Nero Roberto
26 years
Santos - (🇧🇷 BRA)
Usuário desde Novembro de 2016
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum


Últimas opiniões enviadas

Nero Roberto
½
14 horas atrás

"Dinner in America" não causou tanto alarde desde seu lançamento, porém é uma história original que utiliza de clichês para construir um "conto de fadas subversivo" que cativa e encanta ao mesmo tempo que causa uma estranheza curiosa conforme o assistimos.

A direção faz uma reconstrução de época sensacional. Mesmo sem deixar muito claro em que época o filme se passa, existe uma imersão muito grande naquele universo, principalmente pela ambientação e pela forma como aquele cotidiano é apresentado. Gosto também da maneira como o filme desenvolve seus personagens, por exemplo em diferentes cenas de refeições em família. São umas três ao longo do filme e, apesar de terem uma estrutura parecida, cada uma se desenvolve de uma maneira completamente diferente. A mistura entre humor ácido, humor situacional e crítica à classe média americana também funciona muito bem, principalmente porque o filme consegue fazer isso sem ficar moralista ou pedante.

O roteiro aproveita muito bem esses momentos de humor para deixar a experiência leve, mas também sabe utilizar os momentos emocionantes na hora certa. Ele usa e abusa de alguns clichês, e apesar de funcionarem dentro da proposta do filme, alguns são tão telegrafados que podem incomodar. Alguns personagens também ficam caricatos demais em determinados momentos, mas nada que prejudique a experiência como um todo.

Kyle Gallner e Emily Skeggs formam uma dupla excelente. A química entre os dois é sensacional e é muito satisfatório acompanhar como ambos vão se desenvolvendo com a ajuda um do outro. Eles também acabam sofrendo um pouco com essa caricatura dos personagens, mas no geral é uma dupla que engrandece muito o filme.

"Dinner in America" é estranho, atraente e divertido. Certamente é uma excelente surpresa para um filme tão discreto, e eu não estranharia se daqui alguns anos ele fosse revisitado e virasse um clássico cult.

Nero Roberto
½
1 mês atrás

Apesar de eu não ser um dos maiores entusiastas do tema, "Backrooms" me deixou extremamente curioso desde seu anúncio, pois um tema tão nichado e fechadinho dentro da internet representa um grau de dificuldade elevado na hora de preencher as lacunas que um longa exige. E creio que este filme não conseguiu fugir dessa dificuldade, ainda que com momentos de brilhantismo.

Kane Parsons já tem familiaridade com esta temática e isso se reflete na maneira com que ele domina a cinematografia nos momentos em que estamos dentro das backrooms, o diretor controla bem o tom para manter um terror equilibrado entre o que vemos e o que é subjetivo, com sustos pontuais e uma tensão crescente em meio ao ambiente claustrofóbico e desconhecido, inclusive a escuridão é um elemento que o Kane usa para esconder algo e assim nos deixar aflitos justamente pelo que não estamos vendo.

Porém, o filme oscila (para não dizer que ele decai mesmo) fora desses espaços, quando a direção temática precisa dar lugar para um roteiro que não sustenta a história por si só. O desenvolvimento dos personagens é pouco inspirado a ponto de eu não nutrir simpatia por absolutamente ninguém que está em tela, e o próprio background dos dois protagonistas é mal trabalhado: a história do Clark é contada através de diálogos expositivos e possui um conflito raso e pouco explorado, enquanto no caso da Mary o longa aposta em flashbacks excessivamente subjetivos, buscando abraçar uma abstração narrativa desnecessária e que não acrescenta em quase nada além de teorias. Toda essa limitação faz com que a estrutura do roteiro seja entediante e redundante, poderia ter uns 20 minutos a menos que funcionaria melhor.

O nível dos atores acaba sendo puxado para baixo por causa do roteiro, porém eles entregam da melhor forma a personalidade que cada personagem exige. Chiwetel Ejiofor equilibra ira, emoção e contemplação nos momentos certos e nos prende a atenção dentro do labirinto, pois as emoções dele são paralelas as do espectador (desde curiosidade inicial até outras que desencadeiam conforme os acontecimentos se desenrolam). Renate Reinsve entrega um trabalho competente ao retratar uma psiquiatra cética entrando em contato com esse universo e lidando com o pouco de história que o roteiro oferece para sua personagem.

"Backrooms" é um ótimo filme de terror, mas com uma narrativa problemática que parece servir apenas como pano de fundo para que este horror experimental seja apresentado ao público. É difícil se manter interessado no longa quando estamos na superfície, porém a experiência é recompensadora ao adentrarmos no que realmente interessa.

Nero Roberto
½
1 mês atrás

"Project Hail Mary" ousou ser uma ficção científica simples em uma indústria que busca sempre extrair os temas mais complexos e reflexivos (e, por vezes, abstratos) desse gênero. É como se o lado científico do filme fosse apenas um background discreto para uma história pessoal e sensível sobre amizade.

Os diretores Christopher Miller e Phil Lord conseguem manter o ritmo do filme dinâmico e leve mesmo apesar das suas duas horas e meia de duração, e a montagem encorpa o longa na medida certa, principalmente no primeiro ato em que o protagonista está sozinho. Aliás, outro ponto positivo é justamente a maneira com que os recursos narrativos são usados de forma inteligente: quando começaram os flashbacks eu achei que seriam um tédio expositivo, mas foi o oposto, é uma forma de contar a história e dimensionar o problema principal para que a gente entenda que de fato o que está acontecendo é grave. Uma coisa que me agradou muito foi a maneira com que a imensidão espacial é retratada, principalmente na maneira com que o silêncio é utilizado nesses momentos.

O roteiro é muito bem escrito e é o motor principal do filme, que concede a ele a leveza e o humor sem cair em algo bobinho, ao mesmo tempo que mantém a sobriedade quando necessário. A ameaça principal sempre está presente, mesmo quando damos risada das piadas situacionais que o longa nos mostra. Eu confesso que no começo as piadas me causaram um pouco de estranhamento, pois eu não sabia do que se tratava o filme (sequer havia lido a sinopse), então fui esperando algo diferente do que o filme de fato é. Porém não demorou nada para que ele me ganhasse e eu estivesse completamente vidrado na sua história.

A atuação do Ryan Gosling está extremamente equilibrada entre o cara desleixado e o gênio necessário, ele sustenta tanto os momentos de leveza quanto os mais dramáticos e cria um personagem autoral, com suas próprias manias e maneirismos. A relação entre o protagonista e o Rocky sustenta o filme de tal maneira que se o longa fosse apenas uma história dos dois, já valeria a pena. E por falar no Rocky, o personagem é muito bem desenvolvido e tem um carisma absurdo, suas expressões corporais dizem muito e a gente o entende com pouco, e acompanhar essa amizade crescendo é muito satisfatório. Isso faz com que este filme te faça bem mesmo nos seus momentos dramáticos. E a Sandra Hüller é uma coadjuvante que funciona muito bem para dar a carga emocional e o senso de urgência que a história precisa, mesmo quando ela não está em tela sua presença é impactante através das consequências que a personagem traz para a trama.

"Project Hail Mary" é um blockbuster de ficção científica que surpreende ao mostrar que nem todo filme espacial precisa de uma narrativa densa e complexa para funcionar, é fácil de gostar e acredito que daqui uns anos ele já terá o merecido status de clássico.

  • Filmow 5 dias atrás

    O novo app do Filmow é oficial!

    Olá, cinéfilo!

    Depois de 2 meses em beta, o novo app do Filmow agora é oficial e 100% funcional.

    Baixe aqui:
    Android: https://filmow.s.gy/vIEnVo
    iPhone: https://filmow.s.gy/esyxMU

    Queremos ouvir você: gostou? O que falta? Como melhoramos?

    Chama no WhatsApp +55 11 97103-8686 ou avalia direto na loja.

    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Talita 8 anos atrás

    LEGAL, PENA QUE COM PÉSSIMO GOSTO