Em Nouadhibou, aldeia de pescadores no litoral mauritano, Abdallah, um jovem malinês de 17 anos visita a mãe antes de partir para a Europa. Neste lugar de exílios e de falsas esperanças o jovem, que não entende a língua, tenta decodificar o universo à sua volta. Nana, uma jovem sensual Makan que sonha com a Europa, Maata, um antigo pescador e agora eletricista e seu discípulo Khatra que vai ajudá-lo a sair de seu isolamento ensinando-lhe o dialeto local. Os destinos se encontram e se desencontram ao longo dos dias os olhares fixos no horizonte aguardam uma incerta felicidade.
. Prêmio da Crítica - Un Certain Regard Cannes 2002.
. Melhor Direção de Arte - Fespaco 2003.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
que trilha sonora maravilhosa, filmão!
O filme traz pessoas comuns, de algum lugar da Mauritânia, que simplesmente vão vivendo suas vidas.
Crianças que aprendem e sonham. Jovens que tentam se adaptar. Adultos que lamentam.
Tudo isso com pouco brilho, sem muita luz. Apenas vão vivendo, como se isso fosse o máximo possível para se fazer naquele ambiente que pouco ajuda.
Até para os mais novos é difícil ir em busca da felicidade. O jeito é esperar. Ainda que haja esperanças de se transpor todo esse deserto que começa do lado de fora e termina dentro do peito.
Se onde vivemos é impossível não buscar a felicidade todos os dias,num lugar como esse do filme essa busca chega a ser uma necessidade gritante.
De grande riqueza filosófica, estética e emotiva, “Heremakono” é um prato cheio para os cinéfilos que como eu, adoram "world movies". Apesar de revelar-se muito lentamente, são múltiplas as sensações provocadas por essa obra repleta de matizes. Cada cena é uma pista para profundas reflexões. Vale a pena destacar a ótima trilha sonora e a fotografia, que apesar das limitações cromáticas do digital, não deixa de ser maravilhosa. E por fim, há poesia, sutilmente elaborada na frente do espectador.