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Do autor de "Kids", Harmony Korine, o filme traz a mesma visão realista sobre um grupo de adolescentes perdidos e o mundo tragicamente vazio em que vivem. O cenário é uma cidadezinha, devastada por um furacão. O foco é uma dupla de garotos que passa os dias à toa cheirando cola e matando gatos para vender.
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"Gummo" retrata uma pequena cidadezinha tentando lidar com as consequências de um desastre natural que deixou marcas psicológicas enraizadas em seus habitantes.
A direção de Harmony Korine é muito eficiente em retratar a cidade de Xenia da maneira mais crua possível. O diretor se aproveita muito de ambientes fechados para passar a sensação de sufocamento que os personagens sentem ao viverem nesta realidade. A impressão que dá é que não passou tempo algum desde o tornado citado no início do filme e, em determinados momentos, existem inserções em formato documental, o que nos faz acreditar que todas essas histórias que estamos vendo realmente possam ter acontecido.
Não existe um roteiro estruturado da maneira tradicional. A cidade aqui retratada é a verdadeira protagonista e seus personagens são meros coadjuvantes dentro de uma realidade brutal e que não apresenta qualquer perspectiva. O longa trata de trazer diversos tipos de pessoas com os mais variados conflitos, envolvendo minorias, automutilação, abusos e até doenças. Em alguns momentos, certos segmentos tornam-se exaustivos de acompanhar justamente por alguns excessos de repetição, como, por exemplo, a quantidade de gatos mortos que aparecem em tela. Chega um momento em que isso para de chocar e se torna apenas cansativo.
O que mais me agradou, inclusive, foi ver justamente a trivialidade: um grupo de amigos bebendo numa noite e passando o tempo da maneira que conseguem, ou um garoto se alimentando de uma maneira pouco higiênica... elementos visuais que nos chocam pela naturalidade com que acontecem e nos causam esse estranhamento por ser algo que definitivamente não estamos acostumados a ver.
Não tem como falar dos personagens deste filme sem citar a inclusão e diversidade apresentada. Existem até mesmo pequenos trechos apenas para apresentar personagens em específico e suas dificuldades neste mundo, desde uma pessoa com nanismo, outra com albinismo, etc, sem que haja algum desenvolvimento em específico (até porque, se o filme desenvolvesse cada um dos seus personagens, ele teria que ter umas 3 horas de duração). E mesmo sem esse desenvolvimento, nós compreendemos o que cada um representa. Essa estrutura narrativa nos faz ter visões diversas sobre cada segmento apresentado, mas todos eles estão intimamente ligados a este ambiente predatório e desesperançoso.
"Gummo" não tem pudor de ser exagerado e, mesmo assim, causar desconforto por seu realismo. Mesmo sendo um filme curto, pode ser que você se sinta sufocado e exausto ao acompanhar essas histórias, mas ainda assim acredito que vale a experiência.
Harmony korine é um grande cinegrafista experimental com filmes devastadores em sua coleção, eu realmente não poderia ignorar esse diretor sendo um amante do cinema subversivo.
Gummo assim como seus outros filmes, mostram uma realidade dramática;exagerada;nojenta e pobre dos EUA, é uma obra que abre nossa mente para uma realidade existente: todo lugar no mundo tem pobreza e suas mazelas, além de ser uma obra importante para a época, ao mesmo tempo sendo um ótimo retrato para o futuro, pois ainda havia o tão famoso movimento "sonho americano" que ainda inundava o imaginário das pessoas, acredito que pra época, assistir um filme desses deveria ser um murro no estômago, mas sua fotografia;estética;enrendo não envelheceram, ao contrário, o diretor simplesmente abordou assuntos que eram tabus/inexistentes como o TDAH, e comportamentos suspeitamente neurodivergentes que só depois de 30 anos, está sendo debatido e falado por todo mundo sem julgamentos ou pouco preconceitos.
Gummo é um clássico cult, sua fotografia/filmagem são além do seu tempo, os personagens são crus, o roteiro é simplesmente passado em segundo plano, o enredo é simples mas significativo, o ambiente nos causa estranheza e de que algo está errado, todos daquela cidade estão acostumados com tanta imundície; é o retrato de seres humanos traumatizados; sem pesperctivas; sem esperança; mentalmentes transtornados, o filme não tem a minima vergonha de trazer todas as mazelas existentes, white trash clássico!
não conheço a cidade antes, mas, se aquele é um cenário pós-desastre e marcado pela pobreza, tudo ficou devastado, do espaço físico ao estado mental das pessoas.
todas as casas que aparecem estão tomadas por entulho, bagunça e restos de memórias, como os sapatos de sapateado. como se os moradores continuassem vivendo entre os destroços de vidas que já acabaram. tudo muito no automático, a violência como única expressão.
todo mundo parece meio biruta das ideias, mas me pegou muito
a senhora enferma na cama, mantida viva por aparelhos, mas sem realmente viver. senti uma espécie de piedade no ato de desligarem o aparelho. uma misericórdia distorcida, praticada por uma dupla incapaz de compreender plenamente o peso do que estava fazendo, mas ainda assim misericórdia
não consigo pensar em pontos mais profundos do que uma grande confusão mental sobre escombros do que se deveria ser.
Filme estranho
revi recentemente em full HD. continua lindo, e a trilha sonora é um show a parte.
white trash de qualidade cru, duro, cruel e seco.
lindo, lindo.