Um retrato cru de uma sociedade capitalista. Por um lado, as precárias condições do trabalho e por outro, os sedentos desejos da burguesia. Malle soube absorver através dos olhos a dor de uma vida automatizada, esvaziada e infeliz. Uma das coisas que me causou estranhamento foi, sobretudo, a ausência de humor e de música. Não se vê sorriso, somente em alguns poucos momentos em que se escapa um sorriso sem graça e de surpresa, além de não ter nenhum tipo de canto, como na série documental de Leon Hirszman (que me serviu de parâmetro a todo momento e onde os trabalhadores lidam com o tempo, a distância e as dificuldades desencadeadas pelo trabalho entoando cantos). A única música que se pode ouvir é o barulho das máquinas.
A mão que manuseia o veículo de alta performance. A luva suja e soada que o molda o ferro pesado. O sapato bico-fino de couro. As sandálias velhas de mais um dia de trabalho. O olhar vivaz que consome o veículo do ano. O olhar opaco e atento que policia as mãos que constroem. O antagonismo do consumo de maneira dissecada - A demasia do humano que brilha os olhos sedentos pelo consumo e a demasia do trabalho braçal de homens e mulheres invisíveis as vitrines. O filme me fez lembrar 'O suor e a lágrima', de Carlos Henrique Cony: "Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano salgado como lágrimas."
Tem seu interesse antropólogico. Mas poderia ser um curta ou média metragem.
Um retrato cru de uma sociedade capitalista. Por um lado, as precárias condições do trabalho e por outro, os sedentos desejos da burguesia. Malle soube absorver através dos olhos a dor de uma vida automatizada, esvaziada e infeliz.
Uma das coisas que me causou estranhamento foi, sobretudo, a ausência de humor e de música. Não se vê sorriso, somente em alguns poucos momentos em que se escapa um sorriso sem graça e de surpresa, além de não ter nenhum tipo de canto, como na série documental de Leon Hirszman (que me serviu de parâmetro a todo momento e onde os trabalhadores lidam com o tempo, a distância e as dificuldades desencadeadas pelo trabalho entoando cantos).
A única música que se pode ouvir é o barulho das máquinas.
A mão que manuseia o veículo de alta performance. A luva suja e soada que o molda o ferro pesado. O sapato bico-fino de couro. As sandálias velhas de mais um dia de trabalho. O olhar vivaz que consome o veículo do ano. O olhar opaco e atento que policia as mãos que constroem. O antagonismo do consumo de maneira dissecada - A demasia do humano que brilha os olhos sedentos pelo consumo e a demasia do trabalho braçal de homens e mulheres invisíveis as vitrines.
O filme me fez lembrar 'O suor e a lágrima', de Carlos Henrique Cony: "Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano salgado como lágrimas."
Até as máquinas parecem vivas nesse filme... o título não poderia ser melhor. Humano, sensível e contido, demasiadamente.