ensinou nesse filme exatamente isso: não podemos nos silenciar, ou esperar a "hora da morte" bater. Desculpa, viajei rs!. Puta filme!!