Na condição de aspirante a roqueira profissional Sadie (Jennifer Jason Leigh) despeja em suas interpretações sentimentos oriundos de romances fracassados e dos vícios em álcool e drogas, o que torna suas performances emocionais mas nunca técnicas. Repetidos fracassos nos palcos a tornam ainda mais problemática e aumentam sua necessidade por drogas, até o dia em que se vê forçada a procurar a ajuda de sua irmã mais velha Georgia (Mare Winningham), que, de forma diversa, corresponde a tudo o que Sadie não é: casada, financeiramente estável e abençoada com uma voz que a fez alcançar enorme sucesso como cantora de folk. Apesar de disposta a ajudar a irmã, Georgia não poderá evitar o choque entre personalidades tão diferentes nem escapar ilesa deste reencontro.
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As duas atrizes realmente parecem irmãs!
JJL merecia um Oscar por esse filme! Sem mais!
Peca no ritmo, não precisa tocar todas as canções INTEIRAS, isso tornou o filme desnecessariamente longo sem acrescentar nada pra história.
Porém Jennifer Jason Leigh perfeita.
Um dos assuntos que sempre rende filmes parecidos,alguns se dão bem,o que não foi o caso aqui.As duas horas atrapalhou bastante o andamento.A busca pelo sonho nunca foi tão chato de se acompanhar.Trama que vale pelas atuações,principalmente da dupla principal.
>Assistido em 07 de Maio de 2022
-Dou nota 4/10
"Georgia" é um filme sobre relacionamento entre irmãs que consegue explorar uma dinâmica complexa de maneira inteligente e surpreendente. Jennifer Jason Leigh protagoniza o filme como Sadie, uma pseudo-cantora autodestrutiva que vive nas sombras da irmã aparentemente sã e talentosa - a cantora folk de sucesso Georgia, interpretada por Mare Winningham (indicada ao Oscar pelo papel).
O aspecto mais interessante do longa é que ele brinca com nossas expectativas em relação às irmãs. Se em determinado momento compreendemos a indignação de Sadie com a frieza e o descaso da irmã bem sucedida e de vida resolvida (ela parece ser antipaticíssima a princípio), logo em seguida também compreendemos Georgia quando fica evidente que Sadie é difícil, incorrigível e leva todos ao seu redor à fadiga emocional em um ciclo vicioso de melhoras e quedas envolvendo drogas, álcool e muita autocomiseração.
É um drama rico que jamais sucumbe ao melodrama graças ao roteiro verossímil escrito por Barbara Turner (mãe de Jennifer Jason Leigh na vida real) e inspirado em uma história de sua própria família. Jennifer Jason Leigh confere aqui uma das melhores atuações de sua versátil carreira, habilmente criando uma personagem infantiloide, sofrida, profundamente carente e desorientada. Sadie fascina, pois paradoxalmente nos causa repúdio e ternura. Ela é um buraco negro que demanda atenção de todos e pune aqueles que tentam ajudá-la ao frustrar qualquer fé que nela depositam. Apesar de suas falhas graves, sua admiração pela irmã acaba nos comovendo e é interessante como uma das primeiras cenas do filme (as duas irmãs pequenas dançando juntas e a mais nova imitando a mais velha de maneira inocente) antecipa em um contexto de alegria a dor que marca a vida adulta de ambas.
A própria falta de talento de Sadie é modulada de maneira sutil durante o filme. Ela de fato não sabe cantar, mas sua presença de palco às vezes cativa e percebemos sua vontade de se expressar pela arte (às vezes elas quase consegue) mais como um choro ávido pelo carinho e admiração da irmã do que uma ambição. Em outros momentos, no entanto, passamos vergonha ao vê-la bêbada ou completamente desafinada frente uma platéia e aí tomamos partido da irmã talentosa que, mesmo cansada de carregar Sadie nas costas, não consegue abandoná-la de vez (talvez por culpa) e constantemente tenta ajudá-la , através de seu sucesso, a engrenar ao menos um pouco sua carreira nada promissora.
É um filme que vai progressivamente se tornando mais devastador, não por reviravoltas no roteiro ou acontecimentos estrondosos, mas pelo peso da própria realidade dos personagens. O longa não os crucifica, mas também não concede a eles uma redenção hollywoodiana ou cenas resolutas de superação e epifanias. Nem o amor entre as irmãs é dado como garantido e sua relação oscila durante todo o filme (inclusive nos deixando ambivalente sobre qual das duas merece mais nossa simpatia). No final das contas, as dores de ambas as irmãs acabam nos tocando e o filme se encerra de maneira aberta e pungente, não oferecendo conclusões ou falsos alívios, mas escancarando seu ponto de angustia e mostrando que a vida segue mais ou menos igual, com a exceção de que agora conhecemos aquelas pessoas e, portanto, sentimos mais por elas do que quando o filme começou.