Uma garota, Lachhi, casa-se com o filho de um comerciante, Kishanlal. Ele a leva para o seu vilarejo mas a deixa imediatamente, saindo numa viagem de negócios. Lachhi é abandonada à sua sorte. Entretanto, um fantasma se apaixona por ela e assume a forma de seu marido e começa a viver com ela. Logo ela vê-se grávida de uma criança.
O Marido retorna... surge um dilema...
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Impressionante a paleta visual utilizada no longa-metragem do cineasta indiano Mani Kaul. A trama é forte o bastante para sustentar o mistério e os dilemas morais retratados. É apaixonante – visualmente falando –, mas também triste, contemplar os olhos vívidos escondidos pelo véu dos costumes.
Muito sensível, bonito e ainda com essa aura folclórica na qual "é normal" ter o fantasma, a questão é como lidar com ele. Além, é claro, das questões sociais abordadas (que só são ignoradas nas histórias folclóricas ou de fantasmas ruins, ou de quem as conta mal). É realmente preciso "mudar uma chave" do que estamos cada vez mais habituados pra apreciar um filme como esse. Mas vale a pena.
cor sim, cor não
Um poema visual que se pauta no discurso antipatriarcado e denúncia da insatisfação silenciada da figura feminina nesse sistema. Vejo as representações maridos como duas perspectivas deste relacionamento conjugal: a primeira, do esposo "real", aquele conciliado ao sistema, atencioso apenas às demandas financeiras (nos quais os créditos iniciais do filme fazem referência); a segunda, do doppelgänger, como uma possibilidade do afeto neste mesmo sistema, um desejo feminino - "Quem é você", perguntou a esposa. "Eu sou aquele que vive sob a pele das mulheres", respondeu o fantasma. Evidentemente este desejo íntimo não pode se materializar e contrariar as regras do patriarcado, nem que negociado com mágicas moedas de ouro, pois a questão não é meramente econômica e sim de demarcação social, de gênero. Deve continuar sufocado, aprisionado em um poço profundo. E cabe apenas aos homens, os únicos beneficiados deste sistema, julgar e condenar tais conflitos.
de vez em quando me pego pensando neste