Depois de meses sozinho, triste, ocupado, distraído, livre, arrogante, atrasado e longe de seus filhos, Lenny, 34 anos, cabelos grisalhos e cacheados, pega seus filhos na escola. Todo ano ele passa algumas semanas com os filhos Sage, nove anos, e Frey, sete anos. Lenny diverte-se com os filhos e tudo o mais em um estúdio no centro de Nova York. No final das contas, ele enfrenta a escolha entre ser pai ou amigo dos filhos, com a ideia de que essas duas semanas devem parecer seis meses. Um olhar melancólico sobre desculpas e responsabilidades, paternidade e vivências, e sobre como se sente alguém dividido entre ser criança e ser adulto.
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parabens vc ganhou o troféu de pior pai
Gosto muito da vibe caos e frenesi que os Safdie colocaram nos últimos filmes deles, mas eu queria muito que eles voltassem pra esse outro tipo de caos, ancorado na melancolia e muito mais aconchegante.
Pai degenerado.
Os Safdie são ótimos e de uma humanidade que encanta, e bom, eu amo mumblecore, pretendo gabaritar um dia. Esse só não bateu muito para mim por questões tão pessoais que me bloqueiam, toda vez que me deparo com essa abordagem tento mas a identificação nunca vem fácil.
Filme que capta muito bem o que já vinha sendo o principal interesse dos Safdie desde seus primeiros curtas, principalmente em "John's Gone", que é o desconforto, o estresse inerente a vida urbana e corrida dessa Nova York "pós moderna" - o que chegaria em seu ápice em Uncut Gems. Interessante também entender o filme como um relato pessoal dos irmãos com seu pai e tirar daí o background de onde ambos vieram, justificando o tipo de personagem no qual eles se interessam em seus filmes. Assim, tanto em forma, quanto em temas, "Daddy Longlegs" já é absurdamente autoral e possui o que mais marca o cinema dos irmãos. A fotografia suja, a câmera na mão e os close-ups são fundamentais pra potencializar o ambiente que o filme se passa, suas lentes absorvem a crueza e o desespero daqueles locais e personagens, dando espaço para as expressões de pânico que a vida vai proporcionando pro protagonista e localizando eles no meio dessa correria e mal estar da cidade contemporânea. Curioso de perceber também como os Safdie sempre que podem se aproveitam de um momento mais onírico, aqui o mosquito, em Uncut Gems a mística da pedra por exemplo, pra intensificar o que vem se passando na mente do personagem. A fixação de Adam Sandler pelo potencial comercial da joia, a loucura de Lenny com a distância dos filhos etc. Por fim, os Safdie tem um cinema muito consolidado já, em ideias e em mise en scene, buscam a cada filme trabalhar uma nuance de Nova York: a família, o crime, o mercado, a especulação, o frenesi moderno, os junkies; e articulam daí sempre uma posição muito forte pela linguagem, cada filme tem um espírito muito próprio, aqui o modo cuidadoso como representa o pai, na sua dualidade de defeitos absurdos e carinho genuíno pelos dois filhos, é bem peculiar do cinema que entregam.