No decorrer do filme alguém diz: “Divine era uma terrorista cinematográfica”. Que lindo isso! Não poderia concordar mais, com toda sua rebeldia, corpo, voz e star quality. Divine fazia jus ao seu nome, batizada por seu amigo, criador e alma gêmea, John Waters. Juntos, eram a anarquia e libertários. Divine, contudo, era sensível, sem um grande amor por não ser um corpo padrão e frustação pela negação dos pais, creio que sua compulsão alimentar vinha desse sentido de um não lugar, mesmo querendo pertencer a algo. Ser uma grande estrela, mas a “sorte de um amor tranquilo”, como diria Cazuza. Porém, senti muita falta da voz dela nesse documentário. Tivemos várias versões dela através dos seus amigos e sua mãe e pouco dela sobre ela e isso faria toda a diferença. Para mim, sempre será uma estrela punk, uma heroína de uma geração que perpassa diversas gerações por ser lendária necessária e imortal com sua arte desruptiva e sem compromisso com hipocrisia. Infelizmente se foi muito cedo. Salve DIVINE!
Parafraseando a frase que diz em Pink Flamingos “I’m Divine” dá título ao filme que conta a história da icônica transformista e revela sua intimidade, personalidade e o homem por trás da peruca e da maquiagem extravagante.
O filme começa com a estreia do sucesso Hairspray em 1988, quando Divine e John Waters estavam no ápice de suas carreiras. Os depoimentos do diretor constroem a narrativa do filme, ele define Divine como uma quebra de padrão no que se conhecia como drag queen, uma terrorista cinematográfica.
Logo conhecemos a história de Glen Milstead, através de sua mãe Frances. Glen era um garoto gordinho, que sofria bullyng na escola e não tinha amigos. O pediatra disse à mãe que ele era mais feminino do que masculino.
Através do depoimento da amiga Diana Evans, conhecemos o Glen adolescente, que a maquiava e a levou ao baile. Em breve ele começaria a trabalhar como cabeleireiro e chamar a atenção, pois ser gay nos anos 1960 não era bem visto e até considerado ilegal.
O cinema aproximou Glen de Jonh Waters em 1964, com quem tomava LSD e assistia Bergman. O jovem descobriu a Dreamland, grupo de amigos de Waters que se reuniam para fazer filmes, em meio a muita maconha, ácido e pó de anjo.
David Lochary, o Raymond de Pink Flamingos foi o mentor drag de Glen, que se montava como Elizabeth Taylor e ia em Drag Balls em Washington. John Waters a batizou então de Divine realizando seus primeiros experimentos cinematográficos, em Eat your make up ela interpretava Jackie Kennedy, as pessoas porém não viram graça por se tratar de um evento tão recente.
Em 1969 fez seu debut como Divine em Mondo Trasho, em seguida veio Multiple Maniacs onde era uma serial killer insana que no final era estuprada por uma lagosta gigante.
The Cocketes, um grupo burlesco, começaram a divulgar os filmes e trabalhar a imagem de Divine, que começou a fazer viagens com performances e shows bizarros e provocativos. Mudou-se para São Francisco e seguiu no mundo do espetáculo até seu retorno à Baltimore em 1972, para filmar Pink Flamingos, filme que a lançaria ao estrelato.
Van Smith foi quem desenvolveu o visual de Divine para o filme com as sobrancelhas mega arqueadas que marcariam sua personagem. Vemos então os bastidores de Pink Flamingos, filme que trazia um choque atrás do outro. Jonh Waters conta como foi gravar a icônica cena do cocô de cachorro e sobre a relação da atriz com Edith Massey.
O filme tornou-se um fenômeno nas sessões da meia-noite, pessoas saiam do cinema vomitando. Toda aquela escatologia levou Divine ao estrelato conhecendo personalidades como David Bowie, Mick Jagger, Elton John e Andy Warhol.
Após veio Female Trouble, obra punk, onde Divine interpretive Dawn Davenport, que ia da adolescência na high school até se tornar uma personagem com várias nuances no universo grotesco.
Mudou-se para Nova York onde a cena queer era efervescente e virou estrela Off Broadway protagonizando peças como Women behind bars e Mulher de Neon. Toda a repercussão a levou à indústria fonográfica onde lançou diversos sucessos como Native Love, e viajou o mundo.
Em meio a maconha, donuts e festas à beira da piscina a sexualidade do artista é revelada, e mesmo com o peso, Glen nunca teve problemas para arrumar namorados. Conhecemos então a sensibilidade por trás da personagem assustadora.
Quando estrelou Polyester, Divine teve a oportunidade de mostrar outra faceta como Francine uma dona de casa disfuncional. Nesse filme teve a oportunidade de atuar ao lado do galã Tab Hunter, seu crush de adolescência e que a beija em cena.
Rainha do humor de insulto, diva do cinema, rock star. Divine começava a questionar sobre o papel que vinha exercendo. Quando atuou em Hairspray se desnudou da personagem para viver uma dona de casa totalmente sem glamour. Divine se sentia então mais confortável consigo mesma e capaz de explorar novas facetas de sua personagem.
Com depoimentos de amigos e colegas de trabalho o filme conta com um rico acervo de imagens em vídeo e fotografias que revelam a personalidade da artista e do homem por trás da terrorista cinematográfica
A saúde era uma preocupação de todos que a rodeavam pelo excesso de peso, quando foi chamada para fazer um papel masculino no famoso seriado Married with Children, Divine não resistiu a um infarto fulminante no seu quarto de hotel. A vida havia sido interrompida o seu legado porém perpetuou e ainda segue influenciando gerações que não se encaixam em padrões.
Eu sempre via as referencias a Divine em Rupauls Drag Race e tinha vontade de saber mais sobre a historia dessa personagem. Assistindo esse filme documentário percebi o quão revolucionário foi para a época um homem interpretando uma drag queen, fazer tanto sucesso, sendo um grande nome, aclamado por diversos outros artistas. Um icone que precisa ser lembrado!
Divine realmente foi um marco no mainstream da cultura LGBTQI. Eu particularmente não conheço/conhecia tanto o seu trabalho e neste doc além de conhecermos a persona Divine (como surgiu, polêmicas, as famosas cenas de filme), temos acesso a história pessoal de Harris Glenn Milstead. Um ícone que revolucionou e se inseriu no mercado de trabalho com muita criatividade e inteligência.
No decorrer do filme alguém diz: “Divine era uma terrorista cinematográfica”. Que lindo isso! Não poderia concordar mais, com toda sua rebeldia, corpo, voz e star quality. Divine fazia jus ao seu nome, batizada por seu amigo, criador e alma gêmea, John Waters. Juntos, eram a anarquia e libertários.
Divine, contudo, era sensível, sem um grande amor por não ser um corpo padrão e frustação pela negação dos pais, creio que sua compulsão alimentar vinha desse sentido de um não lugar, mesmo querendo pertencer a algo. Ser uma grande estrela, mas a “sorte de um amor tranquilo”, como diria Cazuza.
Porém, senti muita falta da voz dela nesse documentário. Tivemos várias versões dela através dos seus amigos e sua mãe e pouco dela sobre ela e isso faria toda a diferença.
Para mim, sempre será uma estrela punk, uma heroína de uma geração que perpassa diversas gerações por ser lendária necessária e imortal com sua arte desruptiva e sem compromisso com hipocrisia. Infelizmente se foi muito cedo.
Salve DIVINE!
“Ninguém mais poderá se chamar Divine”
True Icon.
23.07.23
Parafraseando a frase que diz em Pink Flamingos “I’m Divine” dá título ao filme que conta a história da icônica transformista e revela sua intimidade, personalidade e o homem por trás da peruca e da maquiagem extravagante.
O filme começa com a estreia do sucesso Hairspray em 1988, quando Divine e John Waters estavam no ápice de suas carreiras. Os depoimentos do diretor constroem a narrativa do filme, ele define Divine como uma quebra de padrão no que se conhecia como drag queen, uma terrorista cinematográfica.
Logo conhecemos a história de Glen Milstead, através de sua mãe Frances. Glen era um garoto gordinho, que sofria bullyng na escola e não tinha amigos. O pediatra disse à mãe que ele era mais feminino do que masculino.
Através do depoimento da amiga Diana Evans, conhecemos o Glen adolescente, que a maquiava e a levou ao baile. Em breve ele começaria a trabalhar como cabeleireiro e chamar a atenção, pois ser gay nos anos 1960 não era bem visto e até considerado ilegal.
O cinema aproximou Glen de Jonh Waters em 1964, com quem tomava LSD e assistia Bergman. O jovem descobriu a Dreamland, grupo de amigos de Waters que se reuniam para fazer filmes, em meio a muita maconha, ácido e pó de anjo.
David Lochary, o Raymond de Pink Flamingos foi o mentor drag de Glen, que se montava como Elizabeth Taylor e ia em Drag Balls em Washington. John Waters a batizou então de Divine realizando seus primeiros experimentos cinematográficos, em Eat your make up ela interpretava Jackie Kennedy, as pessoas porém não viram graça por se tratar de um evento tão recente.
Em 1969 fez seu debut como Divine em Mondo Trasho, em seguida veio Multiple Maniacs onde era uma serial killer insana que no final era estuprada por uma lagosta gigante.
The Cocketes, um grupo burlesco, começaram a divulgar os filmes e trabalhar a imagem de Divine, que começou a fazer viagens com performances e shows bizarros e provocativos. Mudou-se para São Francisco e seguiu no mundo do espetáculo até seu retorno à Baltimore em 1972, para filmar Pink Flamingos, filme que a lançaria ao estrelato.
Van Smith foi quem desenvolveu o visual de Divine para o filme com as sobrancelhas mega arqueadas que marcariam sua personagem. Vemos então os bastidores de Pink Flamingos, filme que trazia um choque atrás do outro. Jonh Waters conta como foi gravar a icônica cena do cocô de cachorro e sobre a relação da atriz com Edith Massey.
O filme tornou-se um fenômeno nas sessões da meia-noite, pessoas saiam do cinema vomitando. Toda aquela escatologia levou Divine ao estrelato conhecendo personalidades como David Bowie, Mick Jagger, Elton John e Andy Warhol.
Após veio Female Trouble, obra punk, onde Divine interpretive Dawn Davenport, que ia da adolescência na high school até se tornar uma personagem com várias nuances no universo grotesco.
Mudou-se para Nova York onde a cena queer era efervescente e virou estrela Off Broadway protagonizando peças como Women behind bars e Mulher de Neon. Toda a repercussão a levou à indústria fonográfica onde lançou diversos sucessos como Native Love, e viajou o mundo.
Em meio a maconha, donuts e festas à beira da piscina a sexualidade do artista é revelada, e mesmo com o peso, Glen nunca teve problemas para arrumar namorados. Conhecemos então a sensibilidade por trás da personagem assustadora.
Quando estrelou Polyester, Divine teve a oportunidade de mostrar outra faceta como Francine uma dona de casa disfuncional. Nesse filme teve a oportunidade de atuar ao lado do galã Tab Hunter, seu crush de adolescência e que a beija em cena.
Rainha do humor de insulto, diva do cinema, rock star. Divine começava a questionar sobre o papel que vinha exercendo. Quando atuou em Hairspray se desnudou da personagem para viver uma dona de casa totalmente sem glamour. Divine se sentia então mais confortável consigo mesma e capaz de explorar novas facetas de sua personagem.
Com depoimentos de amigos e colegas de trabalho o filme conta com um rico acervo de imagens em vídeo e fotografias que revelam a personalidade da artista e do homem por trás da terrorista cinematográfica
A saúde era uma preocupação de todos que a rodeavam pelo excesso de peso, quando foi chamada para fazer um papel masculino no famoso seriado Married with Children, Divine não resistiu a um infarto fulminante no seu quarto de hotel. A vida havia sido interrompida o seu legado porém perpetuou e ainda segue influenciando gerações que não se encaixam em padrões.
Eu sempre via as referencias a Divine em Rupauls Drag Race e tinha vontade de saber mais sobre a historia dessa personagem. Assistindo esse filme documentário percebi o quão revolucionário foi para a época um homem interpretando uma drag queen, fazer tanto sucesso, sendo um grande nome, aclamado por diversos outros artistas. Um icone que precisa ser lembrado!
Divine realmente foi um marco no mainstream da cultura LGBTQI. Eu particularmente não conheço/conhecia tanto o seu trabalho e neste doc além de conhecermos a persona Divine (como surgiu, polêmicas, as famosas cenas de filme), temos acesso a história pessoal de Harris Glenn Milstead. Um ícone que revolucionou e se inseriu no mercado de trabalho com muita criatividade e inteligência.