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Sean Mercer lidera um grupo internacional de caçadores que se encontra na África no período de três meses em que essa prática está liberada. Sua intenção é capturar um grande número de animais selvagens para atender encomendas de zoológicos do mundo todo. Além do risco que corre, Sean fica contrariado quando chega uma mulher no acampamento contratada pelo zoológico de Los Angeles para documentar a captura dos animais. Dallas se mostra à vontade no lugar, e se torna conhecida dos nativos por "Momma Tembo" (Mãe dos Elefantes), por acolher alguns filhotes elefantes órfãos, que tumultam ainda mais a vida no acampamento.
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Quando vi que Hatari! durava quase três horas, confesso que estremeci: filme antigo, África, John Wayne… a chance de tropeçarmos num terreno cheio de areia movediça era grande. Imaginei problemas — tanto no retrato da comunidade local quanto na violência contra os animais. Mas a verdade é que, para um filme da época, Hatari! se sai melhor do que eu esperava: nada de carnificina gratuita, nem aquela condescendência habitual. É uma aventura africana filmada com a leveza de uma crônica, onde o espírito é mais de caça amistosa do que de ataque selvagem.
A história — ou melhor, o fio narrativo — é simples: um grupo de caçadores captura animais vivos para zoológicos, entre uma perseguição e outra pela savana. Liderados por John Wayne (o eterno Sean), eles recebem a visita de Dallas, uma fotógrafa esbelta, que parece saída de um catálogo de Audrey Hepburns aspirantes a domadoras de elefantes. Dallas balança o ambiente com seu charme e sua inaptidão completa no início da aventura — o que, claro, rende cenas engraçadinhas e aquela previsível pitada de romance.
A estrutura do filme é episódica: uma sequência de dias de trabalho, capturas, flertes e pequenos dramas românticos entre a equipe — com destaque para o personagem vivido por Red Buttons, que injeta humor e leveza. É tudo simpático, bonito de se ver, embalado por jipes cortando a savana em perseguições ensolaradas. Mas, pessoalmente, sempre me fisgam mais filmes com grandes motores dramáticos — sobrevivência, ambição, perigo real. Em Hatari!, a jornada é tão tranquila que, embora agradável, nunca chegou a me laçar de verdade.
Claro que nem tudo envelheceu bem. As personagens femininas, por exemplo, existem basicamente para suspirar por homens de beleza discutível. Sério, quem foi que decidiu que John Wayne era galã? Mas enfim — são ossos da época. No geral, Hatari! surpreende pela ausência de cinismo: mesmo caçando, os personagens demonstram uma admiração genuína pelos animais que tentam capturar, o que suaviza um pouco o desconforto do conceito.
No fim, Hatari! é como um daqueles safáris turísticos: longo, bonito, um tanto repetitivo, mas cheio de momentos encantadores. Eu não fui exatamente laçado pelo filme — talvez só sintonizado na frequência tranquila da sua proposta. Ainda assim, para quem topar embarcar sem grandes expectativas de trama, é uma jornada simpática, entre um rinoceronte furioso e elefantes amestrados.
As cenas de perseguição aos animais realmente são extraordinárias, o roteiro tem boas piadas e momentos divertidos e os romances sinceramente pra mim não funcionam nem um pouco. Não sei, mas o John Wayne galanteador já com 200 anos de idade não cola muito e a paixão da moçoila por um chato de galocha também não se justifica. Uma coisa é inegável, jamais na história do cinema esta história se repetirá por mais que os caçadores sejam bem amáveis.
21.07.1989
Deve ser o maior do Hawks depois do "Rio Bravo". Uma comédia romântica de audácia e ternura. Os heróis estão num ambiente ao qual não pertecem, mas que integra perfeitamente as suas questões. Daí a savana africana e seus bichos se tornam uma extensão da ciranda de inadequação, hesitação e outras emoções que não podem ser comunicadas, e que só podem ser resolvidas por meio da ação das caçadas. Virou um dos meus favoritos da vida.
"Hatari!", de 1962, continua atemporal e envolvente, enaltecido pela belíssima e antológica trilha sonora de Henri Mancini. É uma excelente aventura, estrelada pelo legendário John Wayne e dirigida brilhantemente por Howard Hawkis. Era reprise constante nos primeiros anos da Sessão da Tarde. Pura Nostalgia? Com certeza!