Um documentário ecológico com poesia e impulso. Trabalhando por dois anos, Zhao Liang e sua colaboradora francesa Sylvie Blum revelam a devastação causada pelas minas de carvão no interior da Mongólia, nas pastagens verdejantes e nas vidas dos habitantes locais.
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As imagens são belíssimas. Mas quanto sofrimento e exploração.
Enquanto assistia a este documentário sobre a atividade de mineração, que provê os insumos para o indústria siderúrgica e esta, por sua vez, às empresas construtoras de empreendimentos inabitados na Mongólia, veio-me a memória o também documentário "Machines", sobre a indústria têxtil indiana.
Ambos debatem, sem nenhum proselitismo e sim através da mais rigorosa observação, o sofrimento de trabalhadores em condições precárias, desumanas e humilhantes a que se submetem apenas porque precisam alimentar-se, lubrificando as engrenagens de um capitalismo predador (o beemote do título). Ao mesmo tempo, as poderosas imagens - a descida interminável no interior de uma mina exibe a proximidade do inferno, e esta não é apenas uma figura de linguagem, para aqueles trabalhadores - são intercaladas com a narração in off, intrusiva, que confere a plasticidade artística que a obra dispensava.
Mesmo assim, o documentário é competente em demonstrar todo o poder destruidor do beemote, sacrificando o meio ambiente e o ser humano, em troca da irrelevância do que produz.
Se você gosta de documentário, o @cinemacomcritica (instagram) tem uma seleção que você precisa conhecer. Acesse: www.goo.gl/YpQdyV ;)
O que poderia ser somente mais um filme-denúncia ambientalista convencional, o que por si só já seria muito pertinente, é, na verdade, um monumento visual a respeito da insignificância humana e a eterna indiferença de Deus e da natureza.
A construção minuciosa das imagens por Zhao Liang, acompanhadas ocasionalmente por versos de A Divina Comédia, revelam o apelo autoral da obra, um dos mais belos e subestimados manifestos artísticos dos últimos anos.
Genial e ao mesmo tempo muito melancólico.