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Data de lançamento
10 Fev. 2016Duração
Kedi não é um documentário sobre gatos de casa ou os gatos vadios que você ocasionalmente vê no seu quintal. Kedi é um filme sobre milhares de gatos que percorreram a metrópole de Istambul livremente por milhares de anos, vagando dentro ou/e fora das vidas das pessoas, as impactando de formas única, um animal que vive entre o mundo da vida selvagem e o domesticado. Os gatos e seus gatinhos trazem alegria e propósito para aqueles que os escolhem, dando às pessoas uma oportunidade para refletir sobre a vida e seu lugar nele, especialmente em Istambul, onde os gatos são os espelhos para seus habitantes.
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Gatos são muito fascinantes, fiquei feliz em ver um lugar em que isso é reconhecido, em que há respeito e cuidado com os animais. A fotografia é linda, os depoimentos são poéticos e as histórias são de encher o coração. 🩵
Que produção maravilhosa. Kedi nos apresenta cenas belíssimas de felinos, dos mais variados tipos, da cidade onde eles vivem, Istambul, e também das pessoas que convivem com estes belos animais a cada dia. A verdade é que a diretora turca Ceyda Torun tem um olhar todo delicado para os gatos que vivem em sua cidade natal. Ela consegue captar com grande maestria cenas maravilhosas destes felinos cheios de personalidade e de carisma. Em diversas sequências a câmera de Torun “caminha” próxima do chão para se colocar no mesmo plano dos gatos. Afinal, para entendê-los melhor, é preciso seguir a ótica diferenciada que eles têm. É como se a diretora nos convidasse para nos colocarmos no lugar dos felinos.
Realmente vestir a pele deles é algo impossível, mas podemos fazer um exercício neste sentido e observá-los com atenção e com cuidado. Ceyda Torun consegue, com maestria, mostrar a beleza de diversos “personagens” felinos, contando parte de suas histórias, acompanhando muitos de seus passos e, de quebra, revelando a relação que eles tem com a cidade, os lugares e as pessoas que dividem o espaço urbano com eles. As imagens são lindas, muito bem planejadas e executadas.
Mas o que mais me impressionou nesta produção, além das belas cenas dos gatos e da cidade de Istambul, foi a forma totalmente diferenciada com que o povo da cidade trata os seus felinos. Diferente das sociedades ocidentais, onde os animais são “propriedade” de algumas pessoas ou vivem abandonados nas ruas, passando por todas as dificuldades que um animal sem cuidado pode passar, em Istambul não existe esta definição de propriedade ou de abandono. Os gatos da cidade são de todos e todos se preocupam com eles.
Claro, conforme o filme vai avançando e vai se aprofundando, percebemos que na parte mais “desenvolvida” de Istambul o cuidado com os gatos se perde um bocado. Enquanto na orla e na parte menos “urbana” da cidade o sentido de comunidade e de cuidado com os gatos é preservado, nos bairros mais “desenvolvidos” existe uma possibilidade maior dos gatos serem ignorados.
Desta forma, um bocado “sem querer”, Ceyda Torun nos mostra que em áreas em que o concreto e a correria ganharam protagonismo, outros valores se perdem. Especialmente a capacidade de olhar com atenção para os lados, perceber os detalhes da cidade e as nuances de seus habitantes – sejam eles humanos, sejam eles gatos. E se pararmos para pensar, isso vale para qualquer lugar. Quando as pessoas estão correndo demais e quando elas estão mais preocupados com a segurança e em se trancar dentro de carros e de casas/apartamentos, todo o restante praticamente se perde.
O contato mais amistoso e cuidadoso entre as pessoas e delas com os animais se desvanece. Mas sempre que alguém quer resgatar isso, é possível. Basta desacelerar e começar a refletir que toda a vida é valiosa. No caso de Istambul, grande parte da cidade respeita a tradição dos gatos livres e independentes como patrimônio histórico e cultural da cidade. Interessante como as pessoas identificam a comida e a água que são deixadas para os felinos e respeitam isso. Não existe necessidade de posse e a propriedade se perde porque o carinho e o amor são livres.
"Listen: dogs think people are God, but cats don’t. Cats know that people act as middlemen to God’s will. They’re not ungrateful. They just know better."
Um doc sobre amor e seus significados
Eu gostei do filme mas não gostei que não mostraram o que aconteceu com o gatinho que estava desmaiado, achei ruim que simplesmente cortaram para outra história e deixaram por isso mesmo, e a outra parte com o cara que ia cuidando de vários gatos que falou que uma gata que teve filhotes recentemente não estava ali e depois não foi explicado se ela apareceu.